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segunda-feira, 26 de julho de 2010

WILSON GREY E JOHN WAYNE NA TERRA DO SOL



A expressão de Wilson Grey era a mesma, e a idade talvez seja também. Em 1975 ou 1976, sei lá, o grande buchicho na minúscula Travessa Ator Jayme Costa era a competição sobre quem seria o ator recordista de filmes do planeta. Nós, do curso de Cinema da UFF, por motivos patrióticos, sentimentais, corporativistas, ideológicos e etílicos, torcíamos descaradamente pelo eterno vilão do cinema nacional. Ainda mais porque seu competidor direto era John Wayne, o cowboy americano, o sobrinho favorito do Tio Sam e do Tio Patinhas.
Enfim, Wilson Grey era a esquerda latino-americana, e John Wayne, o capitalismo imperialista. A competição ganhou as páginas do Caderno B e de outros suplementos culturais. A coisa ficou animada.
Tudo bem que outro brasileiro, o grande José Lewgoy, também era um vilão, só que refinado, chefe de gangue, mentor de crimes horrendos, por vezes até usando monóculo.
Wilson Grey era o vilão pobre, suburbano, de má formação dentária, semialfabetizado que tentava “falar difícil”. Lewgoy era um grande ator e cansou de atuar em papéis principais. Grey foi o melhor dos nossos coadjuvantes e só uma vez na vida (“O mágico e o delegado”) teve o papel principal.
Virou uma espécie de programa de alguns alunos de Cinema dar uma passadinha na travessinha da Cinelândia, onde atores e técnicos se reuniam para saber das novidades – quem estava filmando, onde poderia pintar trabalho etc.
Nosso barato era entrar na conversa daqueles malandros velhos, tentar uma vaguinha qualquer nos filmes. A coisa sempre terminava ali bem perto, no bar Tangará, para fechar o fim de tarde com as primeiras doses da noite.
Foi nessa época que meus chapas Albertino da Paz Ferreira e Chico Moreira tiveram a ideia de fazer um filme no Jockey Club, na Gávea. Me chamaram para cuidar do som, pilotando um sensacional e moderníssimo gravador Nagra. Moderníssimo foi modo de dizer.
O título da pantalla seria “Ponta e Placê”. Tomada a decisão, pegamos o Nagra 4 e a Arriflex BL 16 mm que a Embrafilme sempre emprestava aos alunos da UFF e partimos rumo ao prado. Foram vários dias de filmagem. Falamos com treinadores, jóqueis, bilheteiros que sempre queriam nos passar uma barbada (davam falsas barbadas para todos, na esperança de ganhar um qualquer, caso o chute desse certo) e até com o Bolonha, figura imponente e folclórica do lugar, neto ou bisneto do Duque de Caxias e eterno adversário da família Paula Machado.
Minha geração foi marcada por muitos projetos irrealizados e o “Ponta e Placê” foi um deles. Ficou só no copião, esquecido em algum canto do IACS (Instituto de Artes e Comunicação Social) da UFF.
O diretor Albertino sumiu da área por uns tempos, depois resolveu ficar somente com seu emprego no Banco do Brasil. O fotógrafo e montador Chico Moreira conheceu Sílvio Tendler, com quem trabalhou nos documentários sobre Juscelino e Jango. E eu resolvi que seria só jornalista, que esqueceria aquele negócio de virar roteirista.
Mas esse projeto, mesmo não tendo ido adiante, teve um “the end” à altura. Numa das filmagens na parte externa do hipódromo, perto da bilheteria, havia um telão para que os apostadores que não queriam ver a corrida lá dentro, nas cadeiras, pudessem acompanhar os resultados de cada páreo ali fora.
Adivinhem quem estava lá. Ele mesmo, Wilson Grey.
Malandro de raciocínio rápido, bastou ver aqueles três garotos empunhando Arriflex, Nagra, pau de luz e claquete para ficar no enquadramento perfeito. Coisa de profiça. Olhando o telão, atento, mordendo a haste dos óculos, simulou que havia acertado o cavalo ganhador e deu até um pulo para comemorar.
“Corta!”, disse o Albertino, emocionado com a cena.
No que o velho ator vibrou:
“Eu, eu, eu! John Wayne se fodeu! Ganhei, porra! Com este, são 251 filmes!”.
Na verdade, não lembro o número de filmes que ele citou. O fato é que John Wayne teria feito 250 filmes, quase 99% deles como ator principal. Dane-se! Wilson Grey correu por fora, passou o alazão ianque e venceu por uma cabeça, sem necessidade de esperar o photochart para conferir.
Quer dizer, foi o que pensamos na ocasião.
Infelizmente, Wilson Grey morreu puto da vida com essa história de recorde. Parece que do John Wayne ele ganhou mesmo, em quantidade de filmes. Mas na última volta, surgiu do nada, em outra raia, um fdp de um ator indiano, pioneiro daquilo que ficaria mais tarde conhecido como Bollywood.
Superou, por um ou dois filmes, o verdadeiro homem que matou o facínora e o inimigo de Oscarito e Grande Otelo.
E ainda deve ter comemorado à moda Grey:
“Eu, eu, eu, o Ocidente se fodeu!”.
Na trilha sonora, "Os Bohemios", de Anacleto de Medeiros, com o Art Metal Quinteto.

BAR NATAL, UM FILME FEITO SOB EFEITO DE ÁLCOOL


O filme "Bar Natal", dirigido por Wilson Paraná, na época aluno do curso de Cinema da UFF, pode ser encontrado no Youtube. Os frequentadores habituais, 30 anos mais novos, falam bobagens (o som é péssimo, ainda bem) e bebem cerveja e destilados em quantidades absurdas. O âncora da esbórnia é o Lauro Faria. O bar fechou dias depois dessa filmagem para ser demolido e dar lugar a um shopping. Foi divertido enquanto durou.

GP POR GP, PREFIRO OS CAVALINHOS

Automobilismo não é esporte. É um negócio que movimenta muito dinheiro. Felipe Massa e Fernando Alonso ontem reviveram o papelão de Rubens Barrichello e Michael Schumacher em 2002. Falam tão mal do turfe mas não vejo diferença. Foi escandalosa a atitude da Ferrari enquadrando o piloto brasileiro. No turfe, até troca de cavalos já houve, mas acho um negócio – sim, um negócio – mais divertido. Já fui chegado ao turfe no tempo em que fazia o curso de Cinema da UFF e um colega teve a ideia de fazer um curta em 16 mm no hipódromo da Gávea. Durante alguns anos, andei por lá. Ganhei algumas vezes, sempre apostando em pangarés com nome de filme. Era solteiro e, certa vez, voltei para casa com o dinheiro do aluguel tirado das patas de um azarão chamado High Noon. Parei antes de me viciar, mas bem que eu gostava de ver os cavalinhos na pista. Havia muita fofoca. Por exemplo, no dia do aniversário de determinado treinador, o G., o cavalo montado pelo jóquei P. sempre vencia no terceiro ou quarto páreo. Fraude, sim, porém café pequeno diante desse episódio acintoso da Ferrar e dos valores envolvidos.

domingo, 25 de julho de 2010

SETE PERGUNTAS PARA O PAI DO GOOGLE


Muito antes da internet, programas de rádio ensinavam o significado de palavras e tiravam dúvidas sobre temas diversos. Um major da PM, por exemplo, se apresentava no Programa César de Alencar, da Rádio Nacional, com o próprio nome. O quadro se chamava “Romário, o Homem-Dicionário”. Na Rádio JB havia o programa “Pergunte ao João”, sobre o qual acabo de ler na Wikipedia:
“Programa criado pela Rádio Jornal do Brasil do Rio de Janeiro em 1960, também exibido pela TV Rio canal 13 à partir de 1963, com apresentação de Irene Ravache. O programa constituia em perguntas dificeis, feitas pelos ouvintes ou telespectadores, sobre temas diversos, que sempre eram respondidas por seu criador, o pesquisador e professor, João Evangelista. O programa teve tanto sucesso que foi lançado um livro em 1962 pela editora Conquista. De acordo com definição de muitos saudosistas de hoje, o "Pergunte ao João" era uma espécie de Google da época, tirando as dúvidas dos mais variados assuntos”.
Humor tira férias?
Interessante a preocupação com os programas de humor que, a partir do início da campanha presidencial, estão impedidos de levar ao ar quadros que ridicularizem os candidatos. Assustador que os jornais chamem de “repórteres” os cômicos do abominável CQC e do indigente Pânico na TV. Hilariante que os “cassetas” digam que não existe a intenção de “prejudicar um ou outro candidato”. Mas o humor "editorial" não tira férias. Será que as trupes citadas vão dar um jeito de esculhambar (preferencialmente) a Dilma, (com suavidade) a Marina e (falando de feiúra e outras bobagens que não dizem nada ao eleitorado) o Serra?
A IstoÉ foi na mosca?
Diz a revista IstoÉ que o inacreditável candidato a vice Índio da Costa, o da merenda escolar, que tentou vincular o partido do governo ao narcotráfico colombiano e foi “repreendido” pela campanha de José Serra, não falou sozinho. Índio apenas teria deflagrado a estratégia de espalhar pânico pré-eleitoral. Na mesma edição da IstoÉ, uma boa lembrança: Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, paparicou as FARC em 1999, quando era secretário-geral do partido e líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso. O PSDB tem algum trato com o narcotráfico?
Endereço certo?
Wanderley Luxemburgo acaba de se oferecer para ajudar o novo técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, “no que for possível”. É aí que mora o perigo? Devemos fazer como o índio amigo do Kid Morengueira e gritar: "Cuidado, Manôôô"?
Tem vulves vulves no chicken house?
Leio no blog de Paulo Moreira Leite que Sérgio Machado, atual presidente da Transpetro, é o nome do PMDB para suceder Sérgio Gabrielli na Petrobras. Me respondam uma coisa: se eu fosse acionista da empresa, ou ainda fosse petista, começava a chiar desde agora ou esperava 2011?
Quem abiscoitaria o Prêmio David Nasser?
Alguma entidade deveria lançar o Prêmio David Nasser para oferecer ao jornalista que mais se esmerar em ataques levianos ao governo Lula. David Nasser, excelente letrista da música popular brasileira, é hoje mais lembrado pela torpeza dos ataques aos políticos que contrariavam os interesses de seu patrão Assis Chateaubriand e da direita brasileira em geral. Quem é seu candidato, leitor?
Serial ou bacalhau killer?
Mas que estrago que o sujeito andou fazendo, hein? Teria mandado matar o pai adotivo, o matador do pai adotivo, o gerente do restaurante, um garçom, o advogado, um policial que foi investigar e até o pai-de-santo que sabia da encrenca toda. Sete vítimas na cadeia alimentar. Fui uma vez ao Rei do Bacalhau da Ilha e gostei do bolinho. Nem passou por minha cabeça que o dono poderia fazer o papel do vilão de Criminal Minds. Tecnicamente, disseram alguns entendidos, o cara não pode ser considerado um serial killer. É ou não é?
Que filme é este?
Falando no Bacalhau Killer, que tal esse enredo: pai de família exemplar, carinhoso com a mulher e os filhos, recusa-se terminantemente a vender drogas. Por causa disso, outros pais de família zelosos decidem matá-lo. Mas nosso herói morre de causas naturais. Os mandantes do crime, no entanto, são mortos um a um. Esse filme cansa de passar nos canais por assinatura. Só perde para Notting Hill. Que filme é este?
No fundo musical, Ed Lincoln e sua orquestra. Não tenho em casa e nem encontrei na internet a gravação mais conhecida, da Clementina de Jesus.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

I WANT MY MAMMY, I WANT MY MAMMY


Este blog, logo na primeira postagem, alinhou-se à doutrina marxista e, de cara, elegeu os irmãos Marx – Groucho, Harpo e Chico - seus gurus. Eram cinco irmãos no total, mas dois não tinham graça nenhuma. Neste vídeo aí em cima, que meus chapas Lauro Faria e Eduardo Varela me enviaram quase na mesma hora – são dois ratos do Youtube –, os impagáveis Harpo (o mudinho, de cabelo encaracolado) e Chico Marx (que nos filmes vivia a figuraça que era na vida real, um jogador contumaz que só andava duro e extorquindo os irmãos) fazem o diabo num piano, tocando “Mamãe eu quero mamar”, da dupla brasileira Jararaca e Ratinho. O filme “The Big Store” é de 1941. A marchinha, ainda hoje tocada em tudo quanto é bloco de carnaval carioca, foi popularizada nos EUA e no resto do mundo por Carmen Miranda.

sábado, 8 de maio de 2010

O HOMEM QUE SABIA DEMAIS E ASSINAVA TUDO


Mestre do suspense, o inglês Alfred Hitchcock é conhecido também por assinar seu longo trabalho no cinema com criatividade. Os cinéfilos se divertem em lembrar suas aparições - as assinaturas - em cada um dos 40 filmes que dirigiu. Este vídeo do Youtube reúne boa parte dessas cenas antológicas em obras-primas como Psicose, Pacto Sinistro, Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta, Os Pássaros e Frenesi, entre outras. A que gosto mais é o anúncio do remédio para emagrecer no jornal lido por um ator do filme Um barco e nove destinos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A FEIJOADA DE MARCO CARVALHO VIROU FILME


Quando a gente ouve falar em artes marciais, lembra logo de japonês dando porrada em coreano, tailandês descendo o cacete em vietnamita, etc. O karatê e o tae-kwon-do são esportes considerados artes marciais, mas arte mesmo só a brasileiríssima capoeira. Hoje tem academia de capoeira no mundo inteiro, é sensação em Nova York, e coisa e tal, e esse sucesso todo tem origem na resistência dos negros baianos à opressão e à discriminação que sofriam antes e depois da Abolição.
O escritor, cartunista, publicitário e técnico processual do Ministério Público Marco Carvalho, um cara tranquilo como todo bom capoeira (o cara só é meio doido, veja na foto acima), teve há alguns anos a idéia brilhante de romancear a história de Manoel Henrique Pereira (1895-1924) no livro “Feijoada no Paraíso – A Saga de Besouro, o Capoeira”, lançado pela Record.
Manoel não era outro senão o famoso "Besouro Cordão de Ouro", lendário capoeirista de Santo Amaro que também foi imortalizado no samba "Lapinha", dos gênios Baden Powell e Paulo César Pinheiro (som na caixa, no gogó de Elis Regina Carvalho Costa!).
É, portanto, baseado em fatos reais o livro que mostra as aventuras e desventuras de Besouro nos anos 1920. O melhor de tudo é que a bela idéia do Marco virou filme – o longa-metragem "Besouro", do diretor de filmes de publicidade João Daniel Tikhomiroff, que estreia em outubro.
É superprodução aguardada por quem gosta de bom cinema porque vai abordar culturalmente esse esporte que é mais arte do que luta, sem aquelas besteiradas produzidas em Hong Kong.
Filme chato à vista? Engano seu. Inspirada na verve e na pesquisa séria do Marco Carvalho, a roteirista Patrícia Andrade (“Os 2 filhos de Francisco”) entregou um belo enredo a João Daniel, que passou três meses no Recôncavo Baiano rodando o filme, com a participação de capoeiristas locais no elenco, preparados por Fátima Toledo (“Tropa de elite” e “Cidade de Deus”). Para as cenas de porradaria, foi trazido da China o coreógrafo de ação Hiuen Chiu Ku, o mesmo de “Matrix”, “Kill Bill” e “O tigre e o dragão” – que são uns cocôs de filmes, mas não por causa dos efeitos especiais fantásticos do - sem ofensas - Mister Ku.
Meu chapa Marco Carvalho, que tem como outra grande qualidade a paixão pelo Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, já decidiu até o que fazer com o dindim dos direitos autorais dessa feijoada que virou filme e que, com certeza, correrá o mundo: vai apresentar sua tia e fã nº 1 do Léo Batista ao veterano locutor do "Globo Esporte" e pagar um fim de semana (vatapá, bombom Sonho de Valsa e champanhe incluídos) para o casal, no melhor hotel da Ilha de Itaparica.

domingo, 21 de junho de 2009

O QUEBRA-CABEÇAS QUE VIROU DOCUMENTÁRIO


No auge da crise dos dissidentes soviéticos, achei graça do título do livro “Sobreviverá a União Soviética até 1984?”. O historiador Andrei Amalrik, um dos dissidentes mais conhecidos, errou por pouco: quatro anos depois, Mikhail Gorbachev anunciava o fim da Cortina de Ferro e no ano seguinte, 1989, caía o Muro de Berlim.
Ri daquele título porque me lembrou “Eram os deuses astronautas?”. Ou seja, parecia ficção científica de quinta categoria. Mas não, era profecia pura.
Quando termina o documentário “Razões para a guerra”, a pergunta que a gente faz é outra: quando vai cair esta nova Roma chamada Estados Unidos da América?
Não sou anti-americano. Se for enumerar todos os ianques que admiro, vou perder a conta, e entre eles estão incluídos alguns presidentes – Abraham Lincoln, Franklin Delano Roosevelt, Jimmy Carter e, torço por ele, Barack Obama. Sou também fã do cacique Touro Sentado (pela surra que deu na 9ª Cavalaria), do Martin Luther King, do Louis Armstrong, do Duke Ellington e, para não acharem que sou racista, também sou fã do Francis Albert Sinatra. E outros milhares.
Apesar daquele crítico de barbicha, Rubens Ewald Filho, ter achado o filme chato, é uma aula de História. Eu sabia que as bombas de Hiroxima e Nagasaki vitimaram civis, mas desconhecia até agora, por não ter lido Gore Vidal, que os japoneses tinham passado os últimos meses antes dessas bombas tentando se render.
O alvo daquelas bombas não foi o Japão, foi Stalin, isso eu sabia, mas não com tantos detalhes. Foi uma declaração de guerra. A Guerra Fria.
O filme mistura cenas reais da Segunda Guerra Mundial às duas invasões do Iraque. Tem personagens interessantes. Um policial aposentado que viu do metrô a explosão das duas torres, e numa delas estava o filho dele. Um cara de 21 anos que, literalmente sem pai nem mãe, e sem um puto no bolso, resolveu se alistar porque a guerra era o único mercado que enxergava. Uma militar do Pentágono que ficou enojada daquilo tudo e pediu demissão. Dois pilotos que só faltavam chorar de emoção por terem lançado bombas em Bagdá que só fizeram vítimas civis, mas nem eles sabiam, tanto tempo depois. Um médico iraquiano, revoltado, porque no hospital de campanha só chegavam crianças e mulheres, nenhum militar. Outro iraquiano, que pegou na veia: “Míssil inteligente? Caiu sobre esta casa e matou uma família”.
O filme, ao contrário do que diz o bestalhão que morre de amores pelo Hugh Grant, monta as peças do quebra-cabeças chamado “Complexo Industrial Militar”. A expressão foi usada pelo presidente Eisenhower – um republicano, o general que comandou os Aliados contra o nazismo – para alertar o povo americano de algo terrível: a indústria armamentista havia se tornado poderosa demais e era preciso contê-la.
O Complexo Industrial Militar é um tripé que envolve as Forças Armadas, a indústria e o Congresso americano. E aí outro fato que eu desconhecia: cada projeto dessa indústria tem a fabricação de suas peças distribuídas pelos estados. Se alguém defende o fim de um deles, sempre aparece um deputado para defender os 100 empregos que gera, ou melhor, os 500 votos que representa.
Esta indústria, como sabemos, chegou a ponto de inventar, na era Bush-Cheney, um novo negócio chamado "terceirização da guerra", que envolveu a "livre iniciativa" na fabricação de privadas e de centenas de outros itens não necessariamente bélicos que enriqueceram a Halliburton e outras empresas.
Eugene Jarecki, o diretor, deu ao filme o mesmo título original, “Why we fight?” (Por que nós lutamos?), dos filmes de propaganda feitos por Frank Capra para o Pentágono, com o objetivo de levantar o ânimo dos americanos na guerra contra o nazifascismo, a última guerra justa da qual os EUA participaram no século XX.
Acabei de devolver. “Razões para a guerra” foi produzido pela Sony em 2005 mas só agora entrou nos catálogos das locadoras.
Acrescento: pior de tudo é que, quando cair, a gente talvez tenha saudade dos ianques. Já imaginou um mundo bipolar tendo, de um lado, a China, e de outro, uma potência árabe?

domingo, 24 de maio de 2009

CLINT EASTWOOD É QUEM DEVIA DIRIGIR O BRASIL

“Sete vidas” tem ótimo argumento. Um cara (Will Smith) sente-se culpado da morte da mulher e mais seis pessoas num acidente de trânsito que provocou, por negligência ao volante. Resolve se suicidar e doar seus órgãos. O filme é sobre a procura de sete pessoas que devem ser justas, solidárias, legais. Genial. Só que a direção (não guardei o nome do diretor) é ruim e, portanto, o filme é malfeito, chato, meloso e arrastado. Esse filme é que nem o Brasil. Um enredo de primeira desperdiçado por maus diretores. Na mesma tarde, peguei na locadora “A troca”, mais um filmaço de Clint Eastwood. Eu não tinha visto no cinema. Por acaso, minha última ida ao cinema, há semanas, foi para ver “Gran Torino”, também do Clint.