Já imaginou um monte de gente recebendo bilhete azul pelo viva-voz? “Não se iludam. O jornal acabou...”. O aviso prévio foi dado pelo antigo proprietário, Luiz Fernando Levy, em tom lamentoso, à redação da Gazeta Mercantil – um jornal que em 2010 completará ou completaria 90 anos de existência e, além de ter sido um farol para a economia ao longo de décadas, já teve o melhor suplemento cultural da cidade. No total são 62 jornalistas acostumados à rotina de salários atrasados e más condições de trabalho. Quando a bomba estourou, já havia até data para a última edição: 1º de junho, segunda-feira.Em assembleia na porta do jornal, nesta quarta, 27/05 (acabo de ler no site do Sindicato), os jornalistas que ainda tocam a Gazeta viram-se no meio da briga de cachorro grande entre Levy e o quebrador de empresas Nelson Tanure, este querendo devolver o jornal ao antigo dono, sob a alegação de que a dívida é alta, e se preparando para recorrer da penhora de suas ações na Intelig, determinada pela Justiça em São Paulo. O dinheiro servirá ou serviria para pagar R$ 200 milhões em dívidas trabalhistas.
O mais estranho é que o empresário, queixoso de dívidas, pegou o jornal exatamente porque estava falindo. Orgulha-se desse tipo de tacada no mundo dos negócios – deve ser divertido, tipo esporte radical. O que a gente imagina quando alguém assume o controle de uma empresa deficitária é que tentará salvá-la, mas o negócio dos quebradores de empresas consiste, exatamente, em quebrá-las. “Onde estão os problemas é que estão as grandes chances”, é a frase preferida do Murdoch dos trópicos.
Nas postagens abaixo, histórias do tempo em que dona Olivetti mandava no JB e seu Remington era o cara no Globo, ou vice-versa.



2 comentários:
Se a catingoria se mobilizar. Um pouquinho. Com sindicato e ABI. Com outros sindicatos (radialistas, gráficos e etc), a gente conseguiria, na Justiça, o direito ao título de um jornal como a Gazeta. Sob qual a alegação? Direito ao trabalho!. Há uma lei que garante ao trabalhador o direito ao exercício profissional que é muito usada por executivos bacanas quando contratados por empresas concorrentes e postos na geladeira. Lembro que o Roberto Talma alegou isso à Justiça para rescindir seu contrato de cinco anos com o SBT. Penso que numa mão inversa, quando o trabalho é ameaçado ou encerrado, a Justiça deveria conceder o mesmo direito. Como assim? Ora, o mercado de trabalho, no objeto real que é a Gazeta, será extinto e empregos idem. Por que não conceder o direito aos trabalhadores de gerirem a empresa em favor do próprio trabalho, sustento, sobrevivência? O custo é alto? É aí que entram os outros sindicatos. CUT, CGT e etc poderiam ser sócios em uma empreitada dessas onde nós daríamos a mão de obra (capital intelectual) e eles o investimento financeiro (por tempo limitado até que o projeto pudesse andar com as próprias pernas e pudessemos, conforme fosse acordado, ressarcir o investimento). Ou ainda fazer parceria prolongada preservando aquilo que dá arrepio quando falamos - ïsenção. Fazemos parte de um corpo profissional que pensa, mas que tem optado por andar a reboque. Quando não cooptado.Temos, no legislativo e acredito que até no Executivo, pessoas que apoiariam a idéia. Vamos levar o projeto demoníaco à frente? Acho que num mercado dividido entre os grupos atuais e Tanure, temos pouco a perder.
Saudações alvinegras
Murdoch do trópicos é desses rótulos que mereciam estar presentes na sepultura do indivíduo.
Abraços, malandro.
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