sexta-feira, 29 de maio de 2009

O ESPAÇO DO JORNAL NÃO É DE BORRACHA


Quem conta é o Romildo Guerrante, repórter que circula com desembaraço entre Paris e São Gonçalo:
"Zé Silveira chefiava a reportagem do JB numa fase difícil, meados da década de 70, acumulando a chefia – que dividia com Lutero Soares – com a edição do jornalão. Um belo dia encomendou uma matéria especial de domingo a um grupo de repórteres. A matéria seria coordenada por Sérgio Fleury, repórter apurador meticuloso e de texto corretíssimo, que fazia parte de uma trupe privilegiada de 16 repórteres especiais.
Quem fazia as tais matérias ditas "dominicais" ficava fora da pauta do dia a dia. Não me lembro o tema, acho que era Baía de Guanabara. As dominicais eram matérias mais extensas, tinham 10/12 laudas, e geralmente assinadas, o que encantava a geração de repórteres a que pertenci, porque lhes reconhecia o valor e os identificava no mercado. Naquela época só se assinava matéria de domingo, e assim mesmo se fosse muito boa. Durante a semana, só assinava matéria o repórter que produzisse algo muito especial, fora do comum, ou que tivesse exigido algum esforço excepcional.
Uma semana depois, o Fleury bota cerca de 30 laudas da encomenda sobre a mesa do Silveira. Quando Silveira chega do almoço e dá de cara com aquele pacote sobre a mesa, chama o Fleury, que vai lá no aquário com as mãos para trás. Silveira, alternando o olhar nos olhos do Fleury com as páginas sem fim que folheava daquele pacote, perguntou:
– Fleury, essa matéria tem prefácio?".

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