
Se você já praticou algum esporte amador ou profissional, foi uma promessa do vôlei, do iatismo ou do cuspe à distância, ainda que tenha largado tudo e trocado de profissão, você pode não conhecer o Antônio Roberto Arruda, mas ele deve saber alguma coisa sobre você. Só ele e o Sombra sabem. No mínimo, com todo respeito, o Arruda já deve ter falado com sua mãe.
Não estranhe: Arruda é craque e um dos segredos dele é a alentada agenda. Fui testemunha disso, na Editoria de Esportes do Globo. O país inteiro procurava alguém, se não me engano o Nelson Piquet, e nada. Alguém do aquário chegou à sua mesa. Com dois telefonemas, tudo foi resolvido. Num estalar de dedos, o piloto atendeu nosso herói quando velejava no Mediterrâneo.
A coisa funcionava assim: o desportista (ô palavrinha...) surgia, aparecia o Arruda e logo se enturmava com a mãe da promessa. Por que a mãe? Bom, ele fazia mil elogios ao guri ou à menina (“Tem futuro! Tem futuro!”), deixava a madame comovida e ganhava uma amiga e fonte fiel pelo resto da vida. Quando algum craque some na poeira, e ninguém acha – nem o melhor amigo, nem a mulher, nem o empresário –, em 99% dos casos a grande saída, ensina Arruda, é fazer contato com a mãe da fera. Mãe é mãe.
Mas nem sempre foram flores. Quando começou na profissão, enfrentou problemas, alguns certamente provocados pelo racismo. Daí ter ficado feliz da vida quando o jornal o mandou entrevistar o Pelé. Foi seu primeiro encontro com o Rei.
Saiu de madrugada direto para o Galeão e ficou esperando a delegação santista, que vinha de algum país distante. Na época, não havia conforto algum no aeroporto. Os passageiros que esperavam horas por alguma conexão tinham que se acomodar em bancos desconfortáveis.
Enfim, chega o Santos e Arruda se aproxima de um Pelé cansado de muitas horas de viagem. Não lhe davam trégua, mas por algum motivo não havia mais nenhum repórter no Galeão. O jovem jornalista pede uma entrevista ao jovem atleta e ouve como resposta um não rotundo.
Malandro de boa procedência, com muitos anos de pipa e linha 10, Arruda fingiu ter ficado muito mais puto da vida do que realmente estava, mais fingidor do que o poeta. E mandou na lata:
– Eu já sabia que você ia negar, Pelé. Já tinham me alertado que você era assim mesmo, que só fala com jornalista branco. Você só não quer falar porque eu sou negro que nem você!
Pronto. Quebrou o script do Negão.
O constrangido Pelé, ou seria o Edson Arantes do Nascimento, pediu-lhe só uma horinha para dar uma relaxada e depois falaria. Foi a primeira de uma longa série de conversas que tiveram.
Somente Arruda, do Globo, e Oldemário Touguinhó, do Jornal do Brasil, foram tão próximos de Sua Majestade.
Não estranhe: Arruda é craque e um dos segredos dele é a alentada agenda. Fui testemunha disso, na Editoria de Esportes do Globo. O país inteiro procurava alguém, se não me engano o Nelson Piquet, e nada. Alguém do aquário chegou à sua mesa. Com dois telefonemas, tudo foi resolvido. Num estalar de dedos, o piloto atendeu nosso herói quando velejava no Mediterrâneo.
A coisa funcionava assim: o desportista (ô palavrinha...) surgia, aparecia o Arruda e logo se enturmava com a mãe da promessa. Por que a mãe? Bom, ele fazia mil elogios ao guri ou à menina (“Tem futuro! Tem futuro!”), deixava a madame comovida e ganhava uma amiga e fonte fiel pelo resto da vida. Quando algum craque some na poeira, e ninguém acha – nem o melhor amigo, nem a mulher, nem o empresário –, em 99% dos casos a grande saída, ensina Arruda, é fazer contato com a mãe da fera. Mãe é mãe.
Mas nem sempre foram flores. Quando começou na profissão, enfrentou problemas, alguns certamente provocados pelo racismo. Daí ter ficado feliz da vida quando o jornal o mandou entrevistar o Pelé. Foi seu primeiro encontro com o Rei.
Saiu de madrugada direto para o Galeão e ficou esperando a delegação santista, que vinha de algum país distante. Na época, não havia conforto algum no aeroporto. Os passageiros que esperavam horas por alguma conexão tinham que se acomodar em bancos desconfortáveis.
Enfim, chega o Santos e Arruda se aproxima de um Pelé cansado de muitas horas de viagem. Não lhe davam trégua, mas por algum motivo não havia mais nenhum repórter no Galeão. O jovem jornalista pede uma entrevista ao jovem atleta e ouve como resposta um não rotundo.
Malandro de boa procedência, com muitos anos de pipa e linha 10, Arruda fingiu ter ficado muito mais puto da vida do que realmente estava, mais fingidor do que o poeta. E mandou na lata:
– Eu já sabia que você ia negar, Pelé. Já tinham me alertado que você era assim mesmo, que só fala com jornalista branco. Você só não quer falar porque eu sou negro que nem você!
Pronto. Quebrou o script do Negão.
O constrangido Pelé, ou seria o Edson Arantes do Nascimento, pediu-lhe só uma horinha para dar uma relaxada e depois falaria. Foi a primeira de uma longa série de conversas que tiveram.
Somente Arruda, do Globo, e Oldemário Touguinhó, do Jornal do Brasil, foram tão próximos de Sua Majestade.



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