Inspirado na postagem abaixo, sobre o marechal Lott, já tomei uma decisão: em 2010 vou votar num piano de cauda. Chega de violões desafinados, pistons estridentes e cavaquinhos mal tocados. O piano de cauda é certo – só não escolhi a marca ainda. Serra ou Dilma? Dilma ou Serra?Apesar de ser difícil de carregar, o piano de cauda é instrumento adequado para ambientes amplos como o nosso, que tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
José Serra ou Dilma Rousseff, Dilma Rousseff ou José Serra, por enquanto reina a dúvida, mas ambos são pianos de cauda legítimos.
São meus candidatos a candidatos, embora desconfie que estejam sendo usados apenas para ensaios, o que é comum no caso dos pianos, tenham cauda ou não.
Deve ser paranóia minha: as pesquisas de intenção de votos revelam que o povo parece cansado de outros instrumentos de sopro, corda e percussão. Não é assim que queremos ver a banda tocar, é o que diz, no momento, a voz das ruas.
Dilma e Serra começam a conquistar as platéias e acho isso bom para o país que sonhamos ver, ainda vivos. Um deles, se depender do meu voto, vai estrear no concerto marcado para 1º de janeiro de 2011.
Dos políticos que levam o povo na flauta eu também estou cheio. De Cabral ao impeachment do Collor, eles dominaram o palco.
Esse país é tão louco que só começou a tomar jeito quando um mineiro nascido no meio do mar, dizem que num navio da Costeira, assumiu a Presidência em circunstâncias excepcionais. Minas só tem Mar de Espanha, que é roça, não tem praia. No entanto, foi bom enquanto durou. Era muita areia pro caminhãozinho do Itamar, mas tivemos uma boa chance de compará-lo com os que vieram antes. Não era preparado para o cargo, tanto que entrou porque era vice (e agora parece que o querem de novo no Palácio do Jaburu). Mas era um piano de cauda sério, apesar das bobagens daquela República do Pão de Queijo.
Conto nos dedos os antecessores dele que, apesar das lambanças e dos horrores, deram boas contribuições ao país: Mem de Sá, por ter expulsado os franceses; um ou dois marqueses do tempo do vice-reinado; Dom João VI hoje reabilitado, o filho Pedro que declarou a Independência e o neto Pedro, que consertou as cagadas do pai; o marechal Floriano, apesar do facínora Moreira César sempre por perto; os paulistas Campos Salles, que consertou a economia por uns tempos, e Rodrigues Alves, que modernizou o Rio de Janeiro; o mineiro Artur Bernardes, que foi o que devia ser na época, um nacionalista radical; o maior de todos, Getúlio Vargas que inventou a nossa infra-estrutura; vá lá, o Juscelino... e ... o Geisel. Pois é, me desculpem, mas o piano de cauda alemão que tocava no rodízio dos quartéis também deu seu empurrão.
A tal da “Nova República” foi aquele fracasso de bilheteria. Aí saíram os marimbondos de fogo e chegou o midiático caçador de marajás, que enviou a mão no teu bolso (no meu não, pois não tinha um puto na poupança) e que em boa hora recebeu o bilhete azul.
Do Itamar eu já falei. A partir dele, nos últimos 15 anos, e novamente digo “apesar de tantas lambanças”, surgiram – como se saíssem de uma estante do Mark Twain – o Príncipe e o Cara.
Quem gosta de um, geralmente detesta o outro. Eu não. Acho que são flautistas, mas pelo menos bem ensaiados, com repertório novo e razoavelmente bem cuidado.
E agora? Que entre um piano de cauda pesado e mais confiável. Imagino que os marqueteiros estejam decepcionados com 2010. Esses caras só vêem na eleição presidencial o espetáculo de fogos de artifício, adoram as cores azul e vermelha porque lembram as convenções americanas e só gostam de nadar em água rasa.
Sabem fazer presidentes e sucessores e, do jeito que a coisa anda, são até capazes de decidir quem é “o melhor nome”, o candidato “de maior apelo”. Devem estar fofocando enquanto não pegam no batente das campanhas:
“Vai ser a eleição mais chata do planeta! Dois pianos de cauda alemães!”.
Torcem, sem dúvida, pela entrada em cena de personas como o simpaticíssimo Aécio ou alguém parecido com a Marta. Serve até o Ciro, bom de porrada.
“Imagina se alguém pode ser tão ranzinza, autoritário e carrancudo como esses dois”.
“Um nem parece filho de verdureiro e ex-líder estudantil”.
“A outra, nem mineira é de verdade, não tem alma pessedista”.
Tô fora para o que pensam os marqueteiros. Mais assustados do que eles, só mesmo os especialistas em governabilidade. Aqueles que, sai governo, entra governo, como diria o Caetano, exercem seus podres poderes, desde que a mulher, a cunhada e o sobrinho estejam bem contemplados.
Chega de vaselina. Tá na hora dessa gente de cara fechada e espírito público mostrar seu valor.
Dilma é minha candidata a candidato do PT. E ponto final.
Serra é meu candidato a candidato do PSDB. E ponto final.
Ao PMDB e demais pmdbzinhos nanicos e coligados, desejo que sumam das nossas vistas. E que se dane a “governabilidade”.
Serra é meu candidato a candidato do PSDB. E ponto final.
Ao PMDB e demais pmdbzinhos nanicos e coligados, desejo que sumam das nossas vistas. E que se dane a “governabilidade”.
Direto da Rádio Berlim, o trecho mais famoso da Ópera dos Três Vinténs. O mais adequado seria Wagner, alemão demais pro nosso gosto, né não? Nem piano aparece, mas tudo bem, tá dado o recado musical.



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