domingo, 24 de maio de 2009

TODO PODER EMANA DE ONDE MESMO?

Todo poder emana do povo. Nunca essa frase teve tanto impacto como no comício das diretas-já, na Candelária, pronunciada pelo advogado Sobral Pinto. Mas a verdade é que muitos ocupantes do poder se comportam como donos do povo, e não como seus empregados. É isso que esses canalhas são e ganham muito bem para ser: empregados do povo. Mas não estão nem aí. Está nos jornais de hoje: envolvido na farra das passagens aéreas e acusado de outras mutretas, o deputado Paes Landim (na foto), do PTB do Piauí, se recusou a passar sua maleta na esteira de raio X do Aeroporto de Brasília. Como duas funcionárias não o liberavam, bateu boca em altíssimo nível:
– Já não disse que sou deputado? Vão se foder, vão tomar no cu!
As moças insistiram no procedimento.
– Vocês são analfabetas! Vão tomar no cu, suas vadias!
Paes Landim faz parte de uma das maiores bancadas de nossas casas legislativas federais, estaduais e municipais, aquela que é composta de homicidas, grileiros, pitboys, representantes de traficantes, milicianos, senhores de escravos, estelionatários, ilusionistas, bêbados que atropelam e matam, donos de castelos, enfim, picaretas de todos os naipes, assim chamados, aliás, pelo homem que hoje exerce a Presidência da República.
A reforma política que há séculos nunca entra na pauta deve ter propostas melhores do que esse voto em lista que hoje se discute. O voto em lista já é uma realidade há muito tempo. O eleitor já escolhe um candidato que considera bom, mas na apuração entra um pilantra do mesmo partido, que compra votos e consciências, e isso não só no interior.
Talvez espalhar ouvidores ou ombudsmen em todas as instâncias de poder. Só não podem ser eleitos pelo voto popular, pois do jeito que a maioria vota, a coisa ia virar cabide de emprego para novos pilantras. Melhor: seriam indicados por um Conselho da Cidadania formado por representantes de instituições como OAB, Conselhos Nacionais da Justiça e do Ministério Público, ABI, etc. Já existe essa idéia? Se existe, eu não sabia.
Um ouvidor na Câmara, outro no Senado, mais outro no STF, claro que também na Presidência da República, em cada governo estadual, em cada assembléia legislativa, prefeitura e câmara municipal, em cada tribunal de Justiça dos estados. Garanto que seria menos oneroso do que aumentar as câmaras de vereadores - proposta indecente que volta e meia ressurge.
Pode ser uma idéia ingênua, acho até que é coisa de otário, pois os otários, como nós, é que sofremos na mão desses cafajestes. No entanto, quem sabe assim teríamos pelo menos a ilusão de que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido?

3 comentários:

Guigo disse...

Se o STF não liberasse para concorrer a cargos eletivos todos estes pilantras condenados e até cumprindo pena domiciliar ou algo similar, metade do caminho já estaria pavimentado... mas lá no STF tudo é festa!

zé sergio disse...

Pois é, Guigo, aquele egrégio e douto recinto também devia ter um ouvidor representando nosotros, los otarios.

Edu Heleno disse...

Grandes frases da política brasileira:

Vocês são analfabetas! Vão tomar no cu, suas vadias! - Paes Landim (PTB)