terça-feira, 5 de maio de 2009

EM CUJA AVENIDA SE DEU O DESASTRE


Mais uma do melhor dos Macedo Soares: "Dalton Feliciano Pinto e Sindulfo Santiago tinham um jornal, o Diário do Comércio, ali na Rua da Conceição. A exemplo dos outros jornais, não tinha fotógrafo, as fotos eram compradas ao Manoel Alves. Custavam caro, e depois ainda tinham de ser transformadas e clichês pelo Zé Figueiredo, o que também não era barato.
Por isso são raras as fotos nos jornais daquela época. As poucas que a gente encontra, de artistas de cinema, autoridades e políticos, eram distribuídas já em clichê pelos interessados em divulgá-las. O governo era mestre nisso, mandava aqueles clichês propositadamente enormes com a cara do presidente da República, do governador, deputado, prefeito e catervas.
Pois bem. A dois passos dali, na avenida Amaral Peixoto, houve um dia um desastre pavoroso, em que dois carros bateram, pegaram fogo e morreu todo mundo. Ou porque nem Sindulfo nem Dalton estivessem na redação, ou porque a caixa do jornal estava mesmo baixa, não se chamou fotógrafo. O jeito foi procurar no arquivo de clichês algum que fosse o mais compatível possível com o acontecimento.
No dia seguinte, o Diário do Comércio chegou às bancas com uma gigantesca foto do ex-governador Amaral Peixoto na primeira página, e, por baixo dela, a legenda:
Amaral Peixoto, em cuja avenida se deu o desastre de ontem”.

Nenhum comentário: