Quem inventou o pescoção não sei, mas lembro da noite de sexta-feira em que começou esse trabalho que avançava a madrugada. O Globo já havia lançado a edição de domingo e o Jornal do Brasil, no acerto que os dois diários mais importantes da cidade fizeram, passou a circular também às segundas-feiras. Uma marca desse período foi o lançamento do caderno de Esportes às segundas com a coluna de Carlos Eduardo Novaes dando palpites sobre a Loteria Esportiva, que também era coisa recente. Isso aconteceu no início dos anos 70. Não havia salário-ambiente(*) que compensasse o desgaste de adiantar a edição dominical do JB logo após o fechamento do jornal de sexta. A grita foi enorme, a frustração tomou conta do povo do JB, mas as piadas também não demoraram. Uma delas do Poli, contínuo da Editoria Internacional, cujo nome completo é Alcides Hipólito da Boa Morte. Poli era um figuraço. Como o jornal, com raríssimas exceções, só tinha adversários da ditadura, divertia-se elogiando o general de plantão. “O Médici é um homem bom. Quer o bem do Brasil e de nós todos. Melhor do que ele só esse que vem aí, o Geisel. Dizem que é uma pessoa muito legal e educada”. Quando soube do pescoção, mandou esta, com aquela voz rouca de malandro da Penha: “O doutor Brito só está querendo o bem de todos. Quer ver vocês com saúde. Acabou a história de biritar nas noites de sexta-feira. Assim vocês acabam doentes, vão morrer cedo. O homem é bão demais com a gente”. Quem disse que a farra das sextas ia terminar assim, a seco? O pessoal da Economia tomou a frente e espalhou por um mesão vinhos e queijos. Ideia do subeditor da Economia Luiz Larqué que a dupla de editores da Internacional, Renato Machado e Luiz Mário Gazzaneo, copiou de bate-pronto. Foi a primeira vez que vi um croissant na vida. Fazia confusão com o tal do escargot. Outro viralata, o redator Osvaldo Maneschy, quase foi demitido por levar duas bisnagas e 200 gramas de mortadela. Os vinhos eram de excelente qualidade, coisas do chefe Renato, que em breve se tornaria autoridade no assunto. Os banquetes na Economia e na Internacional atraíam o povo de outras editorias, onde a ideia foi aperfeiçoada pelo pessoal que preferia os líquidos.
No Copidesque, Joaquim Campelo malocava na gaveta uma garrafinha de tiquira, aguardente do seu Maranhão natal.
Roberto Alvarenga preferia descer a intervalos regulares e, dentro de seu carro, no “Globo no Ar” (o estacionamento do jornal tinha esse apelido), bebericava o Underberg velho de guerra.
Na Geral, Carlos Rangel punha um copo cheio sobre a mesa. Parecia Coca-Cola. E era. Misturada com cachaça. O popular Samba em Berlim. Certa noite de sexta, o banquete aconteceu depois de meia-noite, por iniciativa de duas queridas colegas – Maria Ignez Duque Estrada, que emprestou sua casa de vila no Jardim Botânico, e Benalva Vitório, que preparou uma feijoada com tempero africano.
A santista Benalva, grande figura trazida para o jornal pelo editor Juarez Bahia, era recém-casada com o Max, ex-guerrilheiro que virou comandante da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) – hoje próspero empresário em Portugal. A Bena incrementou a feijoada com ingredientes trazidos da África Oriental. Cerca de 50 pessoas deram as caras no Jardim Botânico. A feijoada foi servida por volta de 1h da manhã. Saímos para fazer o quilo no calçadão do Leblon ou de Ipanema e, lá pelas 4h, voltamos para mandar ver o segundo prato. Foi a melhor feijoada que comi até hoje. Isso só acontecia no velho JB, que chegou ao fim. Fiquei sabendo que hoje à noite, no programa Observatório da Imprensa, o Alberto Dines vai exibir trechos do documentário “Avenida Brasil, 500”, que Regina Zappa, Sérgio Sbragia e Rogério Reis estão fazendo sobre esse jornal de tantas histórias.
(*) Salário-ambiente é uma expressão inventada pelo pessoal do JB, onde não se trabalhava somente pelo dinheiro, mas também pelo clima legal daquela Redação. Claro que isso ficou no passado a partir dos anos 90, quando o jornal foi arrendado.
Não vai dar certo esse negócio de um advogado, teoricamente pago pelo goleiro, defendendo todos os suspeitos. A operação para fazer do Bruno o menos culpado de todos pode não dar certo, mas será pelo menos tentada. Já tem gente mudando o depoimento.
Teoricamente pago porque o dinheiro do Bruno já deve estar chegando ao fim. Ainda mais agora que se sabe onde ele pode ter também deixado sua grana: na conta de outro suspeito, o Macarrão.
O fato positivo, se é que existe, nesse episódio macabro, foi a decisão do Flamengo de alterar a forma de seus contratos. Os outros clubes brasileiros deviam fazer o mesmo. No entanto, o Flamengo podia ter ido mais longe e estendido a cláusula sobre imagem para todos os atletas, dirigentes e funcionários. E o tal cartola suspeito de pedofilia? Não se fala mais nisso, seja para confirmar ou desmentir a boataria?
Pedófilos sempre foram ervas daninhas no esporte. No futebol de praia, era um horror. Cresci ouvindo histórias patéticas sobre garotinhos escalados para os times porque caíam nas boas graças do treinador, se é que me faço entender. O caso mais rumoroso envolvia um técnico do Lá Vai Bola, equipe do Posto 6 de Copacabana.
Tá bom, isso foi nos anos 60. Mas nos anos 70 e 80 continuei ouvindo as mesmas histórias, inclusive no futebol de campo. Pra não dizerem que estou falando mal do Flamengo, houve um caso semelhante no Botafogo, quando uma diretoria resolveu incorporar a seus quadros um ex-dirigente do São Cristóvão.
Outra coisa estranha nessa novela do Bruno é o tratamento que alguns jornais dão às marias-chuteiras. O cara é casado, mas tem um monte de ex-noivas. A que morreu, coitada, quase sempre é chamada de ex-amante.
Pra encerrar: a foto da capa do jornal "O Dia" de hoje, sob o título "Bruno e Macarrão viviam uma relação de ciúme doentio". O que dizer em mil palavras aquilo que uma foto apenas não tenha contado?
Este blog, logo na primeira postagem, alinhou-se à doutrina marxista e, de cara, elegeu os irmãos Marx – Groucho, Harpo e Chico - seus gurus. Eram cinco irmãos no total, mas dois não tinham graça nenhuma. Neste vídeo aí em cima, que meus chapas Lauro Faria e Eduardo Varela me enviaram quase na mesma hora – são dois ratos do Youtube –, os impagáveis Harpo (o mudinho, de cabelo encaracolado) e Chico Marx (que nos filmes vivia a figuraça que era na vida real, um jogador contumaz que só andava duro e extorquindo os irmãos) fazem o diabo num piano, tocando “Mamãe eu quero mamar”, da dupla brasileira Jararaca e Ratinho. O filme “The Big Store” é de 1941. A marchinha, ainda hoje tocada em tudo quanto é bloco de carnaval carioca, foi popularizada nos EUA e no resto do mundo por Carmen Miranda.
Meu chapa Jurandyr Danielli enviou um despacho antigo e inusitado do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal de Palmas, capital de Tocantins. Uma peça jurídica pra lá de sensata que a Escola Nacional de Magistratura incluiu em seu banco de sentenças. Foram réus do processo dois acusados de furtar duas melancias. O juiz Rafael agiu como os magistrados deveriam agir com mais frequência, mandando a letra do Direito às favas e tomando o partido da Justiça. Por isso, ele acaba de ganhar deste blog o Prêmio Capistrano de Abreu (o autor da melhor Constituição do planeta, dá uma olhada no textinho lá no alto do blog, à direita). Vejam que beleza de texto:
“Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão. Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)... Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz. Poderia brandir minha ira contra os neoliberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia.... Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo? Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir. Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo. Expeçam-se os alvarás. Intimem-se. Rafael Gonçalves de Paula Juiz de Direito”.
Os crimes da minha infância eram poucos. Crimes violentos? A gente levava anos para saber de algum. O caso da Fera da Penha, que matou uma criança, filha de seu amante (ou amásio, como diziam a “Luta Democrática” e “A Notícia”), foi assunto durante décadas. O assassinato de Aída Cury, estuprada e lançada do alto de um prédio na Zona Sul, assombrou muita gente, porém menos que o caso da menininha morta pela mulher rejeitada. O maior bandido da minha infância, Mineirinho, era um pobre coitado. Ganhou fama por causa do calibre de sua arma, uma 45, mas não por maldades gratuitas. Assaltava casais na Vista Chinesa, levava o dinheiro e o Fusca, mas os namoradinhos saíam ilesos. Cara de Cavalo ganhou destaque por ter matado o policial mais temido do Rio de Janeiro. Foi morto com cento e tantos tiros. Uma vez, no Globo, contribuí para uma matéria, em parceria com Antônio Werneck, que tinha como título “De Mineirinho a Uê, os inimigos públicos nº 1 do Rio de Janeiro”. A coisa realmente foi piorando a partir dos anos 80. A Fera da Penha cometeu seu crime bárbaro no início dos anos 60. Antes dela, o símbolo maior da crueldade em terras cariocas foi um doente mental chamado Febrônio Índio do Brasil, que 40 anos antes, na década de 1920, estrangulava adolescentes que resistiam a suas investidas homossexuais. Amantes desalmadas, tarados enfurecidos, playboys drogados eram as referências que tínhamos de criminosos sádicos. Pais não matavam filhos, crianças não matavam pais, ídolos davam bons exemplos. Não sou, como canta Paulo César Pinheiro, do tempo das armas. E a gente levava anos para saber de alguma crueldade. O intervalo caiu bastante, no Brasil e no mundo. Os casos de Daniela Perez e Isabella Nardoni foram apenas dois entre muitos. Ainda estupefatos (não existe outra palavra que diga tanto sobre a reação a esse tipo de coisa) com o caso Bruno, leio hoje no G1 que uma adolescente brasileira de 15 anos é suspeita de ter incinerado os pais e a irmã na cidade de Takarazuka, no Japão. Lembro de um tempo, em minha segunda temporada no Jornal do Brasil, início dos anos 90, em que era responsável por certa página da Editoria Nacional que, volta e meia, respingava sangue. Um dia, na reunião de pauta da tarde, quando chegou minha vez de enumerar os assuntos do dia, o editor Orivaldo Perin tascou: – E aí? Qual é a de hoje na página “A humanidade é inviável”?
Vou torcer pela Holanda. E contra a Espanha. Os espanhóis, tão bem recebidos quando emigraram para o Brasil, deram para maltratar brasileiros. O sucesso de sua economia subiu-lhes a cabeça e, tal como acontece em outros países europeus, passaram a discriminar os imigrantes. Fora isso, foi lá que a Inquisição pegou firme. E essa tal de Fúria!? Sempre teve esse apelido e só agora vai disputar uma final de Copa. Cervantes? Só se for o boteco, por causa do sanduba de lombinho com abacaxi. Além disso, tenho bronca do Santander e da Ampla, essa porcaria de concessionária que espanhóis e chilenos montaram em Niterói. Viva Anne Frank! Viva Maurício de Nassau! Viva Van Gogh! Viva meu bisavô Miguel que chegou ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás e casou com uma negona, minha bisa França, a melhor figura de meu laranjal genealógico! (P.S. – Considerando que esse blog não deu uma dentro em suas apostas na Copa, se os holandeses perderem também, azar o deles...).
Mesmo não tendo ainda nascido em julho de 1950, me considero, por solidariedade a meu avô que quase enfartou no local da tragédia e nunca mais foi a estádio, um dos 53 milhões de brasileiros que saíram desolados do Maracanã (dizem que eram quase 200 mil pessoas no Maraca, mas estou contando a população brasileira da época), chutando tampinhas de cerveja Black Princess. De lá para cá, a partir de 1954, quando já existia, embora ainda usando fraldas, perdi mais 10 vezes, contando com a Copa que está sendo disputada agora, na África do Sul. No entanto, ganhei cinco inesquecíveis taças do Mundo. Pensando bem, e levando em conta que não existe outro país pentacampeão, é um retrospecto razoável. Neste momento dramático em que sou detonado pelos holandeses, acabo de tomar algumas decisões de extrema importância para a preservação da minha lucidez: vou torcer pelos hermanos. Não quero nem ouvir falar de final europeia, entre Holanda e Alemanha, ou coisa que o valha. Claro que, hermanos por hermanos, prefiro os uruguaios, apesar de terem sido nossos carrascos em 1950. Vou torcer por eles contra a Holanda. E neste sábado, com certeza, quero mais que os argentinos acabem com a alemoada. Vão plantar chucrute! Se tudo der certo, e se nossos ex-quase-conterrâneos cisplatinos também vencerem, teremos uma final entre os azuis do continente, entre a Celeste e o time de Maradona, e sou uruguaio desde criancinha porque no time joga El Loco Abreu. Portanto, será quase como o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas na final da Taça Fifa. Final européia, jamais! Por ene motivos. Um deles: a Alemanha chegará ao tetra e, junto com a Itália, será como o ressurgimento do pavoroso Eixo novamente ameaçando os valores da Civilização. Vão pro cacete, nazifascistas! Argentinos ou (sei que é mais difícil acontecer, mas sabe-se lá) uruguaios chegariam, caso um deles vença, ao tricampeonato. Nada demais. Claro que tenho um plano B: torcer pela Holanda, se a ferida cicatrizar até lá. O que não desejo para mim, e para ninguém, é outro Maracanazo. Ou seja, perder novamente uma Copa aqui em casa. Se os deuses do futebol também escrevem por linhas tortas, teremos boas chances dessa vez, pois o Dunga já era. Com certeza, vamos aprender com essa derrota e colocar um time de craques nos gramados de 2014. E mais uma coisa: considere-se desde já meu inimigo mortal quem colocar a culpa da derrota de hoje em nossa defesa, que continua sendo a melhor do planeta. Defesa não ganha jogo sozinha. Não queiram fazer do Júlio César um novo Barbosa ou do Lúcio um novo Juvenal.
A imagem lá no alto, para quem não sabe, é de Sebastian Abreu, El Loco, autor do gol que deixou o Uruguai na semifinal. No Glorioso, Loco é especialista em gols de cabeça. Falando nisso, a trilha sonora de hoje é tango, um tango argentino, “Por una cabeza”, que tem uma letra fantástica, misturando decepção amorosa e fracasso turfístico. Pode ser considerado também um tango uruguaio, porque o tango, dizem, nasceu do outro lado do rio da Prata. Pensando melhor, é um tango brasileiro, pois o autor da letra, parceiro de Carlos Gardel, Alfredo Le Pera, era paulista. Por uma cabeça, talvez por duas, a cabeça teimosa do Dunga e a cabeça esquentada do Felipe Melo (depois de dar o passe para o gol de Robinho!!! Esse cara não tem jeito!!!), perdi hoje minha décima Copa! Chega de anões!
Pensando no que foi escrito logo abaixo, uma ótima dica para o pessoal que insiste em tropeçar no idioma, inclusive os babacas anônimos que perdem seu tempo mandando o editor, redator, gerente de futebol e presidente de ala desse blog “tomar no cú” (com acento agudo!): o QUEM É VIVO SEMPRE APARECE recomenda o curso on line Em Busca da Prosa Perdida, ministrado pelo escritor e professor Antônio Fernando Borges. Meu chapa Antônio Fernando é um cara brilhante que fez muito bem em largar a vida de jornalista, autor de “Brás, Quincas & Cia.” (Companhia das Letras), “Memorial de Buenos Aires” (Companhia das Letras) e do premiado “Que Fim Levou Brodie?” (Record, Prêmio Nestlé de Literatura 1997), além de centenas de outros textos publicados no Brasil e em outros países. E o curso é maneiríssimo: você assiste as aulas dele ao vivo, pela internet, todas as quartas-feiras, às 19h30m, e interage com o mestre. O interessado também pode fazer o download das aulas e assistir quando e onde quiser. O preço do módulo de 12 aulas é pra lá de módico: 100 pratas. Entre no site http://www.artedaescrita.com/e pare de enfiar a porrada na última flor do Lácio! Não é preciso ser um asno como os palhaços que tratam a língua portuguesa do mesmo jeito que Israel está fazendo com o povo da Faixa de Gaza. Até você que se comunica razoavelmente bem na sexta língua mais falada do mundo vai ganhar inscrevendo-se no curso Em Busca da Prosa Perdida. Já para você que quer aprender inglês, espanhol, francês, mandarim e árabe, recomendo outra instituição, que meu chapa Fernando Szegeri batizou de Instituto Joel Santana de Idiomas. Mas isso é só uma piada com o querido treinador (espero que eterno) do meu time. O curso sério é o do Antônio Fernando Borges.
Quem acompanha este blog sabe que o QUEM É VIVO SEMPRE APARECE é aberto a comentários, inclusive anônimos, desde que o autor da mensagem não perca a mão, não exagere na dose. Criado por uma pacata senhora que veio do Minho e chegou ao Rio de Janeiro, mais precisamente ao bairro da Abolição, ali perto da subida do Morro do Urubu, devidamente municiada com um estoque de palavrões maravilhosos, não me incomodo com o linguajar chulo. Aprendi quando criança e tudo o que a gente aprende cedo, em geral gosta. Os palavrões, em geral, são lindos. Sou fã deles e domino razoavelmente o idioma. Guardo comigo até uma edição do dicionário do Mário Souto Maior, que teria o dobro de tamanho se o Souto tivesse conhecido minha vó. Palavrões, em geral, são bem recebidos aqui, quando bem aplicados e destituídos de intenção ofensiva. No entanto, se tem uma coisa que detesto é gente que me manda “tomar no cú” com acento agudo. Bocas sujas, aprendam: cu não tem acento, tem assento, porra! Além de terminar em u, é oxítona! Seja desbocado, mas não seja burro, caceta! Digo isso para explicar que hoje, excepcionalmente, tendo em vista que passarei o dia longe de computadores, vou deixar a área de comentários sujeita a moderação. Ou seja, quem quiser escrever aqui pro blog, por qualquer motivo, inclusive para me xingar, não verá o comentário publicado imediatamente. E faço isso porque, logo cedo, dei de cara com dois comentários desse teor. Me mandaram para lugares absurdos e até sugeriram, numa dessas mensagens, que o blogueiro fornicasse com um homem-bomba. Tá me estranhando, meu chapa? Tá me estranhando, minha senhora? Mulher-bomba ainda vá lá, desde que o segundo termo da palavra composta não se refira aos atributos de beleza da dita cuja. Falando em burrice, os autores dos dois comentários assim se manifestaram porque não entenderam (ou não quiseram entender) que este blog é a favor do Estado de Israel, e justamente por isso é contra seus atuais dignitários, radicais de direita, asnos de antolhos que fazem o jogo dos antissemitas (e não dos anti-semitas, como disse o autor de outra mensagem anônima, ainda por fora da mudança ortográfica) que querem o fim desse país que nasceu do idealismo de Ben Gurion e hoje em dia é ameaçado pelas besteiras do Netanyahu. Era o que eu tinha a dizer. Bom dia para todos, menos para vocês que adoram botar acento agudo em cu! No vídeo, o inimitável Jorge Veiga canta “Orora analfabeta”, de Gordurinha e Nascimento Gomes.
O fato é que, lamentavelmente, o país criado por Ben Gurion - e por outros heróis judeus que tentaram encontrar um lugar de paz para instalar seu povo perseguido - está sendo levado ao suicídio pela extrema-direita de Benjamin Netanyahu. Leiam as postagens abaixo.
Coisas inacreditáveis que só na internet mesmo! Há algumas semanas entrei numa lista para festejar os 40 anos de determinado grupo político que atuou clandestinamente durante o regime militar. O pessoal estava organizando uma festa e meu chapa Nilo lembrou a um dos organizadores para me acrescentar, uma vez que também fiz parte daquela rapaziada. Foi nessa lista que tive acesso a um email, publicado apenas em parte na edição de hoje do Globo, de uma médica brasileira, hoje militar israelense, contando sua versão do episódio condenado com veemência em todo o mundo: o caso da flotilha que tentou levar ajuda humanitária aos palestinos que estão passando dificuldades na Faixa de Gaza lembra muito certos tiroteios nos morros do Rio. Só morreu gente de um lado, mas a versão oficial diz que as vítimas é que tinham culpa, não deviam estar onde estavam. Num dado momento, ela se queixa de que os manifestantes e tripulantes feridos “resistiram ao tratamento de médicos israelenses: Um deles cuspiu no nosso cirurgião. Outro deu um soco na enfermeira que tentava medicá-lo”. Mais adiante, ela conta que o navio estava “lotado de armas brancas e material para confecção de bombas caseiras”. E, logo a seguir, que os soldados de Israel “foram gratuitamente atacados, tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados”. E a explicação para a carnificina: “Morreram aqueles que tentaram matar os soldados, aqueles que não eram civis pacifistas, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo”. Além desse depoimento, recebemos também na lista mais material destinado a corroborar a versão de que os pobres soldados israelenses, coitados, foram obrigados a passar o cerol naqueles sádicos que queriam levar comida, roupas e apoio à população de Gaza. Ah! E também a newsletter das Forças Armadas de Israel (!!!) e uns vídeos do Youtube mostrando o momento do “embarque” (na verdade, invasão) dos militares israelenses no navio turco Mavi Marmara, que fazia parte da flotilha. O primeiro soldado que desceu, evidentemente, já que se tratava de uma invasão, foi cercado pelos encarregados da segurança do navio, que meteram a porrada no invasor (Queriam o quê? Que no navio estivessem somente os ativistas magrinhos, míopes e dentuços? Um comboio mesmo de paz precisa de uma zaga com lúcios, máicons e juans, até para o caso de surgirem piratas tentando abordá-lo). Como é que alguém ferido pode reagir a algum tipo de assistência médica? Pode sim, se os médicos e paramédicos chegaram juntos e acumpliciados com os caras que invadiram seu navio e mataram nove amigos seus. O que é ser gratuitamente atacado? Imagine um soldado israelense fortão, armado e bom lutador de krav magá abordando o navio de uma flotilha pacífica, cheio de más intenções. O que o pessoal a bordo devia fazer? Ajoelhar-se diante do bruto ou, se tiver condições disso, reagir a um ato de estupidez? “Morreram aqueles que tentaram matar os soldados”. Hahahaha! Esse argumento seria impagável se o assunto não fosse tão sério. O que é um navio “lotado de armas brancas”? O que significa exatamente a expressão “material para confecção de bombas caseiras”? Garfos, chaves de fenda, faca para limpar peixe, tudo isso pode ser considerado arma branca. Material para confecção de bombas caseiras pode ser qualquer coisa. Num jardim de infância ou numa loja de brinquedos deve ter algo que ajude a fazer uma bomba caseira. A íntegra do email que chegou ao Globo e a outros jornais, enviado pela médica paulista A.L.T., diz o seguinte: “Oi a todos!! Primeiro quero agradecer a todos os e-mails preocupados. Eu estou bem, ótima. Eu peço desculpas por não escrever mais frequentemente, mas no exército é assim. Não temos tempo para nada. Sei que todos já estão cansados de ouvir falar do que aconteceu em Gaza nesta semana, mas como ouvi muitas asneiras por aí, resolvi contar a vocês a minha versão da história. Eu não quero que pensem que virei alguma ativista ou algo do gênero. Eu continuo a mesma A. de sempre. Mas por ter feito parte desse episódio, não posso me abster de falar a verdade dos fatos. EU ESTAVA LÁ! NINGUÉM ME CONTOU. NÃO LI NO JORNAL. NÃO VI FOTOS NA INTERNET OU VÍDEOS NO YOUTUBE. VI TUDO COMO FOI MESMO, AO VIVO E COM MUITAS CORES. Como vocês sabem, eu estou servindo com médica na medicina de emergência do exército de Israel, departamento de trauma. Isso significa: medicina em campo. 4:30h da manhã de segunda-feira: meu telefone do exército começa a tocar. Possíveis conflitos em Gaza? Pedido de ajuda da força médica, garantir que não faltarão médicos. Minha ordem: aprontar-me rapidamente e pegar suprimentos, o helicóptero virá me buscar na base. No caminho, me explicam a situação. Há um navio da ONU tentando furar a barreira em Gaza. Li todos os registros fornecidos pela Inteligência do exército (até para entender o tamanho da situação). O navio se aproximou da costa a caminho de Gaza. O acordo entre Israel e a ONU diz que TODOS os barcos devem ser inspecionados no porto de Ashdod em Israel e todos os suprimentos devem ser transportados pelo NOSSO exército a Gaza. Isso porque AINDA HOJE, cerca de 14 mísseis t~em sido lançados de Gaza contra Israel diariamente. E não podemos permitir que mais armamento e material para construção de bombas seja enviado ao Hamas, grupo terrorista que controla Gaza. Dessa forma, evitamos uma nova guerra. Ao menos por agora. O navio se recusou a parar. Disseram que eles mesmo entregariam a carga a Gaza. Assim, diante de um navio com 95% de civis inocentes (os outros 5% são ativistas de grupos terroristas aliados ao Hamas, que tramaram toda essa confusão), Israel decidiu oferecer aos comandantes do navio que parassem para inspeção em alto mar. Mandaríamos soldados para inspecionar o navio e, se não houvesse armamento, ele poderia seguir rumo a Gaza. ESSA FOI UMA ATITUDE EXTREMAMENTE PACIFISTA DO NOSSO EXÉRCITO, EM RESPEITO AOS CIVIS QUE ESTAVAM NO NAVIO. E, SE NÃO HÁ ARMAMENTO NO NAVIO, QUAL O PROBLEMA DE QUE ELE SEJA INSPECIONADO? Os comandantes do navio concordaram com a inspeção. 5:00h - Minha chegada em Gaza. Exatamente no momento em que os soldados estavam entrando nos barcos. E FORAM GRATUITAMENTE ATACADOS: tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados. Mais soldados foram enviados, desta vez para controlar o conflito. Cerca de 50 pessoas se envolveram no conflito, 9 morreram. Morreram aqueles que tentaram matar nossos soldados, aqueles que não eram civis pacifistas da ONU, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo. Todos os demais 22 feridos entre os tripulantes do navio, foram ATENDIDOS E RESGATADOS POR NÓS, EU E MINHA EQUIPE E ENVIADOS PARA OS MELHORES HOSPITAIS EM ISRAEL. Entre nós, 9 feridos. Tiros, facadas e espancamento. Um deles ainda está em estado gravíssimo após concussão e 6 tiros no tronco. Meninos entre 18 e 22 anos, que tinham ordem para inspecionar um navio da ONU e não ferir ninguém. E não o fizeram. Israel não disparou nem o primeiro, nem o segundo tiro. Fomos punidos por confiar no suposto pacifismo da ONU. Se soubéssemos a intenção do grupo, jamais teríamos enviados nossos jovens praticamente desarmados para dentro do navio. Ele teria sim sido atacado pelo mar. E agora todos os que ainda levantam a voz contra Israel estariam no fundo mar. - Depois de atender os nossos soldados, me juntei a outra parte da nossa equipe que já cuidava dos tripulantes. Mesmo com braceletes dizendo MÉDICO em quatro línguas (inglês, turco, árabe e hebraico) e estetoscópios no pescoço, também a nós eles tentaram agredir. Um deles cuspiu no nosso cirurgião. Um outro deu um soco na enfermeira que tentava medicá-lo. ALÉM DE AGRESSORES, SÃO TAMBÉM INGRATOS. Eu trabalhei por 6 horas seguidas atendendo somente tripulantes do navio. Todo o suprimento médico e ajuda foram oferecidos por Israel. Depois do final da confusão, o navio foi finalmente inspecionado. LOTADO DE ARMAS BRANCAS E MATERIAL PARA CONFECÇÃO DE BOMBAS CASEIRAS. ONDE É QUE ESTÁ O PACIFISMO DA ONU??? Na terça-feira, fui visitar não só os nossos soldados, mas também os feridos do navio. Essa é a polםtica que Israel tenta manter: nós não matamos civis como os terroristas árabes. Nós não nos recusamos a enviar ajuda a Gaza. Nós não queremos mais guerra. MAS JAMAIS VAMOS PERMITIR QUE MATEM OS NOSSOS SOLDADOS. Só milionário idiota que acha lindo ser missionário da ONU não entende que guerra não é lugar para civis se meterem. Havia um bebê no barco (que saiu ileso, obviamente): alguém pode explicar por que uma mãe coloca um bebê em um navio a caminho de uma zona de guerra? Onde eles querem chegar com isso? ELES NÃO ENTENDEM QUE FORAM USADOS COMO FERRAMENTA CONTRA ISRAEL, E QUE A INTENÇÃO NUNCA FOI ENVIAR AJUDA A GAZA E SIM GERAR (..., o email está truncado nesse ponto). E o presidente Lula precisa também entender que desta guerra ele não entende. E QUE O BRASIL JÁ TEM PROBLEMAS DEMAIS SEM RESOLVER. TEM MAIS GENTE PASSANDO FOME QUE GAZA. TEM MUITO MAIS GENTE MORRENDO VÍTIMA DA VIOLÊNCIA. Eu sempre me orgulho de ser também brasileira. Mas nesta semana chorei. De raiva, de raiva de ver que especialmente no Brasil, muito mais do que em qualquer outro lugar, as notícias são absolutamente destorcidas. E isso é lamentבvel. Não me entendam mal. Eu não acho que todos os árabes são terroristas. MAS SEI QUE QUEM OS CONTROLA HOJE. E que esta guerra não é só contra Israel. O Islamismo prega o EXTERMÍNIO de TODO o mundo não árabe. Nós só somos os primeiros da lista negra. Por favor encaminhem este e-mail aos que ainda não entendem que guerra é guerra e que os terroristas não são coitadinhos. Eu prometo escrever da próxima vez com melhores notícias e melhor humor. Tenho algumas boas aventuras pra contar. Um beijo a todos Shabat Shalom A”. É de doer, hein? Some-se à arrogância da remetente (os destaques em letra maiúscula estão no original do email), pérolas tais como “os feridos são uns ingratos” e "guerra é guerra", comparar a ONU com uma facção terrorista, mandar o Brasil enfiar a viola no saco, dizer com outras palavras que o Lula é burro (mais um, meu Deus!, quando é que a direita vai me permitir parar de votar no Lula e em seus candidatos?), e deixar claro que ninguém mais tem a ver com o que se passa no Oriente Médio. Sei não, mas o que os direitistas israelenses pregam hoje não é muito diferente do que o nazismo chamava de “Lebensraum” - a conquista do Espaço Vital para a raça ariana. Shabat Shalom ou Sieg Heil?
Que beleza este minidocumentário, “Um armazém das antigas”, que recebi do meu chapa Paulo Romeu. Foi colocado no Youtube e veio de mão em mão. A sinopse abaixo é de José de Souza Martins: “O autor do documentário fez uma verdadeira descoberta arqueológica: a dinâmica sobrevivência do que o antropólogo americano Sol Tax conceituou, no início dos anos 1950, como penny capitalism (capitalismo do tostão). Este documentário mostra a persistência de técnicas antigas de comercialização de produtos no varejo, especialmente produtos agrícolas. São técnicas que combinam compra e venda sem descartar o mero escambo, a mera troca de produto por produto, numa relação comercial baseada na confiança e no crédito de boca. A Mercearia Paraopeba existe há quatro gerações, na Rua João Pessoa 110, em Itabirito (MG). Esse capitalismo do tostão, entre os antigos, representava a coexistência entre o comércio potencialmente desumanizador e a mentalidade comunitária da cultura de vizinhança, que resistiu e resiste ainda à coisificação e à desumanização da pessoa, próprias da sociedade cujas relações típicas e dominantes são sociologicamente determinadas pela impessoalidade do lucro, que reduz o outro a mero instrumento do ganho”.
Jornalista e professor da Escola de Comunicação da UFRJ
"O presidente do Irã, Mahmmoud Ahmadinejad, é tido pela mídia hegemônica ocidental – a brasileira sendo uma das mais entusiastas – como o “tirano”, o “inimigo público nº 1 do mundo livre”, isto é, da parte ocidental do mundo. Volta e meia, em debates e conferências em que participo, indago aos presentes e interlocutores sobre o seguinte: quantos países o Irã invadiu nos últimos 50 anos; e quantos países foram invadidos pelos Estados Unidos? Surpresa e silêncio. Não há respostas. O ataque de Israel a um navio da Frota da Liberdade, embarcações que atravessaram o Mediterrâneo para levar ajuda humanitária à numerosa população da Faixa de Gaza, demonstra com muito mais evidência, sem dúvida e nem qualquer possibilidade de equívoco, quem são realmente os amantes da guerra, os tiranos que infernizam a paz, construindo muros, realizando bloqueios e ataques “preventivos” em águas internacionais e mesmo em fronteiras alheias, como nas invasões recentes ao Iraque e ao Afeganistão, e na tomada de Granada, no Caribe, em fins dos anos 1970, ou o Panamá, ou... Quantos mais? Dias após o presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e o primeiro ministro da Turquia, Recep Erdogan, assinarem com o Irã um tratado a respeito do uso pacífico da energia nuclear por aquele país, para o atendimento às demandas econômicas e sociais da sociedade iraniana – iniciativa bombardeada pelas nações hegemônicas e que teve repercussão extremamente negativa na chamada “grande imprensa” brasileira –, pois o que aconteceu? Como uma trágica ironia da história, as Forças Armadas de Israel invadem um navio turco, com dezenas de ativistas da paz que levavam alimentos e auxílio à população palestina de Gaza, matam número ainda impreciso desses pacifistas, promovendo uma das maiores barbáries da história moderna. Israel, sim. Não foi o Irã de Ahmadinejad, mas o país que para ser cri ado tomou as terras árabes da Palestina, ex pulsando o povo palestino e instaurando uma sucessão das mais trágicas carnificinas da história humana contemporânea. Agora, Israel impede a população de Gaza de ter acesso livre e receber, livremente, por terra, por mar e por ar, visitantes a seu país. E Israel promove este bloqueio diante do silêncio mais cínico da chamada “comunidade internacional”, isto é, a ONU e seus “líderes mandatários”, os Estados Unidos à frente. A alegação israelense é a mais hipócrita. O governo de Israel “justifica” sua atitude de bloqueio, em razão de o grupo islâmico Hamas controlar o poder político e militar em Gaza. Obviamente, o governo israelense não admite que o Hamas tenha sido eleito por ampla maioria do povo palestino de Gaza. Isto é apenas um detalhe. Mas a fúria assassina de Israel ficou à mostra, coincidentemente, no mesmo momento político em que o governo estadunidense, com a ex-primeira-dama Hillary Clinton à frente, elevava o tom contra o acordo ace rtado pelo Brasil e a Turquia com o Irã, no sentido de promover a paz no Oriente Médio. Agora é Israel e seu governo, com Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro e Shimon Peres como presidente, que despertam as atenções mundiais, intensificando as tensões militaristas. Pacifistas de todo o globo se movimentam contra o bloqueio e as atrocidades de Israel. As grandes potências, Estados Unidos e Grã-Bretanha à frente, se calam. A enfraquecida Organização das Nações Unidas pede um relatório “crível”, como se algo mais precisasse ser apurado, após relatos e imagens do que foi a invasão de um navio da Frota da Liberdade. Calam-se os que vociferavam, cheios de ódio, contra Ahmadinejad. Até porque não sabem como responder, agora, sobre aonde realmente mora o perigo e o terrorismo, inclusive, nuclear, dos nossos dias presentes. Um terrorismo que, como denunciou recentemente um jornal britânico, vem de décadas, antes mesmo de o hoje presidente israelense Shimon Peres oferecer armas atômicas ao regime de apartheid da África do Sul. O rei e a mentira estão nus e armados. A hipocrisia impera nas Nações Unidas. E não é hora para se ficar calado. Cada voz, por mais frágil, será um grito pela paz e pelo fim dos assassinatos da gente palestina. Gaza Livre, Free Gaza".
Tenho certeza de que fui judeu na última encarnação. Isso porque, lá pelos meus 10/12 anos, quando fiquei sabendo do Holocausto, dormi mal muitas noites – sei que vocês me acham um sacana que nunca fala sério, mas é a pura verdade. À medida que tinha conhecimento, através de filmes, fotos e textos, das barbaridades praticadas nos campos de concentração, os pesadelos pioravam. O fato de ter tido um bisavô judeu holandês – outra informação que recebi na mesma época – somente consolidou a sensação de que, alguns anos antes de nascer, fui parar no forno crematório em Auchwitz. Depois de mais um crime, como este ataque terrorista de Israel contra os tripulantes da flotilha que estava a caminho da Faixa de Gaza, com o objetivo de promover ajuda humanitária, tive outra impressão ruim. A de que esse sujeito lá em cima, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que nasceu em 1949, é a reencarnação do comandante de Auchwitz, Rudolf Hoess (não confundir com outro criminoso de guerra, chamado Rudolf Hess), essa figura diabólica da foto menor. Hoess morreu em 1947. Dois anos depois, voltou judeu ao mesmo planetinha chinfrin. Só que judeu de extrema-direita, igualzinho ao monstro de Auchwitz. Essa bosta que vocês ouvem clicando a setinha é o hino nazista.
Já tive página no orkut, com mais de cinquenta “amigos” (ponho entre aspas porque nem todos eram). Entrei, na verdade fui levado, para o tal do facebook, e chegaram a quase cem. E até nessa porcaria de twitter também me meti, por alguns dias. Não deu tempo, portanto, para arrebanhar seguidores. E nunca tive essa intenção. Quem tem seguidor é profeta, desfile militar e mulher boa. O twitter, além de tudo, tem limitação de toques. Vim de redação de jornal e tô fora para falta de espaço. Saí das ditacujas “redes sociais” porque era muita exposição, muita intriguinha e, dizem, muito cavalo de tróia. Não quero ninguém me seguindo. Acompanhem um campeonato ou novela. Sigam adiante ou recuem, se acharem melhor. Vão atrás de uma minissérie ou, melhor ainda, de uma minissaia. Não faço parte de patota. Continuo com este blog porque não consigo parar. É quase igual a cigarro. Divulgue quem quiser. Quem não quiser, passe bem (para não empregar o verbo reflexivo que minha falecida avó postiça lusitana, dona Adelina, acabou de me soprar). Você aí que está me lendo agora, obrigado bateria! Tá gostando? Seja bem-vindo, volte sempre. Achou ruim? Pegue um livro, de bom autor e capa dura. Eu não conto presenças. Tenho até contador, mas nunca deu vontade de aprender a usar essa tecnologia. Pois é, não acordei bem hoje e só agora à noite é que me dei conta. Até!
“O pior sentimento é a pena. A pena destrói qualquer ser humano. Quer acabar com uma pessoa, tenha pena dela”. Quem fala assim não é nenhum autor de livro de auto-ajuda. É um ex-mendigo que conheci ontem. Chama-se Alamir, não sei o sobrenome. Foi mendigo durante mais de cinco anos. Perguntei-lhe o que o levou a viver na rua, ao relento, expondo-se às noites frias de inverno. Quando era garoto, consertava cadeiras de vime em um ponto qualquer da Rio-Petrópolis para ajudar a avó. Quando ela morreu, ficou deprimido e foi viver de esmolas. Encontrei o Alamir na quarta-feira passada, quando estava papeando com o jornaleiro aqui perto de casa. Franco, o jornaleiro, foi um dos responsáveis pela mudança na vida do Alamir. Emprestou-lhe dinheiro, certa vez, há uns 15 anos, para que comprasse material para voltar a trabalhar com vime nas calçadas de Icaraí. Alamir é inteligente como o diabo, apesar de semialfabetizado. Contou-me um monte de coisas que eu não sabia sobre os moradores de rua. Aliás, ele detesta o termo morador de rua. “O certo”, diz, “é mendigo mesmo. O resto é demagogia”. Como alguém vira mendigo? Ele garante que todos que entraram nessa vida o fizeram por opção. “Não existe isso de o cara virar mendigo por falta de dinheiro, perda de emprego ou porque foi traído pela mulher. Mendigo é como chamam esse cara, mas ele se considera um sujeito normal. Se o problema é endereço, ele também tem. Só vive se mudando. Sabe por que mendigo muda? Para não ser visto por quem o conhecia antes de ser mendigo. Se aparece algum conhecido ou alguém da família, ele troca de bairro”. E como alguém assim deixa de ser mendigo? Por acaso, porque estava na hora de mudar de vida. No dia 7 de setembro de 1985, Alamir estava sentado num meio-fio, como sempre, mas como ia ter parada estudantil no Centro de Niterói, alguém o expulsou do local, para não atrapalhar as evoluções da garotada. Apareceu um senhor do nada e perguntou-lhe se topava ajudá-lo a fazer um jardim. No dia seguinte, Alamir lá estava na casa do velho. Ralou um dia, dois, e no terceiro ele mesmo resolveu tomar o primeiro banho em semanas. O dono da casa não o forçou a nada. No quarto dia, perguntou se ele queria trocar de roupa. E deu-lhe calça e camisa novas. “Mendigo não gosta de ouvir conselhos, não gosta quando outro tenta lhe impor alguma coisa. Ele vive um processo que tem a ver com a depressão. Alguns morrem mendigos, outros voltam a lutar pela vida. Outra coisa: mendigo não passa fome. Sempre tem alguém que o ajuda. Sempre tem alguém com pena dele. A pena é pior de que todos os pecados capitais juntos”. Numa ocasião, recém-saído da mendicância, mas ainda vivendo nas ruas – no caso, aí sim, por falta de dinheiro para pagar um aluguel –, estava perto de uma solenidade qualquer e um dos organizadores desse encontro queria que um “morador de rua” falasse. Alamir ficou diante do auditório, pegou o microfone e falou tudo o que pensava. Um partido político o procurou e o lançou candidato a vereador. Teve pouco mais de 300 votos. Mudou de partido depois da eleição e chegou a concorrer novamente a vereador e, uma vez, a deputado estadual, agora pelo PC do B, com o nome de Alamir do Vime. Anda com uma foto dele abraçado com o ministro dos Esportes, Orlando Silva. Acredita no PC do B, mas sabe que existem outras formas de fazer política. A que ele prefere não dá votos porque o negócio do Alamir é ajudar mendigo a se reabilitar. Encerra o papo me dando um número de telefone. E me pede que, se encontrar nas ruas de Niterói um mendigo em dificuldades, precisando de socorro, dê esse número a ele. Outras pessoas não interessam. Posso ser meio crédulo, mas se o Alamir estivesse interessado em votos, não se preocupava com mendigos. Mendigo não vota. E se despede parafraseando Karl Marx, acho que sem saber: “Não tenho vergonha de falar sobre o que eu era. Quem esquece o passado está condenado a repetir tudo”.
Bira da Vila é daquelas figuras que imediatamente estabelecem empatia com Deus e o mundo. Tem mais: é um compositor enraizado em sua Baixada Fluminense, pois sua Vila não é a Isabel do Noel e nem a Vila da Penha de seu querido amigo e parceiro Luiz Carlos da Vila. Bira é da Vila São Luís, no primeiro distrito de Duque de Caxias. Pesquisador da história musical da região onde nasceu e vive, o Bira é também um cara tinhoso que resolveu fazer um CD importante. Não apenas mais um CD de samba, mas um documento sonoro para registrar, além dos sambas que fez com Luiz Carlos da Vila e Serginho Meriti, entre outros, outras canções bem mais antigas de compositores como Cabana, Osório Lima, João da Paz, Toninho Barros, Jairo Bráulio e Anésio. E assim nasceu “O canto da Baixada”. Nessa pesquisa, ele teve até orientador: o radialista Adelzon Alves, um profundo conhecedor da matéria e responsável durante décadas por um programa que fez a cabeça de muita gente que até então não ligava muito para esse que é o ritmo brasileiro mais conhecido no mundo. Em 2002, em parceria com Riko Dorilêo, Bira compôs Ventos da liberdade, uma música tocada todos os dias nas rádios do país. Que país? Angola, onde esta canção é considerada quase um hino de libertação. “Então leva”, gravada por Zeca Pagodinho, e “O daqui, o dali e o de lá”, que na faixa do CD do Bira tem a participação de Beth Carvalho, foram outros sucessos mais recentes. Depois de dois ou três anos atrás de patrocínio, Bira enfim está lançando “O canto da Baixada”. Vai ser na terça-feira, dia 8 de junho, a partir das 19h, no anfiteatro do Clube de Engenharia, que fica na Avenida Rio Branco 124/25º andar, Centro do Rio. Mas não espere tanto para pegar seu disco e o ingresso para o show: já estão à venda na Livraria Folha Seca, na Rua do Ouvidor nº 37, naquele pedacinho que fica entre a Primeiro de Março e a Travessa do Comércio, bem próximo à Praça 15. Por 30 pratas, você leva o ingresso e o CD, e prestigia esse projeto 100% independente, porque o dinheiro – aqui ó! – não saiu até hoje e o Bira precisa da grana para garantir a galinhada que prepara pessoalmente, sempre chamando os amigos, na Vila que lhe deu o sobrenome.
Em 11 de maio, morreu Omar Serrano, fundador em Niterói de um partido que se dizia diferente, mas não era (embora outros bem piores também continuem por aí), e além disso, um dos pioneiros e figura carimbada do Candongueiro, a casa de Pendotiba que faz história no samba. A última vez que o vi foi na terça-feira do último carnaval, quando, mesmo não se sentindo bem, fez questão de comparecer ao desfile do Cordão Agoniza Mas Não Morre, que Ilton e Hilda Mendes, organizam todo ano e que terminou com uma inesquecível roda de samba na pracinha de São Domingos. Perco a conta de quantas vezes o vi, feliz da vida, sambando com as “criaturas” (assim ele se referia ao sexo oposto). Quantas vezes, quando chegava, era saudado pelos amigos sacanas com os versos de um samba-enredo: "Omaaaar, misterioooso Omaaar". Só hoje é que eu soube da má notícia. Em homenagem ao Omar, um samba que ele adorava, de seu amigo Wilson Moreira, em parceria com Nei Lopes.
Tem gente que gosta de ouvir o bigode crescer, outros preferem farrear. Pertenço a este segundo grupo. Respeitando quem gosta de comidinhas francesas em pratos rasos, meu negócio é feijoada – só de escrever isso, já noto uma leve oscilação da taxa do ácido úrico. Pagar mico também é comigo: vivo rindo de mim mesmo. Quem ainda não se deu conta de que, residentes deste terceiro planetinha fuleiro de quem vem do Sol, sentido Júpiter, não passamos, nós terráqueos, de futuros defuntos que apenas estão pelaí, de bobeira, enquanto não descem os sete palmos? Futuros? Nem tanto. Tirando o Niemeyer, que não é leitor desse blog, quem mais se habilita a fechar a conta dos dois galos? Dos vivos hoje, só ele mesmo e alguns moradores dos Montes Urais passaram do centenário. A vida é curta. Meu chapa Paulo Eduardo Neves é um que sabe disso. Completou quarentinha um dia desses e, em vez de fechar uma casa de festa cheia de pinguins servindo canapezinhos, proseccos e outras porcarias, armou a quizumba no meio da rua, no caso a Ouvidor, num domingo sem pagodeiros. Foi com sua linda Cris e os dois pimpolhos, Seu Natal e Seu Candeia. Em vez de espumante, o que teve foi cerveja e bons produtos extraídos da cana, que além do etanol também é bom combustível. Na roda de samba, comandada pelo Galotti, o homem-repertório, lá estavam o garoto Pratinha com seu sete cordas, e ainda o pandeiro, o tantã, o tamborim e o surdo revezados pelos tarimbados André Pressão, Almir e Declarck. Nas imediações, o Digão da Folha Seca, corresponsável (esta nova ortografia é de matar) pela organização da farra (farra também se organiza), e um monte de gente boa que foi chegando e contribuindo para o sucesso da carraspana etílico-musical. Lá pelas tantas, eu mais pra lá do que pra cá, metido pra cacete com um tamborim vermelho que consigo tocar melhor do que a maioria dos percussionistas do Tibete, novamente pago um mico, sem perceber que minha querida amiga portelense Bia estava filmando aquela atormentada, mas nem por isso menos elogiada, performance. Hoje, este blog é autocentrado, sim, e aperto a tecla F.
Com vocês, eu... e, ahá!, mais um mico de minha autoria! O samba tocado no momento é “Loira Luzia”, de Nei Lopes: “No dia em que a loira Luzia pôs fogo no morro Sargento Garcia deu tapa no Zorro E a Rua do Chichorro mudou de lá do Catumbi Um gato que estava num poste roubando energia Comeu um cachorro, crente que comia Uma gata escaldada, na laje lá no Tuiuti Foi nisso que uma coisa estranha baixou no terreiro Cabeça de área, corpo de bombeiro Uma perna de três e dois dedos de prosa, Orelha de livro, um pé de conversa (era um espantalho!) A boca de fumo, um dente de alho Mané, que trabalho, que coisa horrorosa! O carro da polícia ia saindo ileso Mas acabou preso no engarrafamento E o da funerária morreu a caminho De um sepultamento O carro do bombeiro pegou fogo E a ambulância chamou o socorro... No dia em que a loira Luzia pôs fogo no morro”.
Esta meu chapa Simas, do segundo melhor blog que conheço, o Histórias Brasileiras (http://hisbrasileiras.blogspot.com), vai adorar. Digo segundo porque o primeiro ainda é o Histórias do Brasil (http://hisbrasil.blogspot.com/), do mesmo autor. Não lembro se este samba-enredo hilariante, "Noruega, gelo e alegria", foi gravado num compacto simples ou duplo. Acho que era simples e – pior ainda – esta "exaltação" à Noruega estava no lado B do disquinho. Tenho quase certeza de que no lado A estava o “Samba do crioulo doido”, de Stanislau Ponte Preta. Não conhecia a história deste samba até, por acaso, topar com um site chamado Trem de doido (http://mynerva.podomatic.com). Foi lá que encontrei a letra de “Noruega, gelo e alegria”, de Luiz Carlos Sá (aquele do trio Sá, Rodrix e Guarabira) e Paulinho Machado. A segunda parte eu tinha toda na cabeça, desde adolescente. Agora sei toda e compartilho com vocês. Melhor ainda, achei também a gravação. Clique na seta acima para ouvir. A propósito, ali na ilustração são cabeças de bacalhau. Pois é, existem sim. A letra é a seguinte: “Noruega, teus campos brancos de neve Nos trazem a mais feliz recordação Dos momentos gloriosos Inesquecíveis, heróicos Da pesca do bacalhau, ô ô Quem já viu o sol da meia-noite nascer Pode nos dizer com mais razão, ô ô Noruega, Noruega querida Para sempre morarás no meu coração, Noruega Baluarte da Europa Setentrional Banhada pelo Oceano Glacial, ô ô Teve em sua história grandes vultos Reis, crianças e adultos Que fizeram sua honra e tradição As ardósias dos fiordes majestosos As papoulas das falésias tão gentis Ôo, ôo, ôo, ôo Abre alas minha gente que a Noruega chegou (diz, Noruega!) Das planícies geladas e silenciosas Partiram os temidos vikings Navegando rumo oeste, mar afora Descobriram a América antes da hora Na bandeira o vermelho da coragem O branco da pureza e o azul do imenso céu Terra abençoada onde reside o bom velhinho conhecido pela alcunha de Papai Noel, Noruega Ôô, ôô, ôô Abre alas minha gente Que a Noruega chegou (bis) (Noruega ou não é?)”.
Não tem mané Chicago nem mané Cepal. Harvard? Jardim de infância! Adam Smith, David Ricardo, Galbraith, Samuelson, Paul Krugman, Myrdal, Friedman, Celso Furtado, Meireles, Simonsen – esses caras não estão com nada, malandro! Quem entende de dindim no buraco de pano é o pessoal que organiza os investimentos no altar da Universal. Ninguém segura: Prêmio Nobel de Economia já para o bispo Everaldo. Alô PUC, alô USP, alô Unicamp! Contratem logo o Ministro da Fazenda da IURD.
O projeto Ficha Limpa passou no Senado. Políticos condenados pela Justiça, mesmo em processos ainda não concluídos, estão impedidos de se candidatar. Agora só falta a sanção presidencial para que a lei entre em vigor antes das eleições. Quem diria que os brasileiros seriam capazes de construir um país melhor, hein? Próxima parada para manter o ritmo desse avanço: a votação dos projetos do pré-sal.
Em mais uma comemoração pela conquista do título estadual de 2010, jornalistas apaixonados pelo Botafogo de Futebol e Regatas almoçaram no restaurante de General Severiano, o Fogão Gastronômico, cheio de fotos dos grandes craques do Glorioso. Foi um grande dia, não só porque revi tantos e excelentes colegas – Penido, Maurício, Lau, JB, PC, Gehreim, Porto, Diogo, Fábio, Bernardo, Nilson, Molica, Ivan, Sergio, Falcão e o assessor de imprensa do clube, Márcio Tavares, entre tantos.
O motivo principal é que o Botafogo, na minha opinião, está muito bem entregue. Ouvi do presidente Maurício Assumpção e do diretor Thiago Cesário Alvim relatos sérios sobre como o clube está sendo administrado. Sem conversa mole e sem historinhas. Tá certo, vou contar só um dos temas abordados: além do Maicossuel e do Jobson, outra contratação praticamente certa é a do Messi – se não fizer besteira no Mundial. De onde vai vir a grana? Da megassena que vou ganhar nesta quarta-feira ou, no mais tarde, na extração de sábado. Caso não dê certo, meu plano B é o frila que farei para uma publicação do grupo EBX, mas isso ainda é segredo, inclusive para o Eike Batista. Na foto acima, alguns dos convidados, em torno do monstro sagrado Luiz Mendes. Na foto abaixo, o papagaio de pirata que vos escreve ao lado do presidente Maurício Assumpção, sujeito homem que hoje tive o prazer de conhecer.
A figura em questão exerce as funções de vereador na cidade onde vivo. Como quase todos os colegas dele na Câmara Municipal - com raríssimas exceções - não trabalha para a coletividade. O negócio dele (deles) é atuar no campo do clientelismo. O salário é pago pelo povo de Niterói, começando pelos vizinhos e pelo mais humilde dos envolvidos no fuzuê, o porteiro do prédio, surrado por ele e pelos seguranças particulares do político. Estes, por sua vez, nem zelam por segurança alguma e, apesar de "particulares", são pagos direta ou indiretamente com dinheiro público. Quem reclamou do barulho da festa depois do horário de silêncio - que em muitos bairros de Niterói é uma ficção - foi destratado e agredido. As câmeras de vigilância captaram tudo e o vídeo foi parar no telejornal. Mas, como sou pessimista, ou melhor realista, aposto: querem ver só como a figura é capaz de se reeleger? Um motivo: do bairro do Ingá, seu reduto eleitoral, com o "apoio" dele, saem nos dias de jogos ônibus lotados de torcedores do Flamengo, do Vasco, do Botafogo e do Fluminense. E sempre tem um churrasco 0800, uma cervejada, uma festa na rua e coisa e tal, para amarrar esse tipo de eleitor que, infelizmente, ainda existe em Niterói e em muitas e muitas cidades brasileiras.
Lembram disso? A jornalista Marina Motta ainda estava no berço, mas lembra perfeitamente de ter visto essa propaganda eleitoral na TV. Na época em que pintava o cabelo de preto, Sílvio Santos tentou concorrer a presidente da República, mas teve a candidatura impugnada. A favor do Sílvio diga-se que ele era (ou ainda é) o rico que pagava (ou ainda paga) mais Imposto de Renda no país. Diga-se também a favor dele que... bom, acho que era só isso. Mas, cá entre nós, basta para mostrar que os endinheirados do Bananão não estão nem aí para o Fisco. Na época em que meu amigo Cezar Motta, também jornalista e pai da Marina, cobriu as férias do Lombardi (falecido recentemente), ele me contou que foi com o Sílvio que aprendeu o tom certo de acaju que chegou a usar, durante poucos dias. O produto parou de ter efeito porque o Cezão tinha a mania de coçar as madeixas com frequência. Mas a receita foi passada adiante e atualmente é usada por um amigo comum chamado Wallace.
Na véspera da convocação dos 23 jogadores que vão à Copa, uma proposta indecorosa foi feita na Câmara dos Deputados. O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e o da oposição, João Almeida (PSDB-BA), esses dois folgados aí em cima, o petista risonho e o tucano barbudo, quiseram antecipar o recesso na Câmara dos Deputados para que os ilustres parlamentares pudessem ver os jogos da Copa. Ficariam MAIS DE UM MÊS coçando os bagos, como dizia dona Adelina, minha vó, a portuguesa mais desbocada do bairro da Abolição. Não basta parar o batente na hora dos jogos? Pensando bem, que batente? A maioria ali só trabalha de terça a quinta, alguns nem isso! O presidente da Câmara, ainda bem, foi contra, mas também não escapou de falar asneira. Segundo Michel Temer, a proposta é inviável, “apesar de patriótica”. Patriótica é o cacete! Adoro futebol, vejo os jogos da Copa, mas não me acho patriota por causa disso. A inversão de valores que a gente vê nas ruas, e muita gente só vê isso no pessoal mais jovem, vem de maus exemplos como o que essa dupla quis dar. Será que Vaccarezza e Almeida mandaram os filhos suspenderem os estudos durante um mês por causa da Copa? Será que vão dar folga à empregada durante um mês? Suas respectivas madames vão ficar mais de um mês sem ir às compras porque todo o pessoal empregado no comércio vai parar MAIS DE UM MÊS para acompanhar o Mundial? Esses caras vivem em que mundo, hein? Que país os vagulinos querem construir? Vão trabalhar, vagabundos!
O tradutor pode ser um traidor, como dizem os italianos ("tradutori, traditori"). Se tem uma coisa que eu não suporto são as legendas para surdos-mudos nos canais da TV aberta. A ideia é ótima, mas as legendas às vezes são um amontoado de bobagens. Ou seja, nem agradam aos deficientes auditivos nem aos que ouvintes. E a gente ainda fica sem saber quem está falando, de onde está falando. Mas esse tradutor que a Frente de Libertação Nacional de Moçambique arranjou para esculachar com os corruptos, com a prostituição e com os maconheiros (surumáticos), esse cara é genial. O vídeo foi enviado por meu chapa Eduardo Varela.
Mestre do suspense, o inglês Alfred Hitchcock é conhecido também por assinar seu longo trabalho no cinema com criatividade. Os cinéfilos se divertem em lembrar suas aparições - as assinaturas - em cada um dos 40 filmes que dirigiu. Este vídeo do Youtube reúne boa parte dessas cenas antológicas em obras-primas como Psicose, Pacto Sinistro, Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta, Os Pássaros e Frenesi, entre outras. A que gosto mais é o anúncio do remédio para emagrecer no jornal lido por um ator do filme Um barco e nove destinos.
Esta é a imagem de uma "lesão corporal leve", de acordo com o laudo da perícia do IML-RJ. A vítima, uma criança de dois anos de idade, continua internada e pode ter que precisar de acompanhamento psicológico durante boa parte de sua vida. Quem sabe, em breve, esta imagem será utilizada, em nossas faculdades de medicina, para ilustrar as aulas dos futuros legistas e peritos. Quem é capaz de inflingir tortura a alguém, ainda mais a um bebê, deve passar o resto da vida na cadeia, não é mesmo? De preferência, na solitária.
A procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, suspeita de maltratar – ou pior, torturar – a menina de dois anos que estava em sua casa, prestes a ser adotada, não agiu sozinha nesse caso escabroso. O perito responsável pela “informação”, no exame de corpo de delito, de que o bebê fora vítima de “lesão corporal leve”, no mínimo deveria perder o emprego, seja por negligência, incompetência, conivência, omissão ou covardia. Seja qual for o motivo de seu exame mal feito e do laudo mentiroso que produziu, ele atuou como vampiro capacho da bruxa.
Diz com sinceridade: encararias seguir adiante nesta estrada? A imagem, claro, é de uma rodovia da Islândia rumo ao Eyjafjallajok, que com sua erupção e respectivo fumacê congestionou o tráfego aéreo internacional por ter nublado todo o céu da Europa durante alguns dias, no mês passado. O que espera o pacato motorista em seu possante, dois ou três quilômetros adiante, indo de encontro ao tal vulcão que, em islandês, deve significar algo como morada do capeta? O que é que tem mais adiante nesse fim de mundo? Área de risco é pinto perto disso e, apesar de tudo, um monte de malucos continuou morando no pé do Eyjafjallajok. Tinha até birosca funcionando - afinal, como diz o filósofo Lauro Afonso Faria, "também com esse calor, fazer o quê?". Não é só no Rio ou em Niterói que é difícil convencer morador de área de risco a sair de seu barraco para não morrer soterrado. No som, copiando a trilha sonora do atento Chico Aguiar, The Platters.
Nos idos de 1976/1979, em brados durante manifestações de rua, em cartazes e nas pichações de muros feitas com uma caneta hidrocor da marca Pilot, que o pessoal chamava de pincel atômico, o Rio de Janeiro e o Brasil tomaram conhecimento de duas palavras de ordem contra a ditadura – “Pelas liberdades democráticas” e “Anistia ampla, geral e irrestrita”. Nesta época, eu estudava na Universidade Federal Fluminense e era quase militante de uma organização clandestina chamada Movimento pela Emancipação do Proletariado. Quase porque eu era indisciplinado (quem me conhece não vai se horrorizar, porque continuo o mesmo) e, embora nunca tenha faltado aos pontos, comecei a discordar do grupo. Por quê? É que, na contramão do movimento estudantil, o MEP repudiava as duas palavras de ordem. Como é que alguém pode ser contra anistia? E contra as liberdades democráticas? O MEP era e a explicação que seus dirigentes nos davam era a de que anistia significava perdão, e ninguém queria pedir perdão à ditadura. No caso da outra palavra de ordem, “Pelas liberdades democráticas”, o motivo que o pessoal do MEP dava para não fazer coro com o restante da esquerda era o de que tais liberdades eram burguesas. Isso eu achei bobagem na época e continuo achando. Porém, no caso da anistia ampla, geral e irrestrita, o MEP estava coberto de razão. A vitória dessa palavra de ordem nos idos de 1979 deu nesse julgamento em que o STF, por sete votos a dois, manteve o texto original da lei que favoreceu os torturadores. Daí vai que quem ficou na contramão da história, neste caso, foi o Brasil. Enquanto argentinos e chilenos julgaram Pinochet, Videla e outros genocidas, enquanto sobreviventes dos campos de concentração jamais desistiram de levar aos tribunais os criminosos nazistas, aqui no Brasil quem pediu o cumprimento da Justiça nesses casos foi rotulado de revanchista. O MEP merece mesmo uma festa por seus 40 anos. Tô nessa!
Na foto, a manifestação pela absolvição dos 17 militantes do grupo, no dia em que estavam sendo julgados por uma Auditoria da Aeronáutica, em 1977 (ou 78?). No velho gramofone, um sucesso da época em homenagem ao Luiz Arnaldo, à Fernanda, ao Fred, à Margareth, entre outros que foram em cana, e também ao Nilo, à Analéa, ao Nilton Santos, ao Déo, ao Luciano Batatinha e demais ex-integrantes daquela turma aguerrida.
O nepotismo vem de longe na história universal – foi inventado pelos Papas da Idade Média que escolhiam seus sobrinhos para cardeais (aí tem, ou melhor, tinha!). No Brasil, o primeiro caso foi flagrado na carta de Pero Vaz de Caminha. Depois de contar as maravilhas do Novo Mundo, o sacana aproveitou o embalo e pediu ao Rei de Portugal a transferência do genro (e um carguinho melhor, estava implícito!).
Quinhentos anos depois da epístola de Pero – os filólogos ensinam que vem daí a gíria pistolão –, muita água passou por baixo do moinho (por cima, somente mediante comissão) e os Trens da Alegria, de tempos em tempos, percorrem alegremente os ramais dos Três Poderes, transportando irmãos, primos, sobrinhos, cunhados, genros, noras, sogras e até ex-mulheres e ex-maridos com destino aos salários mais polpudos da administração pública.
Pois é, mas nem sempre esse negócio de colocar a parentada pela janela é nociva. No Rio de Janeiro, um exemplo de nepotismo que deu certo foi o da família Sá, do Estácio nosso fundador, que se aboletou no poder e botou os franceses para correr, nos quinhentos de nossa história.
Cinco séculos depois, surgiu outro nepotismo do bem - a Escola Portátil de Música, fundada em 2000 por músicos de choro e hoje tendo como coordenadores os craques Luciana Rabelo, Maurício Carrilho e Pedro Aragão. A Escola Portátil funciona nas instalações da Uni-Rio, na Praia Vermelha, com duas dezenas de professores e mais de 800 alunos que aprendem ou tentam aprender tudo quanto é instrumento e, também, canto, harmonia, arranjo e composição.
Os mestres fazem parte da nata dos instrumentistas de choro do país. E entre os alunos, tem de tudo - desde a garotada que em breve vai brilhar nos palcos até os cascudos, como eu, que estão lá pra fazer menos feio nas rodas de samba e de choro familiares e dos botequins. E o que se paga pelo aprendizado é mixaria – a semestralidade equivale a uma ou duas mensalidades de aulas particulares.
Tem nepotismo na EPM? Tem sim, mas o nepotismo de lá é sinônimo de meritocracia. E disso sou testemunha mais ocular do que ouvinte do Repórter Esso (pararará parararará papá), pois participo como aluno deste projeto cultural e social realmente fantástico, em parte bancado pela Petrobras, tendo como professores um pessoal de primeiríssima, muitos pertencentes a respeitáveis dinastias musicais – os Carrilho, Rabello, Aragão e Silva, entre outros sobrenomes ilustres.
Seguindo a ordem acima, os Carrilho têm cinco representantes na EPM. Álvaro Carrilho é flautista, nascido em Santo Antônio de Pádua como o irmão e lenda viva Altamiro Carrilho. Começou na flauta de bambu, passou para a transversa e compôs delícias como Chorando em Barbacena, Na sombra da caramboleira e De pai para filho. O filho César, nem sei se toca algum, mas é o homem dos sete instrumentos da escola, o coordenador da produção. Afinal de contas, alguém tem que trabalhar na família, pombas! Figuraço que, vez por outra, e com toda a razão, dá esporro na rapaziada que esquece de levar de volta para o devido lugar as cadeiras usadas no Bandão. O outro filho de Seu Álvaro, o genial Maurício Carrilho, é violonista, arranjador, compositor inspirado e um dos fundadores e coordenadores da EPM. Com muita estrada, Maurício Carrilho já acompanhou grandes nomes da música, como Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso e Nara Leão. Cantar, ele não canta, mas berra no Maracanã quando o Flamengo perde. Do clã também faz parte a violonista e cantora Anna Paes, casada com Maurício Carrilho e mãe de Anita, que tem nove anos e está aprendendo pandeiro na EPM. Anna Paes é também uma afiada pesquisadora responsável pelo levantamento da obra de compositores de choro. Na EPM, que ajudou a fundar, ensina canto e violão.
A forte presença feminina na EPM tem nas irmãs Luciana e Amelia Rabello, e na filha de Luciana, Ana Rabello, três destaques. Luciana, há 30 anos na profissão, é cavaquinista, compositora e produtora. Aprendeu tudo com os mestres do cavaco Jonas (do Época de Ouro de Jacob do Bandolim) e Canhoto (do Regional que herdou de Benedicto Lacerda e que fez história nos anos dourados do rádio e dos cassinos) e hoje democratiza este notório saber na EPM. Mestra rigorosa, temperando esse rigor com um humor fino, Luciana transmite os fundamentos do choro, do samba e de outros gêneros e ritmos brasileiros para que seus alunos não cometam no futuro crimes hediondos contra a música brasileira. Ana Rabello, ex-aluna da EPM, filha de Luciana e do grande poeta do samba Paulo César Pinheiro, é outra integrante do corpo docente do cavaco e de seu currículo constam numerosas participações em shows e gravações ao lado de monstros sagrados com os quais convive desde os tempos do berço e do bebê-conforto. Amelia Rabelo, irmã de Luciana e do inesquecível sete cordas Raphael Rabello, é cantora de rara afinação e que sabe tudo dos fundamentos do choro e do samba. Entre os CDs que gravou, o Todas as canções, lançado em 2002, reúne a obra autoral de Raphael, de quem foi a principal intérprete.
O único nepotismo que deu certo no Brasil tem representantes também na ilustre Casa dos Aragão, que tem um violão e um bandolim pintados no brasão. Embora essa dinastia seja numericamente inferior – são apenas dois irmãos, por enquanto –, não fica a dever em talento. O bandolim do escudo heráldico pertence a Pedro Aragão, que na EPM ministra aulas de Leitura Rítmica e Apreciação Musical e nos estúdios e shows ao vivo vem se destacando como um dos bandolinistas mais competentes e requisitados. Regente formado pela Escola de Música da UFRJ, Pedro é também o maestro do Bandão da Escola Portátil de Música, que todos os sábados, a menos que chova, a partir de 12h30m, põe em prática o que os alunos estavam aprendendo pouco antes, nas salas de aula. Pedro Aragão também é diretor e fundador do Instituto Jacob do Bandolim e fundador e regente do Rancho Carnavalesco Flor do Sereno. Seu irmão, Paulo Aragão, mestre em Musicologia pela Uni-Rio e bacharel em Violão pela UFRJ, nos dois cursos aprovado com louvor, é integrante do Quarteto Maogani de Violões, pelo qual já lançou quatro discos. O Maogani é um grupo altamente conceituado no cenário musical brasileiro, conjunto instrumental de extremo bom gosto, vencedor de prêmios importantes e que se destaca por sua produção fonográfica de alta qualidade, reconhecida no Brasil e no exterior. Um grupo que modestamente vi nascer nas noites de domingo do bar Orquídea, em Nikity. Como se não bastasse, os irmãos Aragão têm outra grande qualidade – ambos são botafoguenses!
Last, but not least, outra linhagem que comanda os trabalhos na EPM é formada por três gerações da família Silva. Eles mesmos, os Silva do pandeiro – avô, pai e neto. O couro come a partir do patriarca das platinelas, Jorginho do Pandeiro, que toca desde os 14 anos e viveu a era de ouro do rádio brasileiro, ao lado de astros e estrelas como Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Carlos Galhardo, entre outros, até os dias de hoje, quando acompanha craques da estirpe de Paulinho da Viola ou Chico Buarque. Jorginho integra há 40 anos uma das maiores referências do choro, o conjunto Época de Ouro, criado por Jacob do Bandolim. É irmão do genial Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, que se fosse vivo, quem sabe, também estaria dando aulas na EPM. O percussionista Celsinho Silva, filho de Jorginho, outro pioneiro e um dos mais bem-humorados professores da Escola Portátil, também já encontrou seu lugar entre os grandes pandeiristas e chorões do Brasil, desde sua estreia no grupo Os Carioquinhas, do qual também fizeram parte Raphael Rabello, Luciana Rabello e Maurício Carrilho. Integra também o Nó em Pingo d´Água e há 30 anos faz parte do grupo que acompanha Paulinho da Viola. Com esse DNA todo que vem no sangue, não teve jeito: Eduardo Silva, também professor da EPM, deu continuidade à arte do pai e do avô. Embora seja o mais novo dos três, é o único que não tem inho no nome artístico. Eduardo é fundador do Regional Carioca e toca e/ou já tocou em grupos importantes como o Sarau.
Pois é, e além desse pessoal todo já citado, a EPM conta também, no seu corpo docente, com o talento do percussionista Oscar Bolão, dos bandolinistas Pedro Amorim e Marcílio Lopes, do pianista Cristóvão Bastos, dos cavaquinistas Jayme Vignoli e Ignez Perdigão, do violonista Luiz Flávio Alcofra, da flautista Naomi Kumamoto, da cantora, instrumentista e fera em harmonia Bia Paes Leme, entre tantos outros.
Deu vontade de aprender algum instrumento? Deu vontade de aproveitar essa pauta e escrever sobre esse timaço? Visite o site www.escolaportatil.com.br ou, melhor ainda, apareça num sábado desses, sem chuva, pouco depois do meio-dia, pra conferir uma apresentação do Bandão. A EPM fica na Avenida Pasteur 436, fundos. É 0800, digrátis. Neste vídeo de 2007, o Bandão toca Gafieira Suburbana, de Cristóvão Bastos.
Aqui não se dança conforme a música. A música é que toca conforme o texto. A ideologia é de esquerda pra quem vem da direita, e vice-versa, se não for contramão. Missão, meio jornalística: metade da vida em redações de jornais. Aqui se persegue a imparcialidade antes que dobre a esquina. Os valores são reais, até a moeda mudar de nome. O Manuel da Redação (revisor, mora em Niterói) se orienta pelo novo Acordo Hortográfico, digo Ortográfico, que está enchendo de grana a Academia. Time, o Glorioso Botafogo. Escola, Portela, a Majestade do Samba. Constituição, a de Capistrano de Abreu (1853-1927) com uns cacos: Art. 1º: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara, e isso vale para os que se submeteram a cirurgias plásticas, pintam o cabelo, passam o tablete de Santo Antônio no bigode ou botam as barbas de molho; Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.
Este blog é um baú de impressões e opiniões; meu arquivo pessoal e intransferível, porém aberto a contribuições, na medida do possível, desde que em forma de textos e imagens, vindos de gente idônea e sem links de patrocínio.