quarta-feira, 13 de maio de 2009

BARRETO ERA PINTO PERTO DESSA GENTE


O cidadão ao lado, Edmundo Barreto Pinto, foi o primeiro político brasileiro que teve o mandato cassado na história republicana, por ter posado de cueca para uma foto publicada na revista “O Cruzeiro”. Isso aconteceu em 1946. Barreto Pinto perdeu o mandato por quebra do decoro parlamentar. Seus colegas da Câmara dos Deputados tomaram a decisão porque avaliaram que a foto ridicularizava todo o Poder Legislativo.
Hoje, outro deputado, Sérgio Moraes, foi afastado da relatoria do conselho de ética por ter afirmado que se lixava para a opinião pública. Mas ganhou logo o apoio do líder do governo, Cândido Vacarezza, e está recebendo muitos tapinhas nas costas.
Moraes, cujos (maus) antecedentes criminais também foram fartamente divulgados pela imprensa, anunciou que vai recorrer ao Supremo. Decoro parlamentar? O que é isso mesmo?
O barulho de fundo para tanta esculhambação é produzido pela orquestra desafinada do programa humorístico PRK-30, do tempo do Barreto Pinto.

7 comentários:

Felipe Quintans disse...

, os aúdios que complementam os textos são demais. Essa da PRK-30 você pegou no fundo do baú. Velhos tempos dos "speakers" Megatério Nababo D'alicerce, e Otelo Trigueiro.

Beijo.

Emmanuel disse...

Luís Botelho, que foi deputado e secretário de Saúde do Estado do Rio, me contou. Sabia bem da história, porque seu pai, Jônatas Botelho, morreu chefe de Arquivo da revista O Cruzeiro. O deputado Barreto Pinto era inocente. No caso da foto de cueca, claro, porque, como bom deputado, certamente cometeu muitos outros atentados aos pudores físicos e éticos da Nação. A coisa aconteceu assim: a reportagem de O Cruzeiro tinha marcado uma entrevista. Bem cedinho, porque o homem tinha compromissos inadiáveis. Os coleguinhas chegaram e encontraram o Barreto sans-dessus, começando a se vestir. O fotógrafo (quem foi, Zé? Esse nome não pode ser perdido!) encantou-se com uma estatueta que viu numa das trezentas salas do palacete e decidiu: é ali. Dada a pressa do Pinto, ficou combinado que não precisava vestir a casaca toda. Firmou-se a promessa, jurada por todos os santos, que a foto seria de meio busto, as partes baixas do Pinto não teriam a menor importância. Rolleyflex clicaca, negativo banhado em todos os ácidos e sais, surgiu essa imagem que aí se vê. Você cortaria a foto, Zé? Nem eu. Nem ninguém, de qualquer jornaleco, mais chinfrim que fosse. E deu o rebu que deu, apesar da cuequinha comportadíssima do Pinto, tão comprida quanto a farda do mais austero marechal inglês servindo na Índia e dez vezes maior que as futuras sungas do presidente Figueiredo. Bem feito. Quem manda acreditar em promessa de fotógrafo?

zé sergio disse...

O David Nasser, que escreveu a matéria, depois assumiu que tinha sido tudo uma armação. Como o Barreto era também autor teatral, metido com artes, não era nada conservador e topou parte da brincadeira. O fotógrafo, adivinha, foi o Jean Manzon.

Maysa disse...

Zé Sérgio

"Navegar é preciso...viver, não é preciso", será?
Devagarinho, vim do liberatinews,navegando cheguei à esta praia. Adorei a foto, aqui aprendi que é do Jean Mazon. Emblemática, se fizerem uma pesquisa fica entre as dez mais famosas de todos os tempos,dentro da terra de Sta Cruz.
Iguala com a do Gal Figueiredo, já presidente,e o efeito perfeito do quepe de outro general,no plano de fundo.Outra ainda, a dos pés do Pres. Jânio, posicionados vis-à-vis e sua cara de espanto.
Visite meu blog, não é de jornalista,e suas vastas experiências, apenas de uma carioca, com tempo e motivação.
Abcs

José Sergio Rocha disse...

Oi Maysa, bem-vinda a bordo do trem. Ainda mais vinda da praia do Liberati. Você só esqueceu do endereço do teu blog, manda aí.

Quanto às fotos, além dessas ótimas que você chutou, lembro também de outras que dizem muito ao Rio e aos cariocas: a famosa bicicleta do Pelé (Alberto Ferreira ou Erno Schneider, agora deu um branco), o Cristo Redentor emoldurado pela lua (Custódio Coimbra, depois copiado por um monte de gente), os 360 graus da Passeata dos Cem Mil (Evandro Teixeira), o garotinho atrapalhando a marcha dos soldados (??) e a fantastica foto do Carlos Drummond de Andrade no calçadão feita por meu chapa Rogério Reis e que depois virou estátua igualzinha à foto, e outras e mais outras bacanas.

Maysa disse...

Zé Sergio,

Voltei.Aproveito para lembrar da foto do Pixinguinha, na cadeira de balanço,de autoria do excelente Walter Firmo.
Para ir pro blog basta v.clicar em cima do meu nome, aqui nos comentários. Mas o endereço é:

http://oninhoeatempestade.blogspot.com
Abcs
Maysa

zé sergio disse...

A do Pixinguinha, claro, do Mestre Walter Firmo. Lembro que quando o Paulinho da Viola fez 60 anos um fotografo, acho que do Globo, "citou" essa foto, fazendo outra, ótima, com o proprio Paulinho. Foi inspirada, claramente, na do Pixinguinha. Entendi como uma bela homenagem ao W.Firmo. Vou entrar na tua página e acrescentar aqui no Veja ilustre passageiro.