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quarta-feira, 9 de junho de 2010

EM BUSCA DA PROSA PERDIDA: É BOM E BARATO!

Pensando no que foi escrito logo abaixo, uma ótima dica para o pessoal que insiste em tropeçar no idioma, inclusive os babacas anônimos que perdem seu tempo mandando o editor, redator, gerente de futebol e presidente de ala desse blog “tomar no cú” (com acento agudo!): o QUEM É VIVO SEMPRE APARECE recomenda o curso on line Em Busca da Prosa Perdida, ministrado pelo escritor e professor Antônio Fernando Borges.
Meu chapa Antônio Fernando é um cara brilhante que fez muito bem em largar a vida de jornalista, autor de “Brás, Quincas & Cia.” (Companhia das Letras), “Memorial de Buenos Aires” (Companhia das Letras) e do premiado “Que Fim Levou Brodie?” (Record, Prêmio Nestlé de Literatura 1997), além de centenas de outros textos publicados no Brasil e em outros países.
E o curso é maneiríssimo: você assiste as aulas dele ao vivo, pela internet, todas as quartas-feiras, às 19h30m, e interage com o mestre. O interessado também pode fazer o download das aulas e assistir quando e onde quiser. O preço do módulo de 12 aulas é pra lá de módico: 100 pratas. Entre no site http://www.artedaescrita.com/ e pare de enfiar a porrada na última flor do Lácio!
Não é preciso ser um asno como os palhaços que tratam a língua portuguesa do mesmo jeito que Israel está fazendo com o povo da Faixa de Gaza. Até você que se comunica razoavelmente bem na sexta língua mais falada do mundo vai ganhar inscrevendo-se no curso Em Busca da Prosa Perdida.
Já para você que quer aprender inglês, espanhol, francês, mandarim e árabe, recomendo outra instituição, que meu chapa Fernando Szegeri batizou de Instituto Joel Santana de Idiomas. Mas isso é só uma piada com o querido treinador (espero que eterno) do meu time. O curso sério é o do Antônio Fernando Borges.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O QUE TEM ASSENTO MAS NÃO TEM ACENTO

Quem acompanha este blog sabe que o QUEM É VIVO SEMPRE APARECE é aberto a comentários, inclusive anônimos, desde que o autor da mensagem não perca a mão, não exagere na dose.
Criado por uma pacata senhora que veio do Minho e chegou ao Rio de Janeiro, mais precisamente ao bairro da Abolição, ali perto da subida do Morro do Urubu, devidamente municiada com um estoque de palavrões maravilhosos, não me incomodo com o linguajar chulo. Aprendi quando criança e tudo o que a gente aprende cedo, em geral gosta.
Os palavrões, em geral, são lindos. Sou fã deles e domino razoavelmente o idioma. Guardo comigo até uma edição do dicionário do Mário Souto Maior, que teria o dobro de tamanho se o Souto tivesse conhecido minha vó.
Palavrões, em geral, são bem recebidos aqui, quando bem aplicados e destituídos de intenção ofensiva. No entanto, se tem uma coisa que detesto é gente que me manda “tomar no cú” com acento agudo. Bocas sujas, aprendam: cu não tem acento, tem assento, porra! Além de terminar em u, é oxítona! Seja desbocado, mas não seja burro, caceta!
Digo isso para explicar que hoje, excepcionalmente, tendo em vista que passarei o dia longe de computadores, vou deixar a área de comentários sujeita a moderação. Ou seja, quem quiser escrever aqui pro blog, por qualquer motivo, inclusive para me xingar, não verá o comentário publicado imediatamente.
E faço isso porque, logo cedo, dei de cara com dois comentários desse teor. Me mandaram para lugares absurdos e até sugeriram, numa dessas mensagens, que o blogueiro fornicasse com um homem-bomba.
Tá me estranhando, meu chapa? Tá me estranhando, minha senhora? Mulher-bomba ainda vá lá, desde que o segundo termo da palavra composta não se refira aos atributos de beleza da dita cuja.
Falando em burrice, os autores dos dois comentários assim se manifestaram porque não entenderam (ou não quiseram entender) que este blog é a favor do Estado de Israel, e justamente por isso é contra seus atuais dignitários, radicais de direita, asnos de antolhos que fazem o jogo dos antissemitas (e não dos anti-semitas, como disse o autor de outra mensagem anônima, ainda por fora da mudança ortográfica) que querem o fim desse país que nasceu do idealismo de Ben Gurion e hoje em dia é ameaçado pelas besteiras do Netanyahu.
Era o que eu tinha a dizer. Bom dia para todos, menos para vocês que adoram botar acento agudo em cu!
No vídeo, o inimitável Jorge Veiga canta “Orora analfabeta”, de Gordurinha e Nascimento Gomes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

UM PAÍS PODE COMETER SUICÍDIO?

O fato é que, lamentavelmente, o país criado por Ben Gurion - e por outros heróis judeus que tentaram encontrar um lugar de paz para instalar seu povo perseguido - está sendo levado ao suicídio pela extrema-direita de Benjamin Netanyahu. Leiam as postagens abaixo.

LEBENSRAUM, A BUSCA DO ESPAÇO VITAL, O RETORNO!!!

Coisas inacreditáveis que só na internet mesmo! Há algumas semanas entrei numa lista para festejar os 40 anos de determinado grupo político que atuou clandestinamente durante o regime militar. O pessoal estava organizando uma festa e meu chapa Nilo lembrou a um dos organizadores para me acrescentar, uma vez que também fiz parte daquela rapaziada.
Foi nessa lista que tive acesso a um email, publicado apenas em parte na edição de hoje do Globo, de
uma médica brasileira, hoje militar israelense, contando sua versão do episódio condenado com veemência em todo o mundo: o caso da flotilha que tentou levar ajuda humanitária aos palestinos que estão passando dificuldades na Faixa de Gaza lembra muito certos tiroteios nos morros do Rio. Só morreu gente de um lado, mas a versão oficial diz que as vítimas é que tinham culpa, não deviam estar onde estavam.
Num dado momento, ela se queixa de que os manifestantes e tripulantes feridos “resistiram ao tratamento de médicos israelenses: Um deles cuspiu no nosso cirurgião. Outro deu um soco na enfermeira que tentava medicá-lo”.
Mais adiante, ela conta que o navio estava “lotado de armas brancas e material para confecção de bombas caseiras”.
E, logo a seguir, que os soldados de Israel “foram gratuitamente atacados, tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados”.
E a explicação para a carnificina: “Morreram aqueles que tentaram matar os soldados, aqueles que não eram civis pacifistas, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo”.
Além desse depoimento, recebemos também na lista mais material destinado a corroborar a versão de que os pobres soldados israelenses, coitados, foram obrigados a passar o cerol naqueles sádicos que queriam levar comida, roupas e apoio à população de Gaza. Ah! E também a newsletter das Forças Armadas de Israel (!!!) e uns vídeos do Youtube mostrando o momento do “embarque” (na verdade, invasão) dos militares israelenses no navio turco Mavi Marmara, que fazia parte da flotilha.
O primeiro soldado que desceu, evidentemente, já que se tratava de uma invasão, foi cercado pelos encarregados da segurança do navio, que meteram a porrada no invasor (Queriam o quê? Que no navio estivessem somente os ativistas magrinhos, míopes e dentuços? Um comboio mesmo de paz precisa de uma zaga com lúcios, máicons e juans, até para o caso de surgirem piratas tentando abordá-lo).
Como é que alguém ferido pode reagir a algum tipo de assistência médica? Pode sim, se os médicos e paramédicos chegaram juntos e acumpliciados com os caras que invadiram seu navio e mataram nove amigos seus.
O que é ser gratuitamente atacado? Imagine um soldado israelense fortão, armado e bom lutador de krav magá abordando o navio de uma flotilha pacífica, cheio de más intenções. O que o pessoal a bordo devia fazer? Ajoelhar-se diante do bruto ou, se tiver condições disso, reagir a um ato de estupidez?
“Morreram aqueles que tentaram matar os soldados”. Hahahaha! Esse argumento seria impagável se o assunto não fosse tão sério.
O que é um navio “lotado de armas brancas”? O que significa exatamente a expressão “material para confecção de bombas caseiras”?
Garfos, chaves de fenda, faca para limpar peixe, tudo isso pode ser considerado arma branca. Material para confecção de bombas caseiras pode ser qualquer coisa. Num jardim de infância ou numa loja de brinquedos deve ter algo que ajude a fazer uma bomba caseira.
A íntegra do email que chegou ao Globo e a outros jornais, enviado pela médica paulista A.L.T., diz o seguinte:
“Oi a todos!!
Primeiro quero agradecer a todos os e-mails preocupados. Eu estou bem, ótima. Eu peço desculpas por não escrever mais frequentemente, mas no exército é assim. Não temos tempo para nada.
Sei que todos já estão cansados de ouvir falar do que aconteceu em Gaza nesta semana, mas como ouvi muitas asneiras por aí, resolvi contar a vocês a minha versão da história. Eu não quero que pensem que virei alguma ativista ou algo do gênero. Eu continuo a mesma A. de sempre. Mas por ter feito parte desse episódio, não posso me abster de falar a verdade dos fatos.
EU ESTAVA LÁ! NINGUÉM ME CONTOU. NÃO LI NO JORNAL. NÃO VI FOTOS NA INTERNET OU VÍDEOS NO YOUTUBE. VI TUDO COMO FOI MESMO, AO VIVO E COM MUITAS CORES.
Como vocês sabem, eu estou servindo com médica na medicina de emergência do exército de Israel, departamento de trauma. Isso significa: medicina em campo.
4:30h da manhã de segunda-feira: meu telefone do exército começa a tocar. Possíveis conflitos em Gaza? Pedido de ajuda da força médica, garantir que não faltarão médicos. Minha ordem: aprontar-me rapidamente e pegar suprimentos, o helicóptero virá me buscar na base.
No caminho, me explicam a situação. Há um navio da ONU tentando furar a barreira em Gaza. Li todos os registros fornecidos pela Inteligência do exército (até para entender o tamanho da situação). O navio se aproximou da costa a caminho de Gaza. O acordo entre Israel e a ONU diz que TODOS os barcos devem ser inspecionados no porto de Ashdod em Israel e todos os suprimentos devem ser transportados pelo NOSSO exército a Gaza. Isso porque AINDA HOJE, cerca de 14 mísseis t~em sido lançados de Gaza contra Israel diariamente. E não podemos permitir que mais armamento e material para construção de bombas seja enviado ao Hamas, grupo terrorista que controla Gaza. Dessa forma, evitamos uma nova guerra. Ao menos por agora.
O navio se recusou a parar. Disseram que eles mesmo entregariam a carga a Gaza.
Assim, diante de um navio com 95% de civis inocentes (os outros 5% são ativistas de grupos terroristas aliados ao Hamas, que tramaram toda essa confusão), Israel decidiu oferecer aos comandantes do navio que parassem para inspeção em alto mar. Mandaríamos soldados para inspecionar o navio e, se não houvesse armamento, ele poderia seguir rumo a Gaza. ESSA FOI UMA ATITUDE EXTREMAMENTE PACIFISTA DO NOSSO EXÉRCITO, EM RESPEITO AOS CIVIS QUE ESTAVAM NO NAVIO. E, SE NÃO HÁ ARMAMENTO NO NAVIO, QUAL O PROBLEMA DE QUE ELE SEJA INSPECIONADO?
Os comandantes do navio concordaram com a inspeção.
5:00h - Minha chegada em Gaza. Exatamente no momento em que os soldados estavam entrando nos barcos. E FORAM GRATUITAMENTE ATACADOS: tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados. Mais soldados foram enviados, desta vez para controlar o conflito. Cerca de 50 pessoas se envolveram no conflito, 9 morreram. Morreram aqueles que tentaram matar nossos soldados, aqueles que não eram civis pacifistas da ONU, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo. Todos os demais 22 feridos entre os tripulantes do navio, foram ATENDIDOS E RESGATADOS POR NÓS, EU E MINHA EQUIPE E ENVIADOS PARA OS MELHORES HOSPITAIS EM ISRAEL.
Entre nós, 9 feridos. Tiros, facadas e espancamento. Um deles ainda está em estado gravíssimo após concussão e 6 tiros no tronco. Meninos entre 18 e 22 anos, que tinham ordem para inspecionar um navio da ONU e não ferir ninguém. E não o fizeram. Israel não disparou nem o primeiro, nem o segundo tiro. Fomos punidos por confiar no suposto pacifismo da ONU. Se soubéssemos a intenção do grupo, jamais teríamos enviados nossos jovens praticamente desarmados para dentro do navio. Ele teria sim sido atacado pelo mar. E agora todos os que ainda levantam a voz contra Israel estariam no fundo mar.
- Depois de atender os nossos soldados, me juntei a outra parte da nossa equipe que já cuidava dos tripulantes. Mesmo com braceletes dizendo MÉDICO em quatro línguas (inglês, turco, árabe e hebraico) e estetoscópios no pescoço, também a nós eles tentaram agredir. Um deles cuspiu no nosso cirurgião. Um outro deu um soco na enfermeira que tentava medicá-lo. ALÉM DE AGRESSORES, SÃO TAMBÉM INGRATOS.
Eu trabalhei por 6 horas seguidas atendendo somente tripulantes do navio. Todo o suprimento médico e ajuda foram oferecidos por Israel.
Depois do final da confusão, o navio foi finalmente inspecionado. LOTADO DE ARMAS BRANCAS E MATERIAL PARA CONFECÇÃO DE BOMBAS CASEIRAS. ONDE É QUE ESTÁ O PACIFISMO DA ONU???
Na terça-feira, fui visitar não só os nossos soldados, mas também os feridos do navio. Essa é a polםtica que Israel tenta manter: nós não matamos civis como os terroristas árabes. Nós não nos recusamos a enviar ajuda a Gaza. Nós não queremos mais guerra. MAS JAMAIS VAMOS PERMITIR QUE MATEM OS NOSSOS SOLDADOS.
Só milionário idiota que acha lindo ser missionário da ONU não entende que guerra não é lugar para civis se meterem. Havia um bebê no barco (que saiu ileso, obviamente): alguém pode explicar por que uma mãe coloca um bebê em um navio a caminho de uma zona de guerra? Onde eles querem chegar com isso? ELES NÃO ENTENDEM QUE FORAM USADOS COMO FERRAMENTA CONTRA ISRAEL, E QUE A INTENÇÃO NUNCA FOI ENVIAR AJUDA A GAZA E SIM GERAR (..., o email está truncado nesse ponto).
E o presidente Lula precisa também entender que desta guerra ele não entende. E QUE O BRASIL JÁ TEM PROBLEMAS DEMAIS SEM RESOLVER. TEM MAIS GENTE PASSANDO FOME QUE GAZA. TEM MUITO MAIS GENTE MORRENDO VÍTIMA DA VIOLÊNCIA.
Eu sempre me orgulho de ser também brasileira. Mas nesta semana chorei. De raiva, de raiva de ver que especialmente no Brasil, muito mais do que em qualquer outro lugar, as notícias são absolutamente destorcidas. E isso é lamentבvel.
Não me entendam mal. Eu não acho que todos os árabes são terroristas. MAS SEI QUE QUEM OS CONTROLA HOJE. E que esta guerra não é só contra Israel. O Islamismo prega o EXTERMÍNIO de TODO o mundo não árabe. Nós só somos os primeiros da lista negra.
Por favor encaminhem este e-mail aos que ainda não entendem que guerra é guerra e que os terroristas não são coitadinhos.
Eu prometo escrever da próxima vez com melhores notícias e melhor humor. Tenho algumas boas aventuras pra contar.
Um beijo a todos
Shabat Shalom
A”.
É de doer, hein? Some-se à arrogância da remetente (os destaques em letra maiúscula estão no original do email), pérolas tais como “os feridos são uns ingratos” e "guerra é guerra", comparar a ONU com uma facção terrorista, mandar o Brasil enfiar a viola no saco, dizer com outras palavras que o Lula é burro (mais um, meu Deus!, quando é que a direita vai me permitir parar de votar no Lula e em seus candidatos?), e deixar claro que ninguém mais tem a ver com o que se passa no Oriente Médio. Sei não, mas o que os direitistas israelenses pregam hoje não é muito diferente do que o nazismo chamava de “Lebensraum” - a conquista do Espaço Vital para a raça ariana. Shabat Shalom ou Sieg Heil?

sábado, 5 de junho de 2010

AFINAL, QUEM SÃO OS INIMIGOS DA PAZ?

Por Nilo Sérgio Gomes
Jornalista e professor da Escola de Comunicação da UFRJ
"O presidente do Irã, Mahmmoud Ahmadinejad, é tido pela mídia hegemônica ocidental – a brasileira sendo uma das mais entusiastas – como o “tirano”, o “inimigo público nº 1 do mundo livre”, isto é, da parte ocidental do mundo. Volta e meia, em debates e conferências em que participo, indago aos presentes e interlocutores sobre o seguinte: quantos países o Irã invadiu nos últimos 50 anos; e quantos países foram invadidos pelos Estados Unidos? Surpresa e silêncio. Não há respostas.
O ataque de Israel a um navio da Frota da Liberdade, embarcações que atravessaram o Mediterrâneo para levar ajuda humanitária à numerosa população da Faixa de Gaza, demonstra com muito mais evidência, sem dúvida e nem qualquer possibilidade de equívoco, quem são realmente os amantes da guerra, os tiranos que infernizam a paz, construindo muros, realizando bloqueios e ataques “preventivos” em águas internacionais e mesmo em fronteiras alheias, como nas invasões recentes ao Iraque e ao Afeganistão, e na tomada de Granada, no Caribe, em fins dos anos 1970, ou o Panamá, ou... Quantos mais?
Dias após o presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e o primeiro ministro da Turquia, Recep Erdogan, assinarem com o Irã um tratado a respeito do uso pacífico da energia nuclear por aquele país, para o atendimento às demandas econômicas e sociais da sociedade iraniana – iniciativa bombardeada pelas nações hegemônicas e que teve repercussão extremamente negativa na chamada “grande imprensa” brasileira –, pois o que aconteceu? Como uma trágica ironia da história, as Forças Armadas de Israel invadem um navio turco, com dezenas de ativistas da paz que levavam alimentos e auxílio à população palestina de Gaza, matam número ainda impreciso desses pacifistas, promovendo uma das maiores barbáries da história moderna. Israel, sim. Não foi o Irã de Ahmadinejad, mas o país que para ser cri ado tomou as terras árabes da Palestina, ex pulsando o povo palestino e instaurando uma sucessão das mais trágicas carnificinas da história humana contemporânea.
Agora, Israel impede a população de Gaza de ter acesso livre e receber, livremente, por terra, por mar e por ar, visitantes a seu país. E Israel promove este bloqueio diante do silêncio mais cínico da chamada “comunidade internacional”, isto é, a ONU e seus “líderes mandatários”, os Estados Unidos à frente. A alegação israelense é a mais hipócrita. O governo de Israel “justifica” sua atitude de bloqueio, em razão de o grupo islâmico Hamas controlar o poder político e militar em Gaza. Obviamente, o governo israelense não admite que o Hamas tenha sido eleito por ampla maioria do povo palestino de Gaza. Isto é apenas um detalhe. Mas a fúria assassina de Israel ficou à mostra, coincidentemente, no mesmo momento político em que o governo estadunidense, com a ex-primeira-dama Hillary Clinton à frente, elevava o tom contra o acordo ace rtado pelo Brasil e a Turquia com o Irã, no sentido de promover a paz no Oriente Médio.
Agora é Israel e seu governo, com Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro e Shimon Peres como presidente, que despertam as atenções mundiais, intensificando as tensões militaristas. Pacifistas de todo o globo se movimentam contra o bloqueio e as atrocidades de Israel. As grandes potências, Estados Unidos e Grã-Bretanha à frente, se calam. A enfraquecida Organização das Nações Unidas pede um relatório “crível”, como se algo mais precisasse ser apurado, após relatos e imagens do que foi a invasão de um navio da Frota da Liberdade.
Calam-se os que vociferavam, cheios de ódio, contra Ahmadinejad. Até porque não sabem como responder, agora, sobre aonde realmente mora o perigo e o terrorismo, inclusive, nuclear, dos nossos dias presentes. Um terrorismo que, como denunciou recentemente um jornal britânico, vem de décadas, antes mesmo de o hoje presidente israelense Shimon Peres oferecer armas atômicas ao regime de apartheid da África do Sul.
O rei e a mentira estão nus e armados. A hipocrisia impera nas Nações Unidas. E não é hora para se ficar calado. Cada voz, por mais frágil, será um grito pela paz e pelo fim dos assassinatos da gente palestina.
Gaza Livre, Free Gaza".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

AQUI Ó! PRA VOCÊ TAMBÉM, Ô NETANYAHU/HOESS...




Tenho certeza de que fui judeu na última encarnação. Isso porque, lá pelos meus 10/12 anos, quando fiquei sabendo do Holocausto, dormi mal muitas noites – sei que vocês me acham um sacana que nunca fala sério, mas é a pura verdade. À medida que tinha conhecimento, através de filmes, fotos e textos, das barbaridades praticadas nos campos de concentração, os pesadelos pioravam. O fato de ter tido um bisavô judeu holandês – outra informação que recebi na mesma época – somente consolidou a sensação de que, alguns anos antes de nascer, fui parar no forno crematório em Auchwitz.
Depois de mais um crime, como este ataque terrorista de Israel contra os tripulantes da flotilha que estava a caminho da Faixa de Gaza, com o objetivo de promover ajuda humanitária, tive outra impressão ruim. A de que esse sujeito lá em cima, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que nasceu em 1949, é a reencarnação do comandante de Auchwitz, Rudolf Hoess (não confundir com outro criminoso de guerra, chamado Rudolf Hess), essa figura diabólica da foto menor. Hoess morreu em 1947. Dois anos depois, voltou judeu ao mesmo planetinha chinfrin. Só que judeu de extrema-direita, igualzinho ao monstro de Auchwitz.
Essa bosta que vocês ouvem clicando a setinha é o hino nazista.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

UM CONSELHO DE STEPHEN HAWKING

Stephen Hawking sabe das coisas. A última do físico britânico foi alertar a humanidade, em entrevista à BBC que o G1 publicou neste domingo, para que evite contato com extraterrestres.
“Se alienígenas nos visitassem, as consequências seriam semelhantes às que aconteceram quando Colombo desembarcou na América, algo que não acabou bem para os nativos”.
Em vez de procurar sarna para se coçar em outros mundos, o cientista aconselha os humanos a olharem para si mesmos. Para ver se encontram vida inteligente.

sábado, 15 de agosto de 2009

A VINGANÇA DO CONSUMIDOR NO YOUTUBE


Em março de 2008, a banda country Sons of Maxwell embarcou em Halifax, no Canadá, com destino a Chicago, onde tinha um show programado. Da janela do avião da United Airlines, Dave Carrol viu os carregadores da empresa aérea jogando a bagagem de qualquer maneira. Resultado: seu violão Taylor, de US$ 3,5 mil, foi encontrado na esteira quebrado. Para consertar o instrumento, ele morreu em US$ 2,4 mil, mas a companhia aérea se recusou a pagar. Um parto (nove meses) depois, o músico canadense fez a última tentativa de recuperar a grana e a United voltou a cagar solenemente para o consumidor. Dave deu o troco: disse que colocaria três videoclipes na internet denunciando a irresponsabilidade e a negligência da voadora. Então compôs a baladinha “United breaks guitars” e botou no Youtube. Em um mês, o vídeo foi acessado mais de 700 mil vezes e, em poucos meses, 4,5 milhões de pessoas assistiram. A Taylor deu um violão novo para o autor da canção que chegou ao ranking das 20 mais vendidas no Canadá, ainda mais depois que Dave foi ao programa da Oprah, aquela apresentadora meio Hebe, meio Marília Gabriela. Aí quem entrou em pânico foi a United Airlines, que passou a suplicar para que o músico aceitasse a grana preta que ofereceu para que o caso fosse encerrado e o vídeo retirado do Youtube. Os caras ainda prometeram colocar o vídeo num programa de treinamento. Resposta do Dave: "Vão pra puta que os pariu!". Esse clipe já circula há uns meses, mas só conheci há pouco, quando me foi enviado por meu chapa Wallace Grecco. Não é hilariante? Se demorar muito, vá direto ao youtube ou clique no hiperlink http://www.youtube.com/watch?v=5YGc4zOqozo. Alô, alô, operadoras de telefonia e concessionárias em geral: caiu a ficha?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A ESQUERDA BRASILEIRA É A 2ª PIOR COISA DO MUNDO


Só perde para a direita. E a direita brasileira, por pura motivação eleitoral, agora dá porrada no Lula por “se intrometer nos assuntos internos da Colômbia”. Lula está coberto de razão ao criticar o aumento da presença militar no continente. Dê porrada por outros motivos, não por este.
Quem lê com cuidado, honestamente, com certa imparcialidade (imparcialidade total é balela), o noticiário a esse respeito fica logo sabendo que a preocupação do governo brasileiro não é tanto com a Colômbia, com o Pacífico.
O foco é, evidentemente, o Atlântico Sul, por onde voltou a navegar a Quarta Frota dos Estados Unidos, recriada no ano passado.
Esse negócio de boas intenções não vale em política, ainda mais externa. Se hoje os EUA são governados por um sujeito decente e democrata (o adjetivo, não o partido), e se a frota é comandada por um almirante que apenas faz manobras rotineiras, nada impede que no futuro algum megalômano, republicano ou democrata, pior do que Bush pai e Bush filho juntos, se anime a reeditar a política de intimidação daquela parte do mundo que considera seu fundo de quintal – ainda mais com esse idiota do Chávez fazendo merda o tempo inteiro. Fundo de quintal é o cacete! A menos que seja o do Cacique de Ramos.
Lula enviou carta a W. Bush, que nada fez, e agora quer conversar com Obama sobre este assunto sério, importante, relativo à soberania nacional. Reclamou um dia desses (só li num portal de notícias da internet) que a Quarta Frota navega “em cima do NOSSO pré-sal”. E é isso mesmo.
O combate ao narcotráfico e ao narcoterror nada tem a ver com essa questão que nos diz respeito e que deve ter solução diplomática.
A América Latina, senhores, não é Chávez, é Venezuela; não é Michelet, é Chile; não é Lula, é Brasil. Quer ser poupada, encheu o saco desse papo caô de assistência humanitária.
No caso da Colômbia, os EUA deviam contribuir com recursos materiais, grana e – sim, por que não? – especialistas no combate à indústria da droga. Grana para montar uma força nacional de elite que destrua os laboratórios de refino, prenda ou mate os criminosos que integram o exército do narcoterror.
Os americanos que peguem seus marinheiros, soldados, policiais e agentes da DEA e ocupem essa rapaziada impedindo a chegada da droga nos Esteites, monitorando os paraísos fiscais onde desembarca a bufunfa da cocaína, da heroína e do cacete a quatro.
Aqui não. Como já cantava o João Nogueira no tempo da ditadura militar e – vejam só – com o apoio do governo da época. Que era de direita.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO GOLPE DE HONDURAS


O golpe militar em Honduras confundiu a direita e a esquerda mundiais. Uma nova ideologia surgiu e poucos se deram conta disso.
Só este blogue, nosso parceiro Histórias do Brasil, do professor Simas, e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger – que fala hondurenho com sotaque de Harvard e harvardiano com acento tegucigalpeño – percebemos: por trás do golpe de Honduras estão o efeito borboleta, o gato de Schrödinger e o PMDB!
Vamos aos fatos.
A borboleta e o gato – O ir-e-vir do hoje para o amanhã, ou para o ontem, já foi explicado pela teoria do caos, pelo efeito borboleta, pela máquina do tempo do H.G. Wells e por um montão de seriados no tempo em que a TV era em preto e branco.
O gato é menos conhecido – vem das pesquisas feitas por um físico austríaco sobre superposições quânticas e parte do pressuposto de que um átomo pode estar localizado em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.
Schrödinger imaginou um gato dentro de uma caixa, que na verdade eram duas caixas, e dentro dessa caixa, ou melhor dessas duas caixas, havia um vidro de cianureto que podia ser quebrado com uma martelada.
O felino teria o dom da ubiquidade e, com a superposição quântica, tanto podia ficar numa boa, dentro da caixa, como morrer asfixiado pelo cianureto. A borboleta também faz parte da conspiração. Hoje, como diz o camelô, qualquer criança sabe que o bater de asas de borboleta em Niterói pode provocar um tsunami na Ásia ou, pelo menos, um engarrafamento na Ponte.
Resumindo: o futuro já chegou.
Teoria da Relatividade e Teoria da Governabilidade – A tese aqui levantada de que o PT e o PSDB vão empatar na eleição de 2010, formar uma coligação e forçar o PMDB a cair na clandestinidade já virou realidade em Honduras, que é uma espécie de caixa onde o vidro de cianureto foi destroçado pelo martelo!
E é aí que entra o movimento guerrilheiro do PMDB, formado por 171 facções que dominam o país praticamente desde o fim do regime militar. Esse partido criou algo ainda mais fantástico do que a borboleta pé-frio, o gato quântico e a Teoria da Relatividade.
Criou a maquiavélica Teoria da Governabilidade, segundo a qual, seja qual for o partido que estiver no poder (não importa se o PT, o PSDB, o DEM ou o PSOL dos companheiros Heloísa Helena e Tiago Prata), não consegue aprovar porra nenhuma no Congresso Nacional, a menos que o PMDB dê uma mãozinha.
Tornaram-se, portanto, reféns dessa legenda assombrosa que descobriu o óbvio: o bom não é ser o Rei, é ser o melhor amigo do Rei e mandar nele. Nisto reside a ideologia peemedebista, que é uma etapa superior a todos os ismos que a gente conheceu um dia, com exceção do botafoguismo e do portelismo, inatacáveis, pelo menos aqui neste blogue.
Já tem hino e diretoria na PDVSA - A sedição espalhou-se pelo país e já marcou até um encontro para ganhar visibilidade planetária: a Quinta Internacional do PMDB, que se realizará na Ilha de Caras ou, talvez, em Las Vegas, se o subcomandante Agaciel Maia fechar uma parceria com os cassinos e com os concorrentes, digo, com os gângsteres locais.
Pegando o bonde que veio queimando o trilho desde o blog do Simas, sabemos agora – leia aqui – que os rebeldes também já têm um hino, de autoria de Biafra, o Victor Jara de Niterói.
Agora, em primeira mão, este blogue traz uma informação que é uma verdadeira bomba: o golpe militar de Honduras foi desfechado contra uma tentativa de ocupação de Honduras pelos guerrilheiros do PMDB que estavam acumpliciados com Manuel Zelaya e receberam financiamentos da PDVSA, a petroleira do Hugo Chávez, que já tem dois ou três diretores indicados pelo partido!
O golpe de Honduras foi condenado no mundo inteiro, menos aqui, no blogue do Simas e no blogue de Reinaldo Azevedo, aquele jornalista de chapéu, muito culto, mas meio esquerdista para o meu gosto.
Onde entrariam Sarney e Mangabeira – A quartelada foi decidida depois que um dos chefes da guerrilha, talvez o maior deles, o Comandante Sarney (codinomes Ribamar, Marimbondo e Zé do Bigode) entrou em contato com Chávez e com o presidente Manuel Zelaya, que ficaram encantados com o ideário peemedebista e aderiram à Teoria da Governabilidade.
Tudo começou, como diziam os jornalistas pré-diploma, quando Sarney se convenceu de que seria difícil manter seu cargo no Senado. Zé do Bigode correu para o Google para pesquisar quais os países, entidades filantrópicas, academias de letras, clubes de futebol ou sociedades secretas que estavam precisando com urgência de um presidente.
Ficou em dúvida entre a Bolsa Nasdaq e o Congresso de Honduras. A Nasdaq seria muito melhor, em retorno financeiro, mas quando soube que seu ex-presidente, o Madoff, tinha sido condenado a 150 anos de cadeia, o companheiro Sarney virou a página. Desgraça por desgraça, já basta ser senador pelo Amapá e ter que pintar o bigode todo santo dia com tablete de Santo Antônio, pensou.
Ocorreu-lhe que assumir a presidência do Congresso de Honduras seria uma boa saída. Foi então que telefonou para Manuel Zelaya e, depois, para o chefe dele, Hugo Chávez – este ficou particularmente feliz porque ia tirar um aliado de seu maior rival continental, Lula, o presidente do Brasil e do Corinthians.
No entanto, a história vazou. O telefone de Sarney estava grampeado pela Polícia Federal, que tentou plantar a notícia no Ancelmo, no Noblat, no Josias, na Mônica Bérgamo, sem sucesso. No entanto, deu certo no ex-blog do companheiro César Maia. Como todos sabem é de esquerda enquanto ex-blogueiro, embora tivesse sido de direita enquanto prefeito, da mesma forma como voltou a ser botafoguense, agora que perdeu o poder. Antes, ele dizia que César Maia era Botafogo, mas o prefeito era Flamengo. Enfim, até esse blogue ensandecido concorda que o homem é mesmo doido.
A operação é desfechada – O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, usava seu pijama de bolinhas azuis favorito quando foi tirado da cama pelos rebeldes do PMDB, usando fardas do exército local, e colocado num avião.
Ficou decepcionado: esperava encontrar um pelotão de fuzilamento, mas em vez disso um comissário de bordo que assistiu dez vezes a “Noviça Rebelde” ofereceu-lhe Pepsi-Cola e uma barra de cereais. O avião era da Gol.
“Não será longa a viagem”, raciocinou Zelaya. “Já sei. Vão me jogar no oceano”. Estava todo pimpão, que nem aquele atacante do Vasco. Imaginou-se um mártir e fantasiou que algum Korda ou Cartier-Bresson faria logo uma foto legal dele para estampar nas camisetas dos maconheiros e iúpis do Leblon e de Vila Madalena.
Qual o quê! Zelaya foi levado para um resort cheio de mordomias em Costa Rica. Este país é uma vergonha para nossa longa tradição golpista latino-americana! Costa Rica nem Forças Armadas tem e o seu povo fraco até hoje não reclamou disso. Dizem que o futuro ex-ministro Nelson Jobim até já enviou um folder para Tegucigalpa, oferecendo consultoria, mas não obteve resposta.
Velhos golpistas bolivianos ficaram excitados com a notícia de que o toque de recolher imposto pelo novo governo duraria 48 horas, mas caíram em profunda depressão quando souberam que ninguém morreu, nem um mísero comuna, um crioulo sequer, um judeu pobre de esquerda, ninguém mesmo.
Mas deu merda! – No dia seguinte, mesmo sob toque de recolher, o comércio abriu (o mesmo não aconteceu, por exemplo, aqui perto de casa, porque o tráfico mandou fechar tudo por causa da morte de um inocente da favela que, por engano, cremou a mãe viva), o povo andava tranquilo nas ruas, feliz da vida por ter se livrado daquele corrupto, digo, do estadista Manuel Zelaya.
Roberto Micheletti, o presidente do Congresso, que assumiu o poder (com o apoio do Supremo Tribunal Federal de Honduras), não existe. É um stuntman, contratado pelo PMDB para atuar nas cenas de perigo. Por trás dele estavam – adivinhem – o comandante José Sarney e o novo ideólogo peemedebista Roberto Mangabeira Unger, que ocuparia o Ministério de Curto, Médio e Longo Prazo (Honduras não tem verba para tantos ministros, ele acumularia as três pastas).
O quebra-cabeças foi se encaixando aos poucos. O PMDB deu o golpe em Honduras, em nome da governabilidade. Sem necessidade de tortura, pelotão de fuzilamento, nada disso. A única baixa, até agora, foi a do jornalista Reinaldo Azevedo, que pirou com a leitura da Constituição hondurenha, dez vezes maior do que a brasileira.
Foi, segundo críticos ferozes do partido, a única coisa boa que o PMDB pós-Ulysses fez em sua história. Estava prestes a colocar em prática, sob a forma de ações de governo, uma nova ideologia – a governabilidade sem derramamento de sangue.
Só não contava com a traição de Hugo Chávez, com a falta de perspicácia de Barack Obama e com essa solidariedade internacional a Zelaya, um concorrente forte na modalidade corrupção.
Se fosse vivo, Nelson Rodrigues repetiria em sua coluna que toda unanimidade é burra. E tome unanimidade: ONU, OEA, União Européia, Obama, Chávez, Fidel, Lula, FHC, Heloísa Helena, Tiago Prata e Bruno Ribeiro! Assim ninguém aguenta mais de uma semana no poder, porra!
O que temos hoje é um pequeno país vítima de um candidato a ditador (que falhou no golpe que pretendia dar) e de um Congresso e de um Supremo ineptos (dirigidos por deputados e juízes sem diplomas que – em vez de impicharem o 171 do Zelaya – foram chamar os milicos!).
Nenhum país aguenta isso: de um lado, um candidato a ditador, e do outro, um bando de candidatos ao Big Brother Honduras.
E foi assim que o PMDB perdeu a chance de assumir a presidência do Senado e o Ministério de Todos os Prazos, em Tegucigalpa.
Ainda bem que o comandante Sarney e seu novo mentor Mangabeira ficaram presos no aeroporto de São Luís do Maranhão e não conseguiram viajar por causa do mau tempo.
Tão pensando o quê? Que o PMDB é amador?

terça-feira, 30 de junho de 2009

RAPIDINHAS DE UM MUNDO FRANCAMENTE EM EBULIÇÃO


  • Nem Zelaya nem Micheletto. O melhor nome para operar a transição em Honduras é Roberto Mangabeira Unger. O ex-ministro de Longo Prazo do Brasil já foi procurado por emissários da ONU e da OEA e topou a proposta. Antes de voltar para Harvard, já liberado pelo Lula, Mangabeira Unger irá a Tegucigalpa e prometeu resolver tudo, no máximo, em 25 anos. Será acompanhado de uma pequena comitiva de intérpretes formada pelo fonoaudiólogo Simon Wajntraub, pelo rabino Henry Sobel e pelo treinador Joel Santana. Sobel traduzirá Mangabeira para o fono, e este para Natalino, que se comunicará diretamente com o povo. O Deportivo Motagua, time de maior torcida do país, teme que o excesso de poderes acumulados por Joel Santana resulte na contratação de Obina e Toró.

  • Quem quer dinheiro? A Justiça dos Iunaites Esteites condenou a 150 anos de xilindró o ex-presidente da Nasdaq Bernard Madoff, que passou a perna em 8 mil magnatas e falsas celebridades do mundo inteiro. As maiores editoras do mundo já fizeram ofertas a Madoff por sua biografia, o que significa que, nos próximos 150 anos, o mega-especulador vai nadar em euros, dólares, yens e yuans. O biógrafo de Madoff, Fernando Moraes, disse ter recebido muitos pedidos de milionários brasileiros que se queixaram de não ter caído no golpe. Um deles, Roberto Justus, ameaçou processá-lo, caso não entre no livro de ouro do maior fraudador de todos os tempos, na mesma página do Donald Trump. Madoff cumprirá a sentença na Ilha de Caras.

  • Capricha que é garantido. O Festival de Parintins, que graças a Deus acabou, com aqueles bois ridículos e suas torcidas-axés, teve seu alvará cassado por um juiz amazonense e será encenado em breve na sala de julgamentos do Supremo Tribunal Federal. Nossa reportagem foi acionada e já apurou os votos que serão dados pelos ministros. O presidente Gilmar Mendes, escolhido para a relatoria, votará no Boi Garantido e deverá ser acompanhado por quase todos os colegas, com exceção de Joaquim Barbosa, único voto garantido até agora do Boi Caprichoso. Marco Aurélio de Mello, sempre uma caixinha de surpresas, só de sacanagem, deve votar no Bumba-meu-Boi. Rasgo meu diploma de cozinheiro formado pelo Senac se isso não acontecer.

  • O MST que se cuide! Há mais de três dias, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM ou PSDB-SP, um deles) ocupa a tribuna da mais côncava de nossas Casas Parlamentares para esclarecer a população sobre os motivos secretos que o levaram a empregar três filhos, a mulher e a irmã de seu chefe de gabinete, bem como o fato de ter passado alguns dias em Paris torrando a grana de um tal de Agaciel, que ele chamava, na intimidade, pelo apelido carinhoso de Nina. Será entrevistado na estréia do novo programa do Gugu e, no dia seguinte, de manhãzinha, participará de uma coletiva com Ana Maria Braga e o Louro José, ocasião em que falará das virtudes balsâmicas do açaí, do cupuaçu e do guaraná Pajé.

  • Marimbondos me mordam! Enciumado, o mega-senador José Sarney (PMDB-AP ou PMDB-MA, um desses dois) prometeu vingança. Ficará exposto à visitação pública durante sete dias seguidos no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras, acompanhado em tempo real pelo Datena. O senador Sarney vai escrever a segunda parte da obra-prima de seu conterrâneo Ferreira Gullar. O “Poema Mais Sujo Ainda” será publicado em capítulos semanais em sua coluna na Folha de S. Paulo. José Sarney já confidenciou a seus amigos: quando deixar a literatura e o Brasil em paz, será candidato à presidência da Nasdaq, na vaga de Madoff.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O GOLPE DE HONDURAS É ARMAÇÃO DO WOODY ALLEN


Êpa, com circunflexo!
Que golpe foi este?
Estados Unidos, Venezuela e Cuba estão juntos, ao lado do presidente deposto.
A OEA condenou o golpe e pediu a volta imediata de Manuel Zelaya ao cargo.
O presidente deposto, em vez de assassinado, foi sequestrado e despachado pelos militares para Costa Rica, um país vizinho conhecido por suas tradições democráticas... e que nem Exército tem!
No lugar do deposto entrou um companheiro de partido que ocupa a presidência do Congresso, Roberto Micheletti.
O presidente derrubado queria mudar a Constituição do país, a três meses da eleição, para poder se reeleger.
Assumiu em nome de um partido de direita e virou chavista.
A suprema corte de Justiça está contra o presidente deposto.
O alto comando militar foi dissolvido porque o principal comandante militar negou-se a apoiar a realização do plebiscito.
O exército tomou as ruas da capital hondurenha, sob toque de recolher.
Um diplomata brasileiro diz que a cidade parece tranquila. As escolas e o comércio abriram.
E o presidente que assumiu, Roberto Micheletti, disse há pouco que aceitaria receber o presidente deposto de braços abertos, desde que o Chávez não venha junto.

Foi golpe, contragolpe ou o argumento de Woody Allen para filmar a continuação de “Bananas”?

terça-feira, 26 de maio de 2009

BNDES NÃO PODE EMPRESTAR AO HUGO CHÁVEZ


Está nos jornais que o ditador democraticamente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, quer algum do BNDES para expandir o metrô de Caracas, obra que seria entregue à Odebrecht. Tem boas garantias para oferecer, etc. e tal, se realmente levasse a sério o compromisso. No entanto, basta abrir o site do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social para ler o seguinte:
“A missão do BNDES é promover o desenvolvimento sustentável e competitivo da economia brasileira, com geração de emprego e redução das desigualdades sociais e regionais”.
Ou seja, seria uma mancada (no gramófono bolivariano, Mancada, com o ex-ministro do governo ao qual Chávez está praticamente exigindo o empréstimo) se esse dindim tiver essa finalidade.
Se não ficou claro para o bonitão e para o pessoal da Odebrecht, a versão em espanhol diz a mesma coisa:
“La misión del BNDES es promover el desarrollo sostenible y competitivo de la economía brasileña, con generación de empleos y reducción de las desigualdades sociales y regionales”.
No más, sin todavías y punto! A menos que a Venezuela esteja querendo se tornar um estado brasileiro e Caracas nossa cidade quase à beira do Caribe.
Ainda assim, nem vem que não tem: Niterói pediu primeiro para ter metrô!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O EGO DO MUNDO


Ainda tem jeito o planetinha azul do Gagarin? Caiu a ficha, enfim, de que hoje atravessamos, mais do que uma supercrise econômica, uma quebra de valores formidável (no mau sentido), em escala global? A análise feita pelo mestre Alberto Dines, no texto abaixo, publicado no Último Segundo de 3 de abril e dica do meu amigo e coleguinha (veja pelo lado bom, Chico) Francisco Aguiar, diz que estamos num bom caminho. E ousa na previsão de que a reunião do G-20 pode ser o sintoma de "uma reversão cultural cujos efeitos podem ser comparáveis aos do Renascimento". Leia esse texto ouvindo (tá lá no alto, clique na seta) Era Nova, de Gilberto Gil, e pelo menos finja acreditar que pode dar certo.

* * *
Na máquina do tempo

Alberto Dines

Os historiadores estão interessados na Grande História, biógrafos (e também jornalistas) adoram a Pequena História. O encontro do G-20 em Londres foi uma rara confluência da grand histoire com a petite histoire, pororoca do transcendental com o trivial.
O baile de egos na beira do abismo produziu magníficas decisões e intenções, a mais badalada foi a decretação do fim da era do sigilo bancário. Vão acabar os paraísos fiscais. O cidadão honesto nada tem a temer, ao contrário dos corsários – os santuários onde guardavam seus botins estão, aparentemente, com os dias contados.
O anúncio não chega a configurar-se como uma nova ordem econômica mundial, mas sinaliza com clareza para um consenso moral em relação a três pontos: 1) o capitalismo selvagem e suas manipulações clandestinas podem estar chegando ao fim; 2) a indomável corrupção poderá ser drasticamente limitada; e, 3) o crime organizado está prestes a perder a sua ilimitada capacidade de infiltração e capilaridade.
Nos paraísos fiscais estão os ninhos onde se incubam os ovos das serpentes que ameaçam o mundo contemporâneo. A designação de "paraíso" é, em si, uma aberração porque confere uma indevida aparência bíblica à fabricação de perversidades e malefícios. Mais apropriado seria denominar estas lavadoras de dinheiro sujo como "infernos fiscais", dada a sua capacidade de corromper os conceitos de erário, democracia, isonomia, regulamentos e obediência cívica.
Outras manifestações logo virão à tona, mas a fala de Barack Obama, ainda que desacompanhada de medidas concretas, deverá produzir alterações psicológicas muito além do grupo dos vinte países mais ricos: o mundo não deve contar exclusivamente com os excessos do consumo do Tio Sam. A febre comprista da sociedade americana convertida em paradigma do comportamento internacional deverá ser redirecionada para a poupança. No lugar do consumo conspícuo, o consumo consciente, a defesa do meio ambiente, o desenvolvimento de novas matrizes energéticas, o bem-estar público. Aos emergentes caberá atender as demandas dos seus próprios mercados, socialmente legítimas.
A reunião londrina do G-20 emitiu uma inconfundível atmosfera de austeridade. Se confirmada e mantida, poderá redirecionar o próprio desenvolvimento econômico mundial e estimular uma reversão cultural cujos efeitos podem ser comparáveis aos do Renascimento. Nas últimas duas décadas, graças aos efeitos perversos das tecnologias, assistimos à degradação dos valores que a humanidade levou séculos para aperfeiçoar e acumular.
Talvez tenha chegado a hora de dar sentido e direção aos avanços que a ciência propiciou. Talvez tenha chegado a hora de pensar no ser humano e desatrelá-lo das exigências que ele próprio criou para distrair-se das suas missões.
O G-20 deu um belo empurrão no ego de alguns líderes mundiais. O do presidente Lula foi massageado algumas vezes e, merecidamente. Mas eventos são pontos no espaço-tempo, transições. Deixarão de ser eventuais para se transformarem em algo perdurável quando os líderes assumirem que representam nações inteiras, interesses nacionais conjugados, e não parcelas do todo.
Barack Obama, estrela da festa, não estava ali como o primeiro presidente negro dos EUA, ele era a reedição do sonho americano. Sem pele branca e olhos azuis. Gordon Brown, chefe do governo anfitrião, mais do que a China semi-comunista, encarnou a tradição socialista inglesa que Margaret Tatcher, John Major e depois Tony Blair desfiguraram com tanta determinação.
A reunião do G-20 coincidiu com o 70º aniversário do fim da Guerra Civil na Espanha e a vitória do caudilho fascista Francisco Franco sobre as forças legalistas, republicanas. O encontro londrino foi estritamente econômico, a política não foi convidada, porém ninguém pode nos impedir de entrar na máquina do tempo e lembrar panoramas passados.
Se entre 1936 e 1939 os países democráticos tivessem se reunido para evitar aquele banho de sangue na terra de D. Quixote, a catástrofe da Segunda Guerra Mundial teria sido certamente evitada.

O QUE ERA BOM PARA OS ESTADOS UNIDOS NÃO É MAIS


A General Motors pode quebrar, admitiu o presidente da montadora, Fritz Henderson, que assumiu o cargo um dia desses com o compromisso de sanear as finanças da companhia, uma exigência do governo Obama. A GM era mais do que um cachorro grande: durante décadas, foi a maior corporação norte-americana e tanto dava as cartas que seu big boss em 1953, Charles Erwin Wilson, foi nomeado Secretário de Defesa pelo governo Eisenhower. Wilson ficou famoso por uma frase dita no Senado: “O que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos, e vice-versa”. Na época, só as grandes fábricas estatais da União Soviética empregavam mais do que a GM. Em 1964, ao ser nomeado embaixador do Brasil em Washington, o político udenista baiano Juracy Magalhães adaptou a frase de Wilson, só que dispensando o vice-versa. Mandou na lata: “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. E pelo resto da vida foi chamado de subalterno. Na caixa, Mustang cor de sangue, na voz de Wilson Simonal.

sábado, 7 de março de 2009

DE ROSA A DORALICE


Mais de 50 anos depois que a costureira negra norte-americana Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar num ônibus a um passageiro branco, a empregada doméstica negra brasileira Doralice Muniz Barreto (a de cima, chorando), precisou tirar a blusa para entrar numa agência do Banco do Brasil em Jundiaí (SP). O gesto de Rosa Parks (a de baixo, no ônibus) causou tumulto em Montgomery, no Alabama, e virou símbolo do movimento pelos direitos civis nos EUA, que, aliás, hoje têm um negro como presidente.
A atitude de Doralice Muniz Barreto não vai dar em nada. Quando tentava ponderar com o segurança, sem poder entrar na cabine, ouviu dele que o gerente estava ocupado e não poderia atendê-la. Quando ameaçou tirar a blusa para provar que não escondia nenhuma metralhadora búlgara debaixo do sutiã, o guarda boçal fez pouco dela: “Problema seu”. Os outros funcionários, os gerentes, os clientes... ninguém se moveu. Pior: algum diretor ou marqueteiro imbecil do Banco do Brasil ainda liberou a divulgação de uma nota justificando a atitude do segurança e da gerência.
É o mesmo banco que, em sua propaganda pela TV, diz que pertence a todos os brasileiros.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

LÍDICE E GAZA, A HISTÓRIA SE REPETE, SE REPETE

O Memorial de Lidice, erguido no mesmo local onde existiu a aldeia dizimada pelos nazistas em 1942Em 1942, a aldeia de Lídice teve seus 1.500 moradores assassinados pela tropa de choque nazista depois que a guerrilha tcheca matou Reinhardt Heydrich. Heydrich era o encarregado de resolver a questão judaica na Alemanha e em seus territórios ocupados – um eufemismo para o Holocausto.
A represália ao assassinato de um militar que era tido como um dos nomes fortes para suceder Hitler, em caso da morte do Führer, foi um episódio marcante da Segunda Guerra Mundial. Fizeram filmes sobre esse genocídio.
A repercussão do massacre de Lídice foi tamanha que, aqui mesmo no Estado do Rio de Janeiro, o então interventor getulista Amaral Peixoto deu este nome a uma pequena cidade – a nossa Lídice virou distrito do município de Rio Claro. Foi uma bela idéia do genro de Getúlio Vargas, cujo governo, como sabemos, tinha simpatizantes do nazismo. Amaral Peixoto ganhou muitos pontos com a esquerda brasileira na época. Os comunistas que tinham problemas com a polícia de Filinto Müller pegavam a barca para Niterói. A cidade onde moro ganhou até o apelido de “França Livre” por causa das atitudes do (então) jovem interventor.
Gaza ainda não é distrito de nenhum município brasileiro. Mas há muito tempo é o apelido de alguns bairros e vias públicas onde o tráfico é mais presente do que o poder público. O Rio de Janeiro tem muitas “Faixas de Gaza”, da Zona Sul ao Complexo do Alemão. Nossos vereadores e deputados estaduais, portanto, podem ficar tranqüilos. O povo carioca, informalmente, já prestou sua “homenagem” ao governo israelense por ter, mais uma vez, se comportado exatamente igual às SS nazistas.
Israel, graças à extrema-direita que governa o país, não precisa que os países árabes cumpram a ameaça de jogá-lo no mar. Seus próprios líderes se encarregam de levar o país à beira do abismo.

Mães palestinas protestam contra a ofensiva israelense em GazaIsrael é um país forte e poderoso, mas é um pequeno país cercado. Sua sobrevivência depende exclusivamente de negociar, negociar e negociar, exaustivamente, penosamente, incessantemente, com os vizinhos árabes.
Caso contrário, vai desaparecer do mapa, mais cedo ou mais tarde.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O MEGA-ACELERADOR VAI ACABAR EM NITERÓI

Paranóicos do mundo inteiro estranham a falta de notícias sobre o LHC, o mega-acelerador de partículas construído na maior moita, durante mais de 20 anos, por centenas de cientistas e milhares de trabalhadores braçais de dezenas de países. O LHC entrou em funcionamento em setembro passado, num túnel circular subterrâneo, cavado na fronteira franco-suíça, com o objetivo de recriar os instantes iniciais do Universo, o Big Bang com trilha sonora e o escambau.
Lembram que em dezembro, ou seja, este mês, teríamos novidades? Que a engenhoca provocaria colisões de prótons na máxima velocidade, dizem que 99,9% da velocidade da luz? Cadê? Não se fala mais nisso? Morreu o assunto?
Essas colisões teriam como finalidade identificar o Bóson de Higgs, que uns e outros chamam de “Partícula de Deus”. Houve quem temesse que o treco poderia abrir buracos negros capazes de engolir o planeta, todo o Sistema Solar, o que inclui Niterói e São Gonçalo.
O LHC (também conhecido como Colisor de Hádrons) é um super-super-super-super-super-acelerador de partículas e hoje corre o risco de ficar que nem o sincrociclotron que o governo brasileiro comprou em Chicago na década de 40 e, sem saber o que fazer com aquilo, mandou para Niterói.
Em 2002, fui entrevistar César Lattes por outro motivo e, quando falei que morava em Niterói, o grande físico brasileiro, descobridor da partícula méson-pi e garfado na entrega do Prêmio Nobel de 1950 pelos ingleses, foi logo perguntando pelo sincrociclotron.
A resposta estava na ponta da língua porque, antes de viajar para Campinas, tratei de me informar sobre o assunto com dois amigos, o professor Antônio Serbeto, do Instituto de Física da UFF, e o historiador Emmanuel de Macedo Soares, que conhece todas as versões oficiais e extra-oficiais da terra de Araribóia nos últimos 400 anos.
César e Marta Lattes, foto minha

A história do sincrociclotron niteroiense é do senhor cacete! Pode ser considerado hoje um aceleradorzinho de meia tigela perto do LHC, mas na época era o que havia de mais "muderno", era "tequinologia de ponta"!
Só que quem o trouxe dos EUA não entendeu como funcionava e não soube explicar ao pessoal da Universidade o que fazer com aquela joça. César Lattes, que morou uns tempos deste lado de cá da Poça, num lugar chamado Matapaca, em Pendotiba (mas não teve nada a ver com a tal compra), teve um acesso de riso quando soube que o troço fora canibalizado e só então passou a ter alguma utilidade.
“Os meninos fizeram muito bem!”, reagiu.
Não foi só isso. Como o pessoal do governo (a UFF não teve culpa) não sabia o que fazer, colocaram o sincrociclotron numa sala grande, com a porta trancada a sete chaves. Um "burocra" foi contratado para tomar conta. Ganhava só para ir todos os dias para o “local de trabalho”, a bordo de um carro oficial, com motorista e tudo. Quando dava na telha, o cara abria cuidadosamente a porta para ver se estava tudo bem, de segunda a sexta, com horário de almoço. Antes de encerrar o expediente, às cinco da tarde, dava uma última espiada, tirava o paletó da cadeira e se mandava. Consta que, às sextas-feiras, até desejava “bom fim de semana” ao sincrociclotron. Isso até se aposentar. Depois disso, o sincro (vamos ser íntimos) já estava tão enferrujado que ninguém mais teve medo da coisa.
Bom, essa parte do burocrata não sei se é verdade, mas não duvido nada.
Antes que algum folgado aparecesse na salona e usasse o acelerador de partículas já meio mambembe para fazer cafezinho, os físicos da nova geração, já no tempo em que o lugar virou da UFF (Universidade Federal Fluminense), tiveram a boa idéia de partir para a ignorância e ir levando os pedaços do sincro que poderiam ter utilidade em seus trabalhos de pesquisa. Pelo menos, foi o que me contaram.
Ouvi muito boas histórias de Lattes e de sua mulher, Marta, que fora sua aluna na USP. Em 2002, moravam no bairro campineiro de Barão Geraldo, perto da Unicamp, não muito distante da casa do meu amigo Bruno Ribeiro.
Num país cheio de celebridades como o nosso – modelos, manequins, apresentadores de TV, rainhas de bateria, atores de Malhação, ex-namoradas do Ronaldo, todo mundo é celebridade! –, encontrei um ser humano verdadeiramente importante para a história desse planetinha chinfrin (é o terceiro à esquerda de quem vem do Sol no sentido Júpiter, não tem como errar) e, ao mesmo tempo, totalmente despido de frescuras.
Já era idoso, mas lúcido. O que ele esquecia (foi raro acontecer), Marta lembrava. Ouvia um choro de Pixinguinha num daqueles discos pesados de antigamente, devia ser gravação da Casa Edison. Ele detestava CDs e não confiava nem mesmo nos vinis que surgiram no pós-guerra. Dizia que o grave mais baixo e o agudo mais alto só eram registrados nos discões que colecionava.
Na parede da sala de sua casa, confortável mas sem qualquer luxo, havia um quadro de Portinari, amigão deles. Na tela, o artista retratou uma cena da família de Lattes – um acidente com arma de fogo que, por pouco, não custou a vida dele e do irmão, que brincava com a arma do pai. Uma terceira figura no quadro era a mãe de ambos, horrorizada com a quase tragédia. Foi tudo verdade e a pintura foi feita depois que Portinari ouviu a história.
Quando deixou Londres e veio para a América do Sul fazer a pesquisa de campo, num observatório dos Andes bolivianos - e que resultou na descoberta do méson-pi -, César Lattes teria morrido se pegasse o avião errado. A passagem já estava comprada na companhia inglesa British qualquer coisa. Vivia um tempo difícil, no pós-guerra, e a comida era escassa na Inglaterra (lembram do filme "Nunca te vi, sempre te amei", com Anthony Hopkins?). Quando soube que o serviço de bordo da Panair do Brasil era muito melhor, o cientista trocou de vôo para ter direito a um bife suculento. Fez bem: o avião inglês caiu na África e o contrafilé estava ao ponto. Ele ainda viveria muito tempo, só morreu em 2005.
A melhor história de todas, porém, ainda está por acontecer. Faltam exatamente quatro anos para isso.
Depois de ter sido jogado para escanteio por ocasião da entrega do Prêmio Nobel de 1950 (Cesar Lattes e o italiano Giuseppe Occhialini, seu parceiro nas descobertas, tiveram os nomes omitidos e quem ficou com os louros da descoberta do méson-pi foi o chefe deles no laboratório da Universidade de Bristol, Cecil Powell), um dia encontrou-se com o físico dinamarquês Niels Bohr, Prêmio Nobel de 1922, pioneiro da energia nuclear e inimigo da bomba atômica.
Bohr disse-lhe que foi um absurdo não ter sido premiado e que sabia o porquê. Prometeu contar tudo numa carta que seria aberta 50 anos depois de sua própria morte. A carta, se existe mesmo, se não foi lero-lero do escandinavo, pode estar escondida em alguma gaveta do Instituto Niels Bohr, em Copenhague.
Se, até lá, o mega-acelerador LHC não der chabu e o planeta não desaparecer no meio do Nada Cósmico, os adeptos de teorias conspiratórias, entre os quais me incluo, vamos aguardar, ansiosos, a chegada do dia 18 de novembro de 2012 (o sábio dinamarquês morreu neste dia e mês em 1962) para saber o porquê da sacanagem que fizeram com esse brasileiro tão importante.
Tão importante e, ao mesmo tempo, tão simples, que virou até personagem de samba-enredo da Mangueira (“Ciência e Arte”, 1947), de autoria de Cartola e Carlos Cachaça.

César Lattes e o entrevistador em 2001, foto de Marta Lattes