
Parece piada, mas dizem que realmente aconteceu.
Cada testemunha, nenhuma ocular, tem uma versão: foi no Globo, foi no Dia, foi no JB. A primeira vez que ouvi a história, no início dos anos 70, dava como ambiente de trabalho a sala de reportagem da Rádio JB.
O telefone toca. O repórter, de saco cheio com tantos malucos ligando para a redação, atende mal a pessoa que está do outro lado do fio e que lhe pedia uma informação. E ouve em seguida um esporro acompanhado da frase famosa:
– Você sabe com quem está falando?
– Não.
O homem se identifica como diretor não sei do quê.
O repórter não se perturba. E devolve no mesmo tom:
– E o senhor? Sabe com quem está falando?
– Não.
– Ainda bem.
E desliga.
O telefone toca. O repórter, de saco cheio com tantos malucos ligando para a redação, atende mal a pessoa que está do outro lado do fio e que lhe pedia uma informação. E ouve em seguida um esporro acompanhado da frase famosa:
– Você sabe com quem está falando?
– Não.
O homem se identifica como diretor não sei do quê.
O repórter não se perturba. E devolve no mesmo tom:
– E o senhor? Sabe com quem está falando?
– Não.
– Ainda bem.
E desliga.



Um comentário:
Olha, Zé, pode ser apenas mais uma versão. Mas a primeira vez em que ouvi essa história foi na velha redação do Globo, na Irineu Marinho, 35, lá pelos idos de 1972, e os personagens eram o eterno Dr. Roberto e um contínuo inidentificado. Pode ser que algum redator mais criativo simplesmente a tenha recriado, depois de ouvi-la em outro quadrante - até porque o Dr. Roberto é o melhor personagem a se enquadrar nela, seja original ou não. O fato é que a ouvi num dia de semana qualquer, ao chegar de manhã e passar na chefia de reportagem para pegar minha pauta. Quem me contou foi o Luciano Bode, o mais querido e um dos mais competentes chefes de reportagem que um jornal jamais teve. É verdade que Luciano tinha (ótima) fama de recriar histórias - ele as melhorava, tanto na verossimilhança dos personagens como nos detalhes de cenário e tempo, que ficavam mais vívidos e ricos. Então, pode ser que o relato dele para mim tenha sido apenas mais uma dessas versões melhoradas. Mas que o relato se enquadrava como uma luva nos personagens e na época, ah, isso era verdade. Era assim. De casa, o Dr. Roberto ligou para saber alguma coisa. O contínuo, que estava de paquete, rebateu meio grosseiro: "Quem é que tá falando?" Ele respondeu: "É o Roberto Marinho." O contínuo achou que era trote e disse: "Cara, vai se foder." Dr. Roberto se irritou. Perguntou: "Sabe quem está falando aqui?" E emendou sem respirar: "É o Roberto Marinho!" E o contínuo, ouvindo aquele timbre rouco numa frase mais longa, percebeu que era ele mesmo - e que estava numa fria. Mas não perdeu a linha: "E você, sabe quem está falando aqui?" O Dr. Roberto disse: "Não." E o contínuo: "Ainda bem." Desligou o telefone e escafedeu-se da redação, fazendo o possível para não ser notado por ninguém.
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