terça-feira, 5 de maio de 2009

FINGE QUE NÃO É AQUILO QUE PENSO DE VOCÊ


Os fotógrafos da Velha Província eram um barato, né mesmo Emmanuel?
"Manuel da Paixão Coutinho da Fonseca. Enunciado assim, como no trágico e indesejável formulário do Imposto de Renda, poucos identificarão o velho e bom fotógrafo Fonseca, o Fonsequinha, que por mais de 50 anos perambulou de Roleiflex em punho pelas missas de formatura e solenidades oficiais do governo.
Nos últimos anos, acossado pelo farniente da aposentadoria e pela dor da perda da mulher, batia às nove da manhã na redação de O Fluminense e ficava me esperando para o interminável papo, regado a intermináveis vermutes. Adeus trabalho.
Pois do Fonsequinha também existe uma história célebre. Eu não presenciei, nem era nascido, mas o fato não merece cair no esquecimento.
Foi em 1943, inauguração das novas instalações do Instituto Vital Brazil. O presidente Getúlio Vargas chega a Niterói acompanhado de uma montoeira de ministros, a fim de prestigiar o cientista. O genro Amaral Peixoto o recebe e onde ia o Amaral ia o Fonsequinha, com suas máquinas e flashes.
Por essa ou aquela, o Gustavo Capanema, ministro da Educação e Cultura, estava naquele dia de mau humor. Fonseca fotografa daqui, fotografa dali, e o homem sempre com a cara emburrada. Não suportando mais aquilo - cara emburrada era péssimo para foto oficial -, Fonseca não se conteve e partiu direto para Capanema:
- Ô, senhor ministro! Faça uma expressão inteligente!"

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