
Mais uma do Emmanuel, tendo como personagem Maurina Dunshee de Abranches, que o povo do JB chamava de “Senhora Condessa” sem puxa-saquismo. A velhinha era querida mesmo daquela gente:
“Eu nunca trabalhei no Jornal do Brasil, a não ser como correspondente por meia dúzia de dias em Volta Redonda, quando andei por aquelas bandas. Mas conheci a condessa Pereira Carneiro em 1977, na inauguração do Museu Histórico, ali onde um dia foi Palácio do Ingá. O governador Faria Lima compareceu, e onde tem governador tem aquele bando de seguranças, jornalistas, deputados e, principalmente, puxa-sacos. Foi quando vi a condessa, sozinha, longe da muvuca e dos refletores, caminhando pelo corredor e apreciando os quadros.
Fui lá, puxei conversa, e o papo rolou até quase a festa acabar. Cativante, a condessa. Riu muito quando contei que escapei por pouco de ser repórter do JB, graças a um “dinessauro” que perambulava por lá, nos idos de 1966. E eu ri muito quando ela contou do título de Cidadã Niteroiense que foi obrigada a recusar.
Não, não. A condessa não cometeu nenhuma grosseria com a Ilustríssima Câmara da Invicta Cidade (na foto). Fina, educada, culta, seria incapaz disso. Qualidades tinha de sobra para merecer qualquer título que lhe quisessem dar, até mesmo o de condessa, que a rigor não tinha, porque essas mercês concedidas pelo Papa não são hereditárias nem transmissíveis pelo casamento.
O motivo foi outro. Numa daquelas enxurradas de títulos de cidadania que acontecem todo mês de novembro, algum vereador lembrou que a condessa, figura tão importante do cenário nacional, nunca tivesse sido agraciada. Mais que depressa foi lá e tascou o projeto, aprovado por unanimidade: “Fica concedido à condessa Pereira Carneiro o título de Cidadã Niteroiense etc e tal”.
Aprovação unânime, como sói acontecer em casos tais. O presidente da Câmara era o vereador Luís Morgado, que deu solenidade à coisa, comparecendo com uma comitiva edílica à sede do JB, para comunicar a homenagem e pedir que ela marcasse data para vir receber, em sessão solene.
Foi aí que dona Maurina, emocionadíssima, sensibilizada pela lembrança e pelo gesto da Câmara, que agradeceu mil vezes, deixou os vereadores de cara no chão, quando disse que não podia aceitar o título.
Por uma razão muito simples: ela era nascida em Niterói, ali pelos lados da praia de Itapuca".
“Eu nunca trabalhei no Jornal do Brasil, a não ser como correspondente por meia dúzia de dias em Volta Redonda, quando andei por aquelas bandas. Mas conheci a condessa Pereira Carneiro em 1977, na inauguração do Museu Histórico, ali onde um dia foi Palácio do Ingá. O governador Faria Lima compareceu, e onde tem governador tem aquele bando de seguranças, jornalistas, deputados e, principalmente, puxa-sacos. Foi quando vi a condessa, sozinha, longe da muvuca e dos refletores, caminhando pelo corredor e apreciando os quadros.
Fui lá, puxei conversa, e o papo rolou até quase a festa acabar. Cativante, a condessa. Riu muito quando contei que escapei por pouco de ser repórter do JB, graças a um “dinessauro” que perambulava por lá, nos idos de 1966. E eu ri muito quando ela contou do título de Cidadã Niteroiense que foi obrigada a recusar.
Não, não. A condessa não cometeu nenhuma grosseria com a Ilustríssima Câmara da Invicta Cidade (na foto). Fina, educada, culta, seria incapaz disso. Qualidades tinha de sobra para merecer qualquer título que lhe quisessem dar, até mesmo o de condessa, que a rigor não tinha, porque essas mercês concedidas pelo Papa não são hereditárias nem transmissíveis pelo casamento.
O motivo foi outro. Numa daquelas enxurradas de títulos de cidadania que acontecem todo mês de novembro, algum vereador lembrou que a condessa, figura tão importante do cenário nacional, nunca tivesse sido agraciada. Mais que depressa foi lá e tascou o projeto, aprovado por unanimidade: “Fica concedido à condessa Pereira Carneiro o título de Cidadã Niteroiense etc e tal”.
Aprovação unânime, como sói acontecer em casos tais. O presidente da Câmara era o vereador Luís Morgado, que deu solenidade à coisa, comparecendo com uma comitiva edílica à sede do JB, para comunicar a homenagem e pedir que ela marcasse data para vir receber, em sessão solene.
Foi aí que dona Maurina, emocionadíssima, sensibilizada pela lembrança e pelo gesto da Câmara, que agradeceu mil vezes, deixou os vereadores de cara no chão, quando disse que não podia aceitar o título.
Por uma razão muito simples: ela era nascida em Niterói, ali pelos lados da praia de Itapuca".



Um comentário:
Isso me fez lembrar do então governador que inaugurou um "Brizolão" com o nome de "Alfredo da Rocha Viana". Não avisaram a ele que próximo ao local havia uma escola, também estadual, que caindo aos pedaços pelo abandono, se chamava "Escola Pixinguinha". Teria isto acontecido mesmo?
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