sexta-feira, 29 de maio de 2009

A REMINGTON VOADORA DO VELHO PARAHYBA


Bruno Cartier, ainda adolescente, queria porque queria ser jornalista. Pegou emprestados um paletó xadrez e uma gravata de bolinhas, e foi pedir emprego na Rádio Globo. Nada feito. O diretor da emissora disse que não tinha trabalho para lhe oferecer e ainda tentou demovê-lo daquela maluquice.
“Onde já se viu? Você ainda é um garoto, tem muito futuro pela frente. Vai estudar!”.
No entanto, tinhoso, marrento, aos 18 anos, em 1975, foi admitido pela Tribuna da Imprensa como... linotipista. Vivia rondando a redação e, após um ano ralando na oficina, cheio de queimaduras provocadas pelo chumbo derretido, conseguiu uma vaga na Editoria de Esportes.
Naquela editoria, Bruno conheceu um sujeito quase cego de um olho, meio capenga e com fama de brabo, Arthur Parahyba. Certo dia, o editor, que se dizia analfabeto, perguntou-lhe com quem o Botafogo ia jogar. “Acho que é com o Olaria”, respondeu Bruno, que só teve tempo de pular para desviar o esqueleto da Remington que o velho furioso arremessou-lhe aos berros:
– Aqui dentro ninguém acha porra nenhuma!!! Se não souber, apura!!! Bruno diz que nada do que aconteceu nos 30 anos seguintes teve tanta importância para sua formação profissional.

Nenhum comentário: