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segunda-feira, 12 de julho de 2010

A HUMANIDADE É INVIÁVEL?

Os crimes da minha infância eram poucos. Crimes violentos? A gente levava anos para saber de algum. O caso da Fera da Penha, que matou uma criança, filha de seu amante (ou amásio, como diziam a “Luta Democrática” e “A Notícia”), foi assunto durante décadas.
O assassinato de Aída Cury, estuprada e lançada do alto de um prédio na Zona Sul, assombrou muita gente, porém menos que o caso da menininha morta pela mulher rejeitada.
O maior bandido da minha infância, Mineirinho, era um pobre coitado. Ganhou fama por causa do calibre de sua arma, uma 45, mas não por maldades gratuitas. Assaltava casais na Vista Chinesa, levava o dinheiro e o Fusca, mas os namoradinhos saíam ilesos. Cara de Cavalo ganhou destaque por ter matado o policial mais temido do Rio de Janeiro. Foi morto com cento e tantos tiros.
Uma vez, no Globo, contribuí para uma matéria, em parceria com Antônio Werneck, que tinha como título “De Mineirinho a Uê, os inimigos públicos nº 1 do Rio de Janeiro”. A coisa realmente foi piorando a partir dos anos 80.
A Fera da Penha cometeu seu crime bárbaro no início dos anos 60. Antes dela, o símbolo maior da crueldade em terras cariocas foi um doente mental chamado Febrônio Índio do Brasil, que 40 anos antes, na década de 1920, estrangulava adolescentes que resistiam a suas investidas homossexuais.
Amantes desalmadas, tarados enfurecidos, playboys drogados eram as referências que tínhamos de criminosos sádicos. Pais não matavam filhos, crianças não matavam pais, ídolos davam bons exemplos. Não sou, como canta Paulo César Pinheiro, do tempo das armas.
E a gente levava anos para saber de alguma crueldade. O intervalo caiu bastante, no Brasil e no mundo. Os casos de Daniela Perez e Isabella Nardoni foram apenas dois entre muitos. Ainda estupefatos (não existe outra palavra que diga tanto sobre a reação a esse tipo de coisa) com o caso Bruno, leio hoje no G1 que uma adolescente brasileira de 15 anos é suspeita de ter incinerado os pais e a irmã na cidade de Takarazuka, no Japão.
Lembro de um tempo, em minha segunda temporada no Jornal do Brasil, início dos anos 90, em que era responsável por certa página da Editoria Nacional que, volta e meia, respingava sangue. Um dia, na reunião de pauta da tarde, quando chegou minha vez de enumerar os assuntos do dia, o editor Orivaldo Perin tascou:
– E aí? Qual é a de hoje na página “A humanidade é inviável”?

terça-feira, 8 de junho de 2010

O QUE TEM ASSENTO MAS NÃO TEM ACENTO

Quem acompanha este blog sabe que o QUEM É VIVO SEMPRE APARECE é aberto a comentários, inclusive anônimos, desde que o autor da mensagem não perca a mão, não exagere na dose.
Criado por uma pacata senhora que veio do Minho e chegou ao Rio de Janeiro, mais precisamente ao bairro da Abolição, ali perto da subida do Morro do Urubu, devidamente municiada com um estoque de palavrões maravilhosos, não me incomodo com o linguajar chulo. Aprendi quando criança e tudo o que a gente aprende cedo, em geral gosta.
Os palavrões, em geral, são lindos. Sou fã deles e domino razoavelmente o idioma. Guardo comigo até uma edição do dicionário do Mário Souto Maior, que teria o dobro de tamanho se o Souto tivesse conhecido minha vó.
Palavrões, em geral, são bem recebidos aqui, quando bem aplicados e destituídos de intenção ofensiva. No entanto, se tem uma coisa que detesto é gente que me manda “tomar no cú” com acento agudo. Bocas sujas, aprendam: cu não tem acento, tem assento, porra! Além de terminar em u, é oxítona! Seja desbocado, mas não seja burro, caceta!
Digo isso para explicar que hoje, excepcionalmente, tendo em vista que passarei o dia longe de computadores, vou deixar a área de comentários sujeita a moderação. Ou seja, quem quiser escrever aqui pro blog, por qualquer motivo, inclusive para me xingar, não verá o comentário publicado imediatamente.
E faço isso porque, logo cedo, dei de cara com dois comentários desse teor. Me mandaram para lugares absurdos e até sugeriram, numa dessas mensagens, que o blogueiro fornicasse com um homem-bomba.
Tá me estranhando, meu chapa? Tá me estranhando, minha senhora? Mulher-bomba ainda vá lá, desde que o segundo termo da palavra composta não se refira aos atributos de beleza da dita cuja.
Falando em burrice, os autores dos dois comentários assim se manifestaram porque não entenderam (ou não quiseram entender) que este blog é a favor do Estado de Israel, e justamente por isso é contra seus atuais dignitários, radicais de direita, asnos de antolhos que fazem o jogo dos antissemitas (e não dos anti-semitas, como disse o autor de outra mensagem anônima, ainda por fora da mudança ortográfica) que querem o fim desse país que nasceu do idealismo de Ben Gurion e hoje em dia é ameaçado pelas besteiras do Netanyahu.
Era o que eu tinha a dizer. Bom dia para todos, menos para vocês que adoram botar acento agudo em cu!
No vídeo, o inimitável Jorge Veiga canta “Orora analfabeta”, de Gordurinha e Nascimento Gomes.

domingo, 6 de junho de 2010

A MERCEARIA PARAOPEBA E O CAPITALISMO DE TOSTÃO


Que beleza este minidocumentário, “Um armazém das antigas”, que recebi do meu chapa Paulo Romeu. Foi colocado no Youtube e veio de mão em mão. A sinopse abaixo é de José de Souza Martins:
“O autor do documentário fez uma verdadeira descoberta arqueológica: a dinâmica sobrevivência do que o antropólogo americano Sol Tax conceituou, no início dos anos 1950, como penny capitalism (capitalismo do tostão). Este documentário mostra a persistência de técnicas antigas de comercialização de produtos no varejo, especialmente produtos agrícolas. São técnicas que combinam compra e venda sem descartar o mero escambo, a mera troca de produto por produto, numa relação comercial baseada na confiança e no crédito de boca.
A Mercearia Paraopeba existe há quatro gerações, na Rua João Pessoa 110, em Itabirito (MG). Esse capitalismo do tostão, entre os antigos, representava a coexistência entre o comércio potencialmente desumanizador e a mentalidade comunitária da cultura de vizinhança, que resistiu e resiste ainda à coisificação e à desumanização da pessoa, próprias da sociedade cujas relações típicas e dominantes são sociologicamente determinadas pela impessoalidade do lucro, que reduz o outro a mero instrumento do ganho”.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O PIOR SENTIMENTO É A PENA. PALAVRA DE MENDIGO

“O pior sentimento é a pena. A pena destrói qualquer ser humano. Quer acabar com uma pessoa, tenha pena dela”.
Quem fala assim não é nenhum autor de livro de auto-ajuda. É um ex-mendigo que conheci ontem. Chama-se Alamir, não sei o sobrenome.
Foi mendigo durante mais de cinco anos. Perguntei-lhe o que o levou a viver na rua, ao relento, expondo-se às noites frias de inverno.
Quando era garoto, consertava cadeiras de vime em um ponto qualquer da Rio-Petrópolis para ajudar a avó. Quando ela morreu, ficou deprimido e foi viver de esmolas.
Encontrei o Alamir na quarta-feira passada, quando estava papeando com o jornaleiro aqui perto de casa. Franco, o jornaleiro, foi um dos responsáveis pela mudança na vida do Alamir. Emprestou-lhe dinheiro, certa vez, há uns 15 anos, para que comprasse material para voltar a trabalhar com vime nas calçadas de Icaraí.
Alamir é inteligente como o diabo, apesar de semialfabetizado. Contou-me um monte de coisas que eu não sabia sobre os moradores de rua. Aliás, ele detesta o termo morador de rua.
“O certo”, diz, “é mendigo mesmo. O resto é demagogia”.
Como alguém vira mendigo? Ele garante que todos que entraram nessa vida o fizeram por opção.
“Não existe isso de o cara virar mendigo por falta de dinheiro, perda de emprego ou porque foi traído pela mulher. Mendigo é como chamam esse cara, mas ele se considera um sujeito normal. Se o problema é endereço, ele também tem. Só vive se mudando. Sabe por que mendigo muda? Para não ser visto por quem o conhecia antes de ser mendigo. Se aparece algum conhecido ou alguém da família, ele troca de bairro”.
E como alguém assim deixa de ser mendigo? Por acaso, porque estava na hora de mudar de vida. No dia 7 de setembro de 1985, Alamir estava sentado num meio-fio, como sempre, mas como ia ter parada estudantil no Centro de Niterói, alguém o expulsou do local, para não atrapalhar as evoluções da garotada.
Apareceu um senhor do nada e perguntou-lhe se topava ajudá-lo a fazer um jardim. No dia seguinte, Alamir lá estava na casa do velho. Ralou um dia, dois, e no terceiro ele mesmo resolveu tomar o primeiro banho em semanas. O dono da casa não o forçou a nada. No quarto dia, perguntou se ele queria trocar de roupa. E deu-lhe calça e camisa novas.
“Mendigo não gosta de ouvir conselhos, não gosta quando outro tenta lhe impor alguma coisa. Ele vive um processo que tem a ver com a depressão. Alguns morrem mendigos, outros voltam a lutar pela vida. Outra coisa: mendigo não passa fome. Sempre tem alguém que o ajuda. Sempre tem alguém com pena dele. A pena é pior de que todos os pecados capitais juntos”.
Numa ocasião, recém-saído da mendicância, mas ainda vivendo nas ruas – no caso, aí sim, por falta de dinheiro para pagar um aluguel –, estava perto de uma solenidade qualquer e um dos organizadores desse encontro queria que um “morador de rua” falasse. Alamir ficou diante do auditório, pegou o microfone e falou tudo o que pensava.
Um partido político o procurou e o lançou candidato a vereador. Teve pouco mais de 300 votos. Mudou de partido depois da eleição e chegou a concorrer novamente a vereador e, uma vez, a deputado estadual, agora pelo PC do B, com o nome de Alamir do Vime.
Anda com uma foto dele abraçado com o ministro dos Esportes, Orlando Silva. Acredita no PC do B, mas sabe que existem outras formas de fazer política. A que ele prefere não dá votos porque o negócio do Alamir é ajudar mendigo a se reabilitar.
Encerra o papo me dando um número de telefone. E me pede que, se encontrar nas ruas de Niterói um mendigo em dificuldades, precisando de socorro, dê esse número a ele. Outras pessoas não interessam.
Posso ser meio crédulo, mas se o Alamir estivesse interessado em votos, não se preocupava com mendigos. Mendigo não vota. E se despede parafraseando Karl Marx, acho que sem saber:
“Não tenho vergonha de falar sobre o que eu era. Quem esquece o passado está condenado a repetir tudo”.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

BIRA DA VILA E O CANTO DA BAIXADA FLUMINENSE



Bira da Vila é daquelas figuras que imediatamente estabelecem empatia com Deus e o mundo. Tem mais: é um compositor enraizado em sua Baixada Fluminense, pois sua Vila não é a Isabel do Noel e nem a Vila da Penha de seu querido amigo e parceiro Luiz Carlos da Vila. Bira é da Vila São Luís, no primeiro distrito de Duque de Caxias.
Pesquisador da história musical da região onde nasceu e vive, o Bira é também um cara tinhoso que resolveu fazer um CD importante. Não apenas mais um CD de samba, mas um documento sonoro para registrar, além dos sambas que fez com Luiz Carlos da Vila e Serginho Meriti, entre outros, outras canções bem mais antigas de compositores como Cabana, Osório Lima, João da Paz, Toninho Barros, Jairo Bráulio e Anésio. E assim nasceu “O canto da Baixada”.
Nessa pesquisa, ele teve até orientador: o radialista Adelzon Alves, um profundo conhecedor da matéria e responsável durante décadas por um programa que fez a cabeça de muita gente que até então não ligava muito para esse que é o ritmo brasileiro mais conhecido no mundo.
Em 2002, em parceria com Riko Dorilêo, Bira compôs Ventos da liberdade, uma música tocada todos os dias nas rádios do país. Que país? Angola, onde esta canção é considerada quase um hino de libertação. “Então leva”, gravada por Zeca Pagodinho, e “O daqui, o dali e o de lá”, que na faixa do CD do Bira tem a participação de Beth Carvalho, foram outros sucessos mais recentes.
Depois de dois ou três anos atrás de patrocínio, Bira enfim está lançando “O canto da Baixada”. Vai ser na terça-feira, dia 8 de junho, a partir das 19h, no anfiteatro do Clube de Engenharia, que fica na Avenida Rio Branco 124/25º andar, Centro do Rio.
Mas não espere tanto para pegar seu disco e o ingresso para o show: já estão à venda na Livraria Folha Seca, na Rua do Ouvidor nº 37, naquele pedacinho que fica entre a Primeiro de Março e a Travessa do Comércio, bem próximo à Praça 15. Por 30 pratas, você leva o ingresso e o CD, e prestigia esse projeto 100% independente, porque o dinheiro – aqui ó! – não saiu até hoje e o Bira precisa da grana para garantir a galinhada que prepara pessoalmente, sempre chamando os amigos, na Vila que lhe deu o sobrenome.

OMAR SERRANO, MEU CHAPA, SÓ HOJE FIQUEI SABENDO

Em 11 de maio, morreu Omar Serrano, fundador em Niterói de um partido que se dizia diferente, mas não era (embora outros bem piores também continuem por aí), e além disso, um dos pioneiros e figura carimbada do Candongueiro, a casa de Pendotiba que faz história no samba. A última vez que o vi foi na terça-feira do último carnaval, quando, mesmo não se sentindo bem, fez questão de comparecer ao desfile do Cordão Agoniza Mas Não Morre, que Ilton e Hilda Mendes, organizam todo ano e que terminou com uma inesquecível roda de samba na pracinha de São Domingos. Perco a conta de quantas vezes o vi, feliz da vida, sambando com as “criaturas” (assim ele se referia ao sexo oposto). Quantas vezes, quando chegava, era saudado pelos amigos sacanas com os versos de um samba-enredo: "Omaaaar, misterioooso Omaaar". Só hoje é que eu soube da má notícia. Em homenagem ao Omar, um samba que ele adorava, de seu amigo Wilson Moreira, em parceria com Nei Lopes.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

SOLUÇÕES DA UNIVERSAL PARA A CRISE MUNDIAL

Não tem mané Chicago nem mané Cepal. Harvard? Jardim de infância! Adam Smith, David Ricardo, Galbraith, Samuelson, Paul Krugman, Myrdal, Friedman, Celso Furtado, Meireles, Simonsen – esses caras não estão com nada, malandro! Quem entende de dindim no buraco de pano é o pessoal que organiza os investimentos no altar da Universal. Ninguém segura: Prêmio Nobel de Economia já para o bispo Everaldo. Alô PUC, alô USP, alô Unicamp! Contratem logo o Ministro da Fazenda da IURD.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O VEREADOR RUIM DE PROJETO E "BOM" DE PORRADA

A figura em questão exerce as funções de vereador na cidade onde vivo. Como quase todos os colegas dele na Câmara Municipal - com raríssimas exceções - não trabalha para a coletividade. O negócio dele (deles) é atuar no campo do clientelismo. O salário é pago pelo povo de Niterói, começando pelos vizinhos e pelo mais humilde dos envolvidos no fuzuê, o porteiro do prédio, surrado por ele e pelos seguranças particulares do político. Estes, por sua vez, nem zelam por segurança alguma e, apesar de "particulares", são pagos direta ou indiretamente com dinheiro público. Quem reclamou do barulho da festa depois do horário de silêncio - que em muitos bairros de Niterói é uma ficção - foi destratado e agredido. As câmeras de vigilância captaram tudo e o vídeo foi parar no telejornal. Mas, como sou pessimista, ou melhor realista, aposto: querem ver só como a figura é capaz de se reeleger? Um motivo: do bairro do Ingá, seu reduto eleitoral, com o "apoio" dele, saem nos dias de jogos ônibus lotados de torcedores do Flamengo, do Vasco, do Botafogo e do Fluminense. E sempre tem um churrasco 0800, uma cervejada, uma festa na rua e coisa e tal, para amarrar esse tipo de eleitor que, infelizmente, ainda existe em Niterói e em muitas e muitas cidades brasileiras.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O TRADUTOR DE SURDOS-MUDOS DE MOÇAMBIQUE


O tradutor pode ser um traidor, como dizem os italianos ("tradutori, traditori"). Se tem uma coisa que eu não suporto são as legendas para surdos-mudos nos canais da TV aberta. A ideia é ótima, mas as legendas às vezes são um amontoado de bobagens. Ou seja, nem agradam aos deficientes auditivos nem aos que ouvintes. E a gente ainda fica sem saber quem está falando, de onde está falando. Mas esse tradutor que a Frente de Libertação Nacional de Moçambique arranjou para esculachar com os corruptos, com a prostituição e com os maconheiros (surumáticos), esse cara é genial. O vídeo foi enviado por meu chapa Eduardo Varela.

sábado, 8 de maio de 2010

LESÃO CORPORAL LEVE, DE ACORDO COM O IML

Esta é a imagem de uma "lesão corporal leve", de acordo com o laudo da perícia do IML-RJ. A vítima, uma criança de dois anos de idade, continua internada e pode ter que precisar de acompanhamento psicológico durante boa parte de sua vida. Quem sabe, em breve, esta imagem será utilizada, em nossas faculdades de medicina, para ilustrar as aulas dos futuros legistas e peritos. Quem é capaz de inflingir tortura a alguém, ainda mais a um bebê, deve passar o resto da vida na cadeia, não é mesmo? De preferência, na solitária.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A BRUXA E SEU CAPACHO QUE EMITE LAUDOS MENTIROSOS

A procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, suspeita de maltratar – ou pior, torturar – a menina de dois anos que estava em sua casa, prestes a ser adotada, não agiu sozinha nesse caso escabroso. O perito responsável pela “informação”, no exame de corpo de delito, de que o bebê fora vítima de “lesão corporal leve”, no mínimo deveria perder o emprego, seja por negligência, incompetência, conivência, omissão ou covardia. Seja qual for o motivo de seu exame mal feito e do laudo mentiroso que produziu, ele atuou como vampiro capacho da bruxa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

É O FIM DO CAMINHO?


Diz com sinceridade: encararias seguir adiante nesta estrada? A imagem, claro, é de uma rodovia da Islândia rumo ao Eyjafjallajok, que com sua erupção e respectivo fumacê congestionou o tráfego aéreo internacional por ter nublado todo o céu da Europa durante alguns dias, no mês passado. O que espera o pacato motorista em seu possante, dois ou três quilômetros adiante, indo de encontro ao tal vulcão que, em islandês, deve significar algo como morada do capeta? O que é que tem mais adiante nesse fim de mundo? Área de risco é pinto perto disso e, apesar de tudo, um monte de malucos continuou morando no pé do Eyjafjallajok. Tinha até birosca funcionando - afinal, como diz o filósofo Lauro Afonso Faria, "também com esse calor, fazer o quê?". Não é só no Rio ou em Niterói que é difícil convencer morador de área de risco a sair de seu barraco para não morrer soterrado. No som, copiando a trilha sonora do atento Chico Aguiar, The Platters.

domingo, 28 de março de 2010

JOSÉ E BEATRIZ NA SÃO PAULO NOS ANOS 50


Na virada dos anos 40/50, José em nada lembrava mais o jovem pistoleiro de Maceió. Tinha duas imobiliárias, carro americano do ano, uma bela casa e dois filhos. O romance com Beatriz, com quem se casara, agora tinha como cenário a São Paulo que crescia desordenadamente. Ele, galante. Ela, encantada. As fotos posadas, compradas de lambe-lambes, contam os últimos momentos felizes do casal na cidade louca que logo completaria seu quarto centenário, no mesmo ano da separação. Ponto final.

sexta-feira, 26 de março de 2010

JOSÉ E BEATRIZ, ATÉ O DIA EM QUE PARAR O CORAÇÃO


JOSÉ, alagoano nascido em 1917, tinha menos de 10 anos quando os pais foram assassinados, supostamente pela família da própria mãe, Francisca, moça de família rica de Pernambuco que não aceitou o casamento dela com o Artur, sujeito pobre de sangue indígena.
BEATRIZ, sergipana nascida em 1924, tinha pouco mais de 10 anos quando sua mãe, Mirtes, tida como louca, morreu ainda jovem, deixando seis filhos (outros quatro ou cinco morreram no parto ou crianças de colo). A loucura da mãe de Beatriz, provavelmente, não passava de histeria, mas nos anos 1930 isso não era conhecido.
Depois da matança, por ser o filho mais velho, JOSÉ teve que fugir de São Miguel dos Campos e foi parar na casa do governador de Alagoas, que era tio dele. O governador matriculou-o numa escola agrícola e, ainda adolescente, deu-lhe o primeiro emprego, na pistolagem.
BEATRIZ teve mais sorte: Lourdes, prima de sua mãe, veio de Penedo, do outro lado do São Francisco, para criar a filharada de Mirtes, lá em Propriá, na outra margem do rio. Acabou casando com Antônio, pai de Beatriz, e foram muito felizes. Antônio era filho de um judeu holandês e de uma negra. Mirtes era filha de um português e de uma cabocla. Lourdes tocava piano e acordeon. Antônio tinha um bar que era também restaurante e salão de bilhar e bancava o jogo de roleta na cidade. Antônio era um homem pacífico e querido na cidade.
Um dia, JOSÉ matou por engano um homem rico e teve que fugir de Alagoas. Passando por Sergipe, casou com Beatriz contra a vontade de Antônio. Os dois fugiram.
Tiveram uma filha em 1945 e um filho em 1951.
No final dos anos 1940 e início da década seguinte, JOSÉ enriqueceu na construção civil, nos tempos dos prefeitos Prestes Maia e Faria Lima. Perdeu o dinheiro fazendo maus negócios.
Moravam no bairro paulistano da Aclimação. BEATRIZ sabia das amantes de José e um dia cismou que ia trabalhar. Foi aeromoça da Cruzeiro do Sul. José não concordou e em 1954 estavam separados.
Em 1960, JOSÉ votou em Jânio Quadros. BEATRIZ votou no Marechal Henrique Lott.
JOSÉ foi para Iturama, no interior de Minas, e virou sócio de uma fazenda na região do Triângulo. Quando a propriedade foi vendida em 1966, os sócios chamaram o Exército alegando que ele estava organizando uma guerrilha. Mas José era de direita, janista ferrenho, e convenceu os militares que foram prendê-lo de que tinham armado para ele.
BEATRIZ, depois da separação, veio morar no bairro de Copacabana, no Rio. Demitida pela empresa aérea, tornou-se funcionária pública federal. Para complementar o orçamento doméstico, aprendeu a costurar copiando os moldes de uma revista alemã de moda, Burda. Como levava jeito para a coisa, teve freguesas ricas, entre elas duas embaixatrizes.
JOSÉ, depois de perder o que tinha no Triângulo Mineiro, foi administrar dois latifúndios em Jussara, Goiás. Tinha uma fazendola entre as duas fazendonas. Casou pela segunda vez, com a Miriam, filha de russo com alemã, e teve um terceiro filho, no bairro de Vila Helena, hoje Moema. José entendia muito de gado. Nunca fumou e nem bebeu. Dormia às oito da noite e acordava antes das quatro. Morreu nos anos 80, quando o coração parou.
BEATRIZ não casou novamente, mas viveu alguns anos com um colega do serviço público, cuja família morava no bairro da Abolição, onde o filho do primeiro casamento foi morar com os avós postiços. Não tiveram filhos. Beatriz tinha um francês razoável e lia muito. Fumava um cigarro atrás do outro e, quando bebia, só gostava de vinho. Quando se aposentou, passava as noites em claro, pilotando a Singer de pedal. Morreu nos anos 90, também porque o coração parou.
A gente vive até o coração parar. Aprendi isso com meus pais, que estão na foto.
Na caixinha musical, o clarinete de Luiz Americano e o acordeon de Chiquinho em Intrigas no boteco do Padilha.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

BEATA LEVA UNS TABEFES PRA MODE SOSSEGÁ O FACHO



Esse padre da roça é dos bão! Estava numa boa, compenetrado, batizando o guri, e não aturou a chatice de uma beata que danou de falar alto na igreja, trapaiando tudo, sô. Ô muié chata! Inda chamou o padre de paiaço. Paiaço é tu! Seu vigário num pensou duas vêis. Tacou-lhe uns bofetes pra mode a fiel calar o bico e pará de trapaiá a sirimônia. O texto, de autoria do sacristão, está de conforme com o acordo hortográfico, quando diz que o "auto clero" se rebelou.

FURO MUNDIAL: PASTOR ENTREVISTA O CAPETA


Gay Talese não está com nada. Quero ver como é que ficam os seguidores do "novo jornalismo" (não sei por que sempre escrevem em inglês esse troço) depois da entrevista exclusiva que o Capeta concedeu a esse pastor. Não é preciso de diploma nem nada. Basta ter cara de pau e fazer um curso de teologia e marketing na seita de sua preferência. Vejam como o pastor sabe das coisas. Só faltou perguntar ao Zé Carneiro "que time é teu".

domingo, 26 de julho de 2009

ISLAMISMO ENSINA COMO BATER NAS MULHERES


Este vídeo foi indicado por meu chapa Salim Hassam Ali Aldufrayer, nome árabe adotado pelo jornalista e botafoguense Roberto Dufrayer depois de se converter ao Islã. Bob Dufra trabalhou longos anos na Rádio Jornal do Brasil AM, onde foi repórter, redator e editor até 2001, quando a emissora foi vendida para um grupo evangélico. Teve que sair porque, já naquela ocasião, professava o islamismo, sendo atuante membro de sua ala moderada. Quem fez a cabeça desse querido colega com quem trabalhei na assessoria de imprensa do MP do Rio foi Abdullah Aal Mahmud, um santo homem de Bahrein que, neste vídeo, nos trasmite as regras divinas sobre o espancamento de mulheres. Veja lá como você anda surrando sua esposa, malandro! Quem passar de determinados limites merece o castigo divino. Para não incorrer na ira de Alá, anote cuidadosamente os ensinamentos de Abdullah Aal Mahmud.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

UM HOMEM DE BEM NA MIRA DAS MILÍCIAS

O parlamentar Marcelo Freixo (na foto) e seu assessor Vinícius George estão em risco de sofrer um atentado contra suas vidas por grupos milicianos do Rio de Janeiro. Planos foram descobertos pela polícia em uma busca e apreensão de milícias em maio. Parte de uma investigação de longo prazo contra membros de grupos de milícias que tomaram o controle de mais de cem territórios pobres do Rio de Janeiro, a busca também encontrou cartas do chefe da milícia de Rio das Pedras – um bairro na Zona Oeste da cidade –, um sargento antigo da polícia militar, solicitando suporte de outro grupo miliciano para assassinar a dupla.
Ao final da operação, não foram feitos esforços para deter o chefe da milícia de Rio das Pedras que enviou o pedido para assassinar Marcelo Freixo e Vinícius George. Ainda que os dois estejam sendo providos de alguma proteção, a Anistia Internacional considera que é fundamental o imediato reforço da mesma, em conformidade com o desejo de ambos.
Marcelo Freixo e Vinícius George começaram a receber ameaças de morte em junho de 2008 quando foi instalada a CPI para investigar a expansão das milícias no Rio de Janeiro, da qual Freixo foi presidente.
A CPI foi formada por parlamentares e investigou o padrão de envolvimento de governos estaduais nas atividades ilegais das milícias antes de apresentar seu relatório final, submetido ao Parlamento do estado e ao Ministério Público para potenciais processos penais.
Há preocupação, no entanto, que as recomendações feitas pelo relatório final da CPI não tenham sido plenamente implementadas pelas autoridades municipais, estaduais e federais, especialmente aquelas destinadas à criminalização e repressão das atividades de que financiam os grupos. Isto significou a continuidade de expansão das milícias apesar da detenção de alguns de seus membros-chave.
As milícias são compostas por policiais, agentes prisionais e bombeiros afastados que expulsaram traficantes de drogas das favelas alegando oferecer segurança. No entanto, efetivamente controlam comunidades através da violência, extorquindo dinheiro para provisão de segurança bem como serviços de gás, transporte, TV a cabo entre outros. Eles são acusados de empunhar o poder político, garantindo, através de intimidação, votos a certos parlamentares. Embora existam no Rio de Janeiro há algum tempo, a súbita expansão das milícias remonta a dezembro de 2006, quando mais de 100 favelas foram dominadas por grupos milicianos.
As tentativas de investigar e denunciar o papel das milícias no Rio de Janeiro encontrou ameaças e violência, incluindo o rapto e tortura de 3 jornalistas do jornal O Dia, acompanhados de um morador em maio de 2008 e o bombardeio de uma delegacia em julho.
O crescimento dos grupos milicianos pode ser atribuído há décadas de uma política de segurança publica baseada na negligência, violação de direitos humanos e impunidade de autores, permitindo que policiais criminosos e corruptos prosperem à custa daqueles que trabalham incansavelmente para servir à comunidade.
De acordo com recentes relatórios de jornais que citam a frouxa segurança e os privilégios usufruídos por policiais mantidos em detenção no “Batalhão Especial Prisional”, unidade prisionalespecial em que agentes policiais são detidos, acentua-se ainda mais a preocupação com a segurança dos dois homens.
O relatório das investigações policiais descobriu casos de autorização para saída de agentes para ameaçar ou matar testemunhas. Investigações policiais apontaram a prisão como “um terreno de recrutamento para assassinos”. Diversos membros das milícias se encontram detidos nessa unidade.
Recomendações:Envie apelos o mais rapidamente possível, em português ou na sua própria língua;
– Assegurando que para Marcelo Freixo e Vinicius George, ambos dedicados ao enfrentamento às atividades das milícias, seja fornecida uma proteção eficaz em conformidade com os seus desejos;– Instando as autoridades a realizar rapidamente uma investigação independente e imparcial de todas as ameaças contra Marcelo Freixo e Vinicius George; e que os responsáveis sejam levados à Justiça; – Instando as autoridades a denunciar publicamente as atividades das milícias e a definir um plano conjunto, com um cronograma claro, para implementar todas as recomendações da CPI para combater a propagação das milícias e do crime organizado;
– Solicitando que sejam dados passos eficazes para trazer à justiça os líderes e os membros das milícias;
– Instando as autoridades a tomar medidas imediatas para investigar o Batalhão Especial Prisional, e que as autoridades envolvidas nas atividades criminosas sejam levadas à Justiça.
Recebi essa mensagem e a transcrevo integralmente porque concordo com a urgência na tomada de providências que garantam a integridade de Freixo e Vinicius, bem como a continuidade do trabalho que fazem.
Os demais interessados devem usar os meios a seu dispor para divulgar esses fatos e destinar mensagens com esse teor ao ministro da Justiça, Tarso Genro; ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; e ao procurador-geral de Justiça (MPRJ), Cláudio Soares Lopes.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A FEIRA DO PASSARINHO, por ROMILDO GUERRANTE

"Funciona em Maceió há quase 50 anos a chamada Feira do Passarinho, no bairro da Levada, área pobre da cidade, com índices baixos de saneamento e elevados de violência.
Conheci a feira há mais ou menos 30 anos. Voltando a Maceió na semana passada, quis saber se ainda existia. Poucos a conheciam como Feira do Passarinho, pois ao longo desses anos ela ficou mais conhecida como Feira do Rato, tal a proliferação de ladrões nos dois lados do trilho por onde passa, mais ou menos de hora em hora, um trem suburbano da CBTU, com janelas protegidas por grades para evitar que os vidros sejam quebrados a pedradas pela vizinhança da linha.
A feira é montada não só ao lado da linha, mas também SOBRE a linha, onde se instalam os sem-barraca e para onde se estendem os puxadinhos dos com-barraca.
Quando soa o apito do trem, os mascates, em ação rápida, desmontam aquilo tudo. O trem passa e, fantástico!, menos de um minuto depois está tudo reinstalado.
Fui alertado para ficar no início da feira, não me aventurar lá para os fundos, área perigosa, onde até mesmo armas de fogo são vendidas. A polícia de vez em quando faz uma blitz, mas, provavelmente avisados, os vendedores de armas desaparecem. Como somem também os vendedores de peças de veículos roubados. A feira é tão tradicional como receptadora de produtos roubados que a primeira coisa que alguém faz quando é roubado é procurar o produto do roubo lá na feira. E faz a negociação, normalmente, se encontrar. E dizer que a feira, em sua origem, era apenas uma feira de escambo, onde se trocava bicicleta por cavalo velho, eletrola por saco de milho.
Infelizmente, no dia em que fui lá (domingo passado), chovia, a luz estava péssima para fotos. Mas deu pra registrar.



Sobre o que rola quando o trem apita na curva, conta o repentista Tchello de Barros:
"...e esse trem quando apita
é um aviso pro povo
que tira a tralha do trilho
num agito pavoroso.
Mas mal o trem vai embora
lá está tudo de novo".

A feira será removida, anunciou mês passado a prefeitura local, para que possam ser feitas as obras de instalação de um sistema de bondes modernos que irão cobrir os 32km de linha, percurso pelo qual os passageiros pagam hoje R$ 0,50".


Valeu Romildo!

domingo, 24 de maio de 2009

TODO PODER EMANA DE ONDE MESMO?

Todo poder emana do povo. Nunca essa frase teve tanto impacto como no comício das diretas-já, na Candelária, pronunciada pelo advogado Sobral Pinto. Mas a verdade é que muitos ocupantes do poder se comportam como donos do povo, e não como seus empregados. É isso que esses canalhas são e ganham muito bem para ser: empregados do povo. Mas não estão nem aí. Está nos jornais de hoje: envolvido na farra das passagens aéreas e acusado de outras mutretas, o deputado Paes Landim (na foto), do PTB do Piauí, se recusou a passar sua maleta na esteira de raio X do Aeroporto de Brasília. Como duas funcionárias não o liberavam, bateu boca em altíssimo nível:
– Já não disse que sou deputado? Vão se foder, vão tomar no cu!
As moças insistiram no procedimento.
– Vocês são analfabetas! Vão tomar no cu, suas vadias!
Paes Landim faz parte de uma das maiores bancadas de nossas casas legislativas federais, estaduais e municipais, aquela que é composta de homicidas, grileiros, pitboys, representantes de traficantes, milicianos, senhores de escravos, estelionatários, ilusionistas, bêbados que atropelam e matam, donos de castelos, enfim, picaretas de todos os naipes, assim chamados, aliás, pelo homem que hoje exerce a Presidência da República.
A reforma política que há séculos nunca entra na pauta deve ter propostas melhores do que esse voto em lista que hoje se discute. O voto em lista já é uma realidade há muito tempo. O eleitor já escolhe um candidato que considera bom, mas na apuração entra um pilantra do mesmo partido, que compra votos e consciências, e isso não só no interior.
Talvez espalhar ouvidores ou ombudsmen em todas as instâncias de poder. Só não podem ser eleitos pelo voto popular, pois do jeito que a maioria vota, a coisa ia virar cabide de emprego para novos pilantras. Melhor: seriam indicados por um Conselho da Cidadania formado por representantes de instituições como OAB, Conselhos Nacionais da Justiça e do Ministério Público, ABI, etc. Já existe essa idéia? Se existe, eu não sabia.
Um ouvidor na Câmara, outro no Senado, mais outro no STF, claro que também na Presidência da República, em cada governo estadual, em cada assembléia legislativa, prefeitura e câmara municipal, em cada tribunal de Justiça dos estados. Garanto que seria menos oneroso do que aumentar as câmaras de vereadores - proposta indecente que volta e meia ressurge.
Pode ser uma idéia ingênua, acho até que é coisa de otário, pois os otários, como nós, é que sofremos na mão desses cafajestes. No entanto, quem sabe assim teríamos pelo menos a ilusão de que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido?