Quando a gente ouve falar em artes marciais, lembra logo de japonês dando porrada em coreano, tailandês descendo o cacete em vietnamita, etc. O karatê e o tae-kwon-do são esportes considerados artes marciais, mas arte mesmo só a brasileiríssima capoeira. Hoje tem academia de capoeira no mundo inteiro, é sensação em Nova York, e coisa e tal, e esse sucesso todo tem origem na resistência dos negros baianos à opressão e à discriminação que sofriam antes e depois da Abolição.O escritor, cartunista, publicitário e técnico processual do Ministério Público Marco Carvalho, um cara tranquilo como todo bom capoeira (o cara só é meio doido, veja na foto acima), teve há alguns anos a idéia brilhante de romancear a história de Manoel Henrique Pereira (1895-1924) no livro “Feijoada no Paraíso – A Saga de Besouro, o Capoeira”, lançado pela Record.
Manoel não era outro senão o famoso "Besouro Cordão de Ouro", lendário capoeirista de Santo Amaro que também foi imortalizado no samba "Lapinha", dos gênios Baden Powell e Paulo César Pinheiro (som na caixa, no gogó de Elis Regina Carvalho Costa!).
É, portanto, baseado em fatos reais o livro que mostra as aventuras e desventuras de Besouro nos anos 1920. O melhor de tudo é que a bela idéia do Marco virou filme – o longa-metragem "Besouro", do diretor de filmes de publicidade João Daniel Tikhomiroff, que estreia em outubro.
É superprodução aguardada por quem gosta de bom cinema porque vai abordar culturalmente esse esporte que é mais arte do que luta, sem aquelas besteiradas produzidas em Hong Kong.
Filme chato à vista? Engano seu. Inspirada na verve e na pesquisa séria do Marco Carvalho, a roteirista Patrícia Andrade (“Os 2 filhos de Francisco”) entregou um belo enredo a João Daniel, que passou três meses no Recôncavo Baiano rodando o filme, com a participação de capoeiristas locais no elenco, preparados por Fátima Toledo (“Tropa de elite” e “Cidade de Deus”). Para as cenas de porradaria, foi trazido da China o coreógrafo de ação Hiuen Chiu Ku, o mesmo de “Matrix”, “Kill Bill” e “O tigre e o dragão” – que são uns cocôs de filmes, mas não por causa dos efeitos especiais fantásticos do - sem ofensas - Mister Ku.
Meu chapa Marco Carvalho, que tem como outra grande qualidade a paixão pelo Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, já decidiu até o que fazer com o dindim dos direitos autorais dessa feijoada que virou filme e que, com certeza, correrá o mundo: vai apresentar sua tia e fã nº 1 do Léo Batista ao veterano locutor do "Globo Esporte" e pagar um fim de semana (vatapá, bombom Sonho de Valsa e champanhe incluídos) para o casal, no melhor hotel da Ilha de Itaparica.



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