Tal como os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do TJ-RJ, os cozinheiros seguem as receitas que criam ou copiam, só que, diferentemente dos doutores em leis, que veneram ou se acham obrigados a venerar cada vírgula do Código Penal e demais cartapácios das respectivas estantes, o pessoal da cozinha não se atém tanto assim aos livros culinários. A massa deve sempre ficar al dente, o arroz soltinho, o bife ao ponto? Tudo bem, mas existem interpretações pessoais que podem alterar o modo de preparo, alternativas para a escolha dos ingredientes, segredos para tornar os pratos mais saborosos.
Existem grandes livros de receitas como a Constituição, o Código Penal, o Código de Processo Penal, o Código Civil etc., mas sei que existem também críticas a um negócio chamado progressão do regime aberto pro semi-aberto, integral pra fechado, e divergências até mesmo sobre o que é o crime hediondo.
Veja o caso do traficante Elias Maluco. Ele comandou a tortura, despedaçou com uma espada e queimou o corpo despedaçado do jornalista Tim Lopes. Sete anos depois do crime, ganhou na Justiça a progressão de regime, que passou de integral a fechado, e poderá em breve ser beneficiado pela liberdade condicional.
Seu advogado pediu e teve negado o novo julgamento, mas conseguiu mudar o tipo de pena do réu, já condenado em primeira instância. Craque!
Existem grandes livros de receitas como a Constituição, o Código Penal, o Código de Processo Penal, o Código Civil etc., mas sei que existem também críticas a um negócio chamado progressão do regime aberto pro semi-aberto, integral pra fechado, e divergências até mesmo sobre o que é o crime hediondo.
Veja o caso do traficante Elias Maluco. Ele comandou a tortura, despedaçou com uma espada e queimou o corpo despedaçado do jornalista Tim Lopes. Sete anos depois do crime, ganhou na Justiça a progressão de regime, que passou de integral a fechado, e poderá em breve ser beneficiado pela liberdade condicional.
Seu advogado pediu e teve negado o novo julgamento, mas conseguiu mudar o tipo de pena do réu, já condenado em primeira instância. Craque!
Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal, que devem entender muito mais de leis do que o defensor do Elias Maluco, ficaram preocupados apenas com o ponto.
A defesa comemorou: no regime integral seu cliente, coitado, teria que cumprir os (incríveis...) 28 anos e seis meses de prisão a que foi condenado, mas com a progressão, o réu já pode pedir o regime semi-aberto e até mesmo a liberdade condicional, por já ter cumprido (segundo o advogado) ou estar próximo de cumprir (segundo a matemática) um terço da pena.
A defesa comemorou: no regime integral seu cliente, coitado, teria que cumprir os (incríveis...) 28 anos e seis meses de prisão a que foi condenado, mas com a progressão, o réu já pode pedir o regime semi-aberto e até mesmo a liberdade condicional, por já ter cumprido (segundo o advogado) ou estar próximo de cumprir (segundo a matemática) um terço da pena.
Peraí, é um terço mesmo? Já foi um quinto ou um sexto, então a coisa melhorou, hein?
Em fevereiro de 2007, o traficante Zeu, do bando de Elias Maluco, conseguiu essa excrescência chamada progressão. Em julho daquele ano, saiu do presídio em Niterói para visitar a família e até hoje não teve vontade de voltar. O próprio Elias Maluco, quando assassinou o Tim, gozava de liberdade graças ao mesmo benefício.
O crime de setembro de 2002, se vocês lembram, foi praticado pelo próprio chefe da quadrilha, usando uma espada de samurai. E o corpo de Tim Lopes foi incinerado no “micro-ondas” de pneus descoberto dias depois pela polícia na favela de Vila Cruzeiro.
Em fevereiro de 2007, o traficante Zeu, do bando de Elias Maluco, conseguiu essa excrescência chamada progressão. Em julho daquele ano, saiu do presídio em Niterói para visitar a família e até hoje não teve vontade de voltar. O próprio Elias Maluco, quando assassinou o Tim, gozava de liberdade graças ao mesmo benefício.
O crime de setembro de 2002, se vocês lembram, foi praticado pelo próprio chefe da quadrilha, usando uma espada de samurai. E o corpo de Tim Lopes foi incinerado no “micro-ondas” de pneus descoberto dias depois pela polícia na favela de Vila Cruzeiro.
Sobrou um pedaço de osso que, através do exame de DNA, identificou a vítima.
O doutor Gilmar está certo: uma boa equipe de cozinheiros poderia, quem sabe, se sair melhor do que a turma da egrégia corte.
O doutor Gilmar está certo: uma boa equipe de cozinheiros poderia, quem sabe, se sair melhor do que a turma da egrégia corte.



2 comentários:
Ah, nossas leis...
prezado sérgio,
sou advogado e entendo bem o que você quer dizer. o grande problema admitido por todos os "cozinheiros" é que a nossa imensa quantidade de leis passou do ponto, não é al dente. e é impossível suprir o desejo (compreensível) de revanche e vingança que toma conta da sociedade com um sujeito capaz dessas atrocidades. mas o grande mérito da questão acredito que não seja nem o poder udiciário e sua cozinha, mas toda a engrenagem estatal que está por trás, e em conjunto, com o poder estatal geral. não adianta de nada ter uma das melhores constituições do mundo e um dos piores indices de desenvolvimento. incongruências de uma nação de cozinheiros presos a livros de receitas e que não se arriscam em novo tempero... grande abraço!
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