sexta-feira, 29 de maio de 2009

DUELO DE TITÃS: TADEU E CARLOS SILVA. NO BANCO, AZIZ


Mão-de-vaca, mão-de-porco, mesquinho, muquirana. Podem chamar o avarento de tudo que ele não está nem aí. Os outros é que são perdulários, ele apenas econômico. Tem pão-duro em todo lugar e a imprensa não podia ser diferente. Houve uma cena dentro de uma igreja, não lembro exatamente o que um monte de jornalistas fazia lá. Quando a sacolinha começou a passar, o repórter Wilson Tosta, do Estadão, não desgrudava os olhos do Aziz Filho. Tosta ficou indignado: “Viu também? Foi uma moeda de cinco centavos! Cinco centavos!”.
Aziz tem fama e muitos concorrentes nesse quesito de peteca com a mão fechada. A Editoria de Esportes do Globo reuniu, nos anos 90, dois craques – Carlos Silva e Tadeu Aguiar. Corriam lendas sobre o pão-durismo da dupla. Alguém espalhou que Tadeu, sempre que volta de uma Copa do Mundo, compra um apartamento com os dólares que economiza. Não gasta um mísero cent, dizem. Nem para almoçar ou lanchar porque enche os bolsos do paletó com pães e bolos do café da manhã no hotel pago pelo jornal. É lenda, evidente.
Já do Carlos Silva se dizia que, certa ocasião, em Veneza, conseguiu convencer o marujo a cobrar meia passagem pelo passeio de gôndola, que o próprio jornalista conduziu pelos canais, mas isso também é mentira. O único remador ali era o Antônio Maria Filho.
No entanto, o editor-adjunto Tadeu Aguiar, no tempo em que ainda morava em Madureira, só ia para casa de busão. Às vezes tirava a sorte grande, quando Márcio Tavares, tarde da noite do jornal, ia para sua casa em Muriqui. Tadeu hoje mora na Tijuca e não cansa de dizer, como atesta o insuspeito Tavares, que viria para o jornal e voltaria para casa a pé ou de bicicleta, “se não fosse perigoso”. Outra cena estarrecedora do mesmo personagem, testemunhada por Ary Cunha, foi no dia em que recebeu um cartão de crédito e, para registrar a senha, tocou piano naquele tecladinho... de costas.
O caixa estranhou:
– Como o senhor vai saber a senha se gravou sem olhar?
– Ué, se eu não souber a senha, não preciso usar esse troço!
Já o Carlos Silva, lembra Márcio Tavares, um dia se deu mal. Foi quando fez uma entrevista com Telê Santana antes da Copa de 1986, no Leme, embaixo do prédio onde o técnico morava.
“Foi uma matéria arrumada às pressas para o fim de semana”, lembra Tavares. “Não deu tempo de arrumar verba para o jantar e o editor Renato Maurício Prado disse para o fotógrafo fazer algumas fotos e se mandar, deixando Carlos Silva e Telê conversando. Conversando e bebendo, claro. O papo foi até altas horas, Carlos Silva esticando o assunto, esticando, e os garçons empilhando mesa, varrendo chão e nada do jornalista pedir a conta. Malandro velho, tão pão-duro quanto o outro, Telê lá pelas duas e tanto da manhã mandou essa:
– Ô Carlos Silva, a gente não tem mais nada a falar. Vê se pede a conta porque eu não vou pagar isso e já tô muito velho pra sair correndo sem pagar.
Muito a contragosto, nosso herói teve que usar seu cartão de crédito, que saiu tão raras vezes na vida do bolso que chegava a brilhar... Ele é assim mesmo. Uma vez, fez uma viagem para o Uruguai que durou 18 horas porque se meteu nessas companhias pequenas. O avião deve ter feito escalas no Méier, em Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, é mole?”.

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