sexta-feira, 29 de maio de 2009

ELE NÃO PASSA DE UM XEEEEPEEEEEIROOOOOO!!!!!!


O locutor Orlando Batista fez história no rádio. Descobriu um filão: na emissora em que trabalhava, a Mauá, jamais deixou de cobrir os jogos de seu time, o Vasco da Gama, a segunda torcida mais numerosa do Rio de Janeiro. Tinha público certo e, por ser tão focado em audiência, seu programa sempre foi patrocinado pela cerveja Antarctica.
Na mesma Rádio Mauá, pilotava um programa no fim da tarde, “A turma do bate-papo”, que sempre iniciava dando boa-tarde a todas, rigorosamente, todas as categorias profissionais, não esquecia nenhuma.
Certa tarde, chegou furibundo à emissora porque o colunista Zózimo Barrozo do Amaral, do Jornal do Brasil, o havia criticado por alguma mancada durante o programa.
Orlando deu o troco no programa que reunia os repórteres da Mauá, cada qual fazendo uma resenha do dia-a-dia nos clubes que cobriam. Só que dedicou quase o programa inteiro a espinafrar Zózimo.
Isso depois dos numerosos boas-tardes. “Boa tarde, motoristas de ônibus, caminhões e carros particulares! Boa tarde, garçons, auxiliares de cozinha, cozinheiros, cozinheiras, sapateiros, lanterneiros, protéticos, encanadores, costureiras, médicos, enfermeiros e pacientes dos nossos hospitais! Boa tarde, porteiros de edifícios, sapateiros, guardas de trânsito, policiais...!”, e por aí vai.
Meia hora depois de cumprimentar todo mundo, gastou a meia hora restante do programa para se defender da nota publicada no JB. Falou algo assim:
– No programa de hoje não vamos falar de futebol, vamos falar de um cidadão que nos atacou injustamente através de sua coluna social, que é lida somente pelas madames, pelas dondocas da sociedade, que não têm nada o que fazer na vida. O senhor Zózimo Barrozo do Amaral teve a ousadia de nos criticar covardemente, desonrosamente. Sabem quem é este Zózimo? Meus amigos, este senhor Zózimo é conhecido por filar a bóia dos ricaços do Rio de Janeiro. Ele chega quando o jantar já está servido e come os restos. Parece até aquele pessoal que chega sempre no final da feira para comprar os legumes mais podres e mais baratos. A diferença é que ele não paga nada. Seu Zózimo não passa de um xepeiro das mesas dos grã-finos. É isso que ele é, um XEPEEEEIROOOO! XEPEEEEIROOOO!
E repetiu muitas vezes a palavra.
No JB, foi o assunto daquele e dos dias seguintes. Como as editorias ficavam em salas fechadas, sempre que Zózimo acabava de passar, algum engraçadinho ia até a porta e berrava:
– XEPEEEIROOO!
Consta que até o pessoal do comando da Redação participou da gozação. E Zózimo ficou, ficou sim, eu vi, muito, mas MUITO puto da vida mesmo com aquela palhaçada.

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