sexta-feira, 10 de abril de 2009

SÓ MESMO VENDO COMO É QUE DÓI


A concessionária Barcas S.A. afirma que está tomando providências para evitar os transtornos – demora e superlotação das lanchas que fazem a travessia Rio-Niterói – que causaram a interrupção do serviço na noite de 8 de abril. Na ocasião, passageiros tentaram invadir a estação e quebraram uma porta de vidro que dá acesso ao pátio de embarque. Coincidentemente, o preço da passagem vai aumentar. A empresa se queixa da tarifa barata. Os donos da Barcas S.A. que ponham as barbas de molho, pois, mesmo com a Ponte e com a incorporação de lanchas maiores, o serviço anda ineficiente e o tumulto não foi de grande monta. Outra coincidência é que estamos a poucas semanas de se completarem 50 anos da rebelião da Cantareira. Era uma situação bem mais complicada: a barca era o único meio de transporte entre o Rio e Niterói na época (fora o longo caminho via Magé) e a empresa Cantareira, que então detinha o monopólio, ficou famosa por aumentar preços da noite para o dia, utilizar lanchas em péssimo estado e usar os empregados como massa de manobra para obter subsídios, em locautes disfarçados de greves. Até que o sururu teve seu estopim em 22 de maio de 1959, quando eclodiu nova greve e uma tropa da Marinha foi encarregada de manter a ordem. A confusão teve início quando filas quilométricas se formaram na estação de Niterói e, diante das primeiras manifestações, os militares desceram o cacete no povão, dando origem ao quebra-quebra. A estação foi destruída (foto acima). Em seguida, niteroienses furiosos invadiram e depredaram as casas dos donos da Cantareira. O governador na época era o trabalhista Roberto Silveira, que chegou a ser acusado de instigar o povo contra a Cantareira. A terceira coincidência: o atual prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, é filho do governador que morreu num desastre de helicóptero, em Petrópolis, no ano de 1961. A quarta é que o blogueiro que está contando essa historinha, sem nenhuma intenção maldosa, nem mesmo a de vender livros, escreveu a biografia Roberto Silveira - A Pedra e o Fogo (Casa Jorge, 2003), hoje só achada em sebos ou através do site http://www.estantevirtual.com.br/. O merdelê de maio de 1959 terminou com pelo menos oito mortes (registradas, mas os antigos dizem que foi muito mais do que isso), 185 pessoas feridas e com a cassação da concessão da empresa.
O som na caixa é do Mambo da Cantareira, na voz de Gordurinha.

5 comentários:

AOS QUARENTA A MIL disse...

Pois é , a história que conheço diz que realmemte o então governador, incitou o povo por ter sido pressionado a aumentar as tarifas e o serviço era péssimo.

Quando falam de transportes de São Gonçalo e Niterói X Rio , tenho vontade de chorar Zé Sergio, neste dia , permaneci 03:50 no trajeto ponte e Alameda. Tenho tidos surtos assassinos , por exemplo queria matar o pessoal do Green Peace no dia da manifestação a pedradas , odeio motoqueiro acidentado, carro em mau estado e por aí vai...

José Sergio Rocha disse...

Foi o que os adversários do PSD espalharam na época, mas Roberto Silveira não instigou ninguém. O povo é que estava de saco cheio com tudo aquilo.

Anônimo disse...

Zé,
Estudei no Rio, faço essa travessia há anos, como tantos outros niteroienses. O que sei é que os malditos da Empresa "1001" pegaram emprétimo com o BNDS pra construir 6 barcas e só construíram 4 e APENAS UM ATRACADOURO em cada estação, como a barca é muito menor que a antiga, claro que todo dia nas horas de rush, o povo vai penar. Vejo da estação do catamarã: às vêzes chega barca e fica esperando a outrao sair pra atracar. Antes, quase não ficávamos em pé na estação, logo sentávamos na barca e esperávamos lendo, estudando. A estação não era a jaula que é hoje, era aberta e ventilava. Isso tudo sem dizer que RARAMENTE A PORCARIA SAI NA HORA MARCADA nos horários NORMAIS(sem rush). A embarcação é uma bosta quente, construída com pequenas janelas para funiconar com ar condicionado, que nunca funcionou. Credo...desculpa o tamanho, mas, como tantos outros, não posso falar nesse assunto. Cadê a estaçaõ de São Gonçalo, prometida há tanto tempo? Os caras são uns canalhas que não têm mãe em casa. Monópolio é isso!... Que Gilberto Palmares consiga melhorar essa situação com a CPI.
Cristina Cretton

José Sergio Rocha disse...

A usuária Cristina está coberta de razão. Alô Barcas S.A., cadê a estação de São Gonça? Cadê as barcas depois de meia-noite? Nem mesmo aquele buzão que pegava o povo de madrugada na estação existe mais. Agora o passageiro tem que se arriscar, ir até o mergulhão, às vezes sem viva alma, para voltar para Nikity ou São Gonça no velho 100. Transporte de massa é serviço público, pois não?

Anônimo disse...

Acidentes já aconteceram, pessoas já se machucaram seriamente, uma CPI já foi criada, uma porta de vidro já foi quebrada, a estação de SG até hoje não saiu do papel (se duvidar, nem no papel ela está), A agência reguladora faz vista grossa...
Resultado: O Governo do Estado liberou 8 milhões de estalecas para a empresa!
O Secretário de Transportes acredita piamente em números que a própria Barcas S/A fabrica e divulga como verdade-verdadeira e lá decima, do helicóptero, de onde ele vem da zona sul até o centro - quando vem - está tudo ótimo!