sexta-feira, 3 de julho de 2009

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO GOLPE DE HONDURAS


O golpe militar em Honduras confundiu a direita e a esquerda mundiais. Uma nova ideologia surgiu e poucos se deram conta disso.
Só este blogue, nosso parceiro Histórias do Brasil, do professor Simas, e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger – que fala hondurenho com sotaque de Harvard e harvardiano com acento tegucigalpeño – percebemos: por trás do golpe de Honduras estão o efeito borboleta, o gato de Schrödinger e o PMDB!
Vamos aos fatos.
A borboleta e o gato – O ir-e-vir do hoje para o amanhã, ou para o ontem, já foi explicado pela teoria do caos, pelo efeito borboleta, pela máquina do tempo do H.G. Wells e por um montão de seriados no tempo em que a TV era em preto e branco.
O gato é menos conhecido – vem das pesquisas feitas por um físico austríaco sobre superposições quânticas e parte do pressuposto de que um átomo pode estar localizado em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.
Schrödinger imaginou um gato dentro de uma caixa, que na verdade eram duas caixas, e dentro dessa caixa, ou melhor dessas duas caixas, havia um vidro de cianureto que podia ser quebrado com uma martelada.
O felino teria o dom da ubiquidade e, com a superposição quântica, tanto podia ficar numa boa, dentro da caixa, como morrer asfixiado pelo cianureto. A borboleta também faz parte da conspiração. Hoje, como diz o camelô, qualquer criança sabe que o bater de asas de borboleta em Niterói pode provocar um tsunami na Ásia ou, pelo menos, um engarrafamento na Ponte.
Resumindo: o futuro já chegou.
Teoria da Relatividade e Teoria da Governabilidade – A tese aqui levantada de que o PT e o PSDB vão empatar na eleição de 2010, formar uma coligação e forçar o PMDB a cair na clandestinidade já virou realidade em Honduras, que é uma espécie de caixa onde o vidro de cianureto foi destroçado pelo martelo!
E é aí que entra o movimento guerrilheiro do PMDB, formado por 171 facções que dominam o país praticamente desde o fim do regime militar. Esse partido criou algo ainda mais fantástico do que a borboleta pé-frio, o gato quântico e a Teoria da Relatividade.
Criou a maquiavélica Teoria da Governabilidade, segundo a qual, seja qual for o partido que estiver no poder (não importa se o PT, o PSDB, o DEM ou o PSOL dos companheiros Heloísa Helena e Tiago Prata), não consegue aprovar porra nenhuma no Congresso Nacional, a menos que o PMDB dê uma mãozinha.
Tornaram-se, portanto, reféns dessa legenda assombrosa que descobriu o óbvio: o bom não é ser o Rei, é ser o melhor amigo do Rei e mandar nele. Nisto reside a ideologia peemedebista, que é uma etapa superior a todos os ismos que a gente conheceu um dia, com exceção do botafoguismo e do portelismo, inatacáveis, pelo menos aqui neste blogue.
Já tem hino e diretoria na PDVSA - A sedição espalhou-se pelo país e já marcou até um encontro para ganhar visibilidade planetária: a Quinta Internacional do PMDB, que se realizará na Ilha de Caras ou, talvez, em Las Vegas, se o subcomandante Agaciel Maia fechar uma parceria com os cassinos e com os concorrentes, digo, com os gângsteres locais.
Pegando o bonde que veio queimando o trilho desde o blog do Simas, sabemos agora – leia aqui – que os rebeldes também já têm um hino, de autoria de Biafra, o Victor Jara de Niterói.
Agora, em primeira mão, este blogue traz uma informação que é uma verdadeira bomba: o golpe militar de Honduras foi desfechado contra uma tentativa de ocupação de Honduras pelos guerrilheiros do PMDB que estavam acumpliciados com Manuel Zelaya e receberam financiamentos da PDVSA, a petroleira do Hugo Chávez, que já tem dois ou três diretores indicados pelo partido!
O golpe de Honduras foi condenado no mundo inteiro, menos aqui, no blogue do Simas e no blogue de Reinaldo Azevedo, aquele jornalista de chapéu, muito culto, mas meio esquerdista para o meu gosto.
Onde entrariam Sarney e Mangabeira – A quartelada foi decidida depois que um dos chefes da guerrilha, talvez o maior deles, o Comandante Sarney (codinomes Ribamar, Marimbondo e Zé do Bigode) entrou em contato com Chávez e com o presidente Manuel Zelaya, que ficaram encantados com o ideário peemedebista e aderiram à Teoria da Governabilidade.
Tudo começou, como diziam os jornalistas pré-diploma, quando Sarney se convenceu de que seria difícil manter seu cargo no Senado. Zé do Bigode correu para o Google para pesquisar quais os países, entidades filantrópicas, academias de letras, clubes de futebol ou sociedades secretas que estavam precisando com urgência de um presidente.
Ficou em dúvida entre a Bolsa Nasdaq e o Congresso de Honduras. A Nasdaq seria muito melhor, em retorno financeiro, mas quando soube que seu ex-presidente, o Madoff, tinha sido condenado a 150 anos de cadeia, o companheiro Sarney virou a página. Desgraça por desgraça, já basta ser senador pelo Amapá e ter que pintar o bigode todo santo dia com tablete de Santo Antônio, pensou.
Ocorreu-lhe que assumir a presidência do Congresso de Honduras seria uma boa saída. Foi então que telefonou para Manuel Zelaya e, depois, para o chefe dele, Hugo Chávez – este ficou particularmente feliz porque ia tirar um aliado de seu maior rival continental, Lula, o presidente do Brasil e do Corinthians.
No entanto, a história vazou. O telefone de Sarney estava grampeado pela Polícia Federal, que tentou plantar a notícia no Ancelmo, no Noblat, no Josias, na Mônica Bérgamo, sem sucesso. No entanto, deu certo no ex-blog do companheiro César Maia. Como todos sabem é de esquerda enquanto ex-blogueiro, embora tivesse sido de direita enquanto prefeito, da mesma forma como voltou a ser botafoguense, agora que perdeu o poder. Antes, ele dizia que César Maia era Botafogo, mas o prefeito era Flamengo. Enfim, até esse blogue ensandecido concorda que o homem é mesmo doido.
A operação é desfechada – O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, usava seu pijama de bolinhas azuis favorito quando foi tirado da cama pelos rebeldes do PMDB, usando fardas do exército local, e colocado num avião.
Ficou decepcionado: esperava encontrar um pelotão de fuzilamento, mas em vez disso um comissário de bordo que assistiu dez vezes a “Noviça Rebelde” ofereceu-lhe Pepsi-Cola e uma barra de cereais. O avião era da Gol.
“Não será longa a viagem”, raciocinou Zelaya. “Já sei. Vão me jogar no oceano”. Estava todo pimpão, que nem aquele atacante do Vasco. Imaginou-se um mártir e fantasiou que algum Korda ou Cartier-Bresson faria logo uma foto legal dele para estampar nas camisetas dos maconheiros e iúpis do Leblon e de Vila Madalena.
Qual o quê! Zelaya foi levado para um resort cheio de mordomias em Costa Rica. Este país é uma vergonha para nossa longa tradição golpista latino-americana! Costa Rica nem Forças Armadas tem e o seu povo fraco até hoje não reclamou disso. Dizem que o futuro ex-ministro Nelson Jobim até já enviou um folder para Tegucigalpa, oferecendo consultoria, mas não obteve resposta.
Velhos golpistas bolivianos ficaram excitados com a notícia de que o toque de recolher imposto pelo novo governo duraria 48 horas, mas caíram em profunda depressão quando souberam que ninguém morreu, nem um mísero comuna, um crioulo sequer, um judeu pobre de esquerda, ninguém mesmo.
Mas deu merda! – No dia seguinte, mesmo sob toque de recolher, o comércio abriu (o mesmo não aconteceu, por exemplo, aqui perto de casa, porque o tráfico mandou fechar tudo por causa da morte de um inocente da favela que, por engano, cremou a mãe viva), o povo andava tranquilo nas ruas, feliz da vida por ter se livrado daquele corrupto, digo, do estadista Manuel Zelaya.
Roberto Micheletti, o presidente do Congresso, que assumiu o poder (com o apoio do Supremo Tribunal Federal de Honduras), não existe. É um stuntman, contratado pelo PMDB para atuar nas cenas de perigo. Por trás dele estavam – adivinhem – o comandante José Sarney e o novo ideólogo peemedebista Roberto Mangabeira Unger, que ocuparia o Ministério de Curto, Médio e Longo Prazo (Honduras não tem verba para tantos ministros, ele acumularia as três pastas).
O quebra-cabeças foi se encaixando aos poucos. O PMDB deu o golpe em Honduras, em nome da governabilidade. Sem necessidade de tortura, pelotão de fuzilamento, nada disso. A única baixa, até agora, foi a do jornalista Reinaldo Azevedo, que pirou com a leitura da Constituição hondurenha, dez vezes maior do que a brasileira.
Foi, segundo críticos ferozes do partido, a única coisa boa que o PMDB pós-Ulysses fez em sua história. Estava prestes a colocar em prática, sob a forma de ações de governo, uma nova ideologia – a governabilidade sem derramamento de sangue.
Só não contava com a traição de Hugo Chávez, com a falta de perspicácia de Barack Obama e com essa solidariedade internacional a Zelaya, um concorrente forte na modalidade corrupção.
Se fosse vivo, Nelson Rodrigues repetiria em sua coluna que toda unanimidade é burra. E tome unanimidade: ONU, OEA, União Européia, Obama, Chávez, Fidel, Lula, FHC, Heloísa Helena, Tiago Prata e Bruno Ribeiro! Assim ninguém aguenta mais de uma semana no poder, porra!
O que temos hoje é um pequeno país vítima de um candidato a ditador (que falhou no golpe que pretendia dar) e de um Congresso e de um Supremo ineptos (dirigidos por deputados e juízes sem diplomas que – em vez de impicharem o 171 do Zelaya – foram chamar os milicos!).
Nenhum país aguenta isso: de um lado, um candidato a ditador, e do outro, um bando de candidatos ao Big Brother Honduras.
E foi assim que o PMDB perdeu a chance de assumir a presidência do Senado e o Ministério de Todos os Prazos, em Tegucigalpa.
Ainda bem que o comandante Sarney e seu novo mentor Mangabeira ficaram presos no aeroporto de São Luís do Maranhão e não conseguiram viajar por causa do mau tempo.
Tão pensando o quê? Que o PMDB é amador?

3 comentários:

Augusto Diniz disse...

Grande Zé, um profícuo articulista, hondurenho de coração, botafoguense como o Maia, prestes a pegar uma gripe suína de um global - cuidado com a massificação da doença na vizinhança -, vc é dos bons no texto.

Anônimo disse...

Zé, só para complementar: soube, por fonte quente, que quando o presidente foi precipitado de sua cama naquele pijama de bolinha ele olhava para o alto esperando o viagra fazer efeito. Há quem diga que fez dali a um tempo. A população local perdeu a última....

José Sergio Rocha disse...

Ô Anônimo, se identifica, pombas!