Para quem chegou agora, vou resumir. O empate eleitoral em 2010, entre os candidatos a presidente do PT e do PSDB, deu origem a uma coligação dos dois partidos e forçou o PMDB a cair na clandestinidade. Agora dividida em 171 facções guerrilheiras, a legenda se esforça para garantir seu lugar na História entre os grandes movimentos armados. Isso tudo pode ser conferido em algumas postagens do QUEM É VIVO SEMPRE APARECE e, aqui, nas anotações revolucionárias do Professor Simas, direto do blog HISTÓRIAS DO BRASIL.Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar.
Ué Ling-ton estava sentado à beira do acampamento guerrilheiro, às margens da Lagoa de Itaipu, puxando pela memória, seu passado maoísta, alguma luz sobre o que fazer. Achou legal a expressão, mas logo se deu conta de que Lênin já havia escrito um livro com esse título, “O que fazer?”.
De repente, Ué Ling-ton (Wellington em chinês yakisôbico), um dos codinomes do companheiro Moreira, comandante-em-chefe da DN (Dissidência de Niterói, uma das 171 facções do Novo PMDB) teve uma idéia: encomendou duas quentinhas no Caneco Gelado do Mário para ele e um sobrinho que aderiu à guerrilha, e distribuiu os tíquetes-refeição para sua tropa, que já estava reclamando que saco vazio não fica em pé.
Mas ainda não era isso. O que queria mesmo era botar em prática uma medida de grande impacto, capaz de dar visibilidade nacional, quiçá mundial, ao movimento armado de seu partido. Sentado num banco, assistia encantado aos exercícios que seus homens faziam no calçadão. Uns treinavam artes marciais ou tiro alvo, outros aprendiam a montar explosivos e outros mais recebiam ensinamentos sobre montagem de caixa dois.
Estava orgulhoso da turma. Em breve, seriam combatentes destacados da grande revolução bolivarianista – nenhuma referência ao Chávez, é que a insurreição seria deflagrada numa cobertura da Avenida Atlântica com Rua Bolívar.
Porém, raciocinou, faltava aqueles homens experiência internacional.
Internacional era a palavra-chave.
Logo, o antigo combatente maoísta lembrou da Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada em Londres para unir os sindicatos e lideranças políticas de esquerda. A Primeira Internacional foi uma continuação das lutas sangrentas da Comuna de Paris. Não deu certo. Veio, então, a Segunda Internacional, ou Internacional Socialista, que existe até hoje e tem suporte nos partidos social-democratas. O PSDB e o PT são chegados. "Não nos interessa", pensou Moreira. A Terceira Internacional é a dos comunistas. “Estamos fora também”. A Quarta é a dos trotsquistas, deve ser até engraçada porque os trotsquistas são hilários, malucos-beleza. O companheiro Moreira esqueceu logo o assunto. “Deixa pro povo da Heloísa Helena, do PSTU etc.”.
Foi, então, que teve o estalo de Vieira.
Contou ao jovem correligionário:
– Vamos fazer a Quinta Internacional, que vai ser a melhor de todas. A Internacional do PMDB!
Evidente que o rapaz não entendeu xongras, mas o principal ideólogo da jihad surgida após o fatídico empate eleitoral entre o PT e o PSDB nas eleições de 2010 – decisão das urnas que acabou com aquela lenga-lenga de governabilidade e fez do PMDB um partido clandestino – já havia tomado sua decisão.
A mensagem chegou via twitter para todos os comandantes das demais correntes do PMDB.
Partido clandestino que vira movimento guerrilheiro precisa ter mais do que um hino, uma bandeira, um programa de lutas e homens valorosos dispostos a lutar até a morte por seus ideais.
Precisa também de um mega-evento, de um super-lançamento mundial.
Bem distante de Itaipu, às margens do Lago Paranoá, o subcomandante Agaciel foi encarregado da logística, da parte financeira, enfim, de toda a organização da Quinta Internacional.
Coube a ele selecionar, com os rigores de um Comitê Olímpico Internacional, o lugar mais adequado com um puta auditório, os locais de hospedagem, repasto e diversão, um cassino não iria mal, muita champanhe, scotch, vodca polonesa, caviar russo ou iraniano, mulheres e garotões sarados, e tudo mais que fosse necessário para garantir o sucesso da iniciativa.
Por aclamação, o Comitê Central do Novo PMDB – formado pelos comandantes das 171 facções – decidiram o local, muito melhor do que a Sierra Maestra daquele pessoal que adora uma rumba:
A Quinta Internacional do PMDB vai movimentar a Ilha de Caras!



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