quarta-feira, 26 de maio de 2010

NA FESTA DO PAULO, MAIS UM MICO DE MINHA AUTORIA

Tem gente que gosta de ouvir o bigode crescer, outros preferem farrear. Pertenço a este segundo grupo. Respeitando quem gosta de comidinhas francesas em pratos rasos, meu negócio é feijoada – só de escrever isso, já noto uma leve oscilação da taxa do ácido úrico. Pagar mico também é comigo: vivo rindo de mim mesmo. Quem ainda não se deu conta de que, residentes deste terceiro planetinha fuleiro de quem vem do Sol, sentido Júpiter, não passamos, nós terráqueos, de futuros defuntos que apenas estão pelaí, de bobeira, enquanto não descem os sete palmos? Futuros? Nem tanto. Tirando o Niemeyer, que não é leitor desse blog, quem mais se habilita a fechar a conta dos dois galos? Dos vivos hoje, só ele mesmo e alguns moradores dos Montes Urais passaram do centenário.
A vida é curta. Meu chapa Paulo Eduardo Neves é um que sabe disso. Completou quarentinha um dia desses e, em vez de fechar uma casa de festa cheia de pinguins servindo canapezinhos, proseccos e outras porcarias, armou a quizumba no meio da rua, no caso a Ouvidor, num domingo sem pagodeiros. Foi com sua linda Cris e os dois pimpolhos, Seu Natal e Seu Candeia. Em vez de espumante, o que teve foi cerveja e bons produtos extraídos da cana, que além do etanol também é bom combustível. Na roda de samba, comandada pelo Galotti, o homem-repertório, lá estavam o garoto Pratinha com seu sete cordas, e ainda o pandeiro, o tantã, o tamborim e o surdo revezados pelos tarimbados André Pressão, Almir e Declarck. Nas imediações, o Digão da Folha Seca, corresponsável (esta nova ortografia é de matar) pela organização da farra (farra também se organiza), e um monte de gente boa que foi chegando e contribuindo para o sucesso da carraspana etílico-musical.
Lá pelas tantas, eu mais pra lá do que pra cá, metido pra cacete com um tamborim vermelho que consigo tocar melhor do que a maioria dos percussionistas do Tibete, novamente pago um mico, sem perceber que minha querida amiga portelense Bia estava filmando aquela atormentada, mas nem por isso menos elogiada, performance.
Hoje, este blog é autocentrado, sim, e aperto a tecla F.
Com vocês, eu... e, ahá!, mais um mico de minha autoria!
O samba tocado no momento é “Loira Luzia”, de Nei Lopes:
“No dia em que a loira Luzia pôs fogo no morro
Sargento Garcia deu tapa no Zorro
E a Rua do Chichorro mudou de lá do Catumbi
Um gato que estava num poste roubando energia
Comeu um cachorro, crente que comia
Uma gata escaldada, na laje lá no Tuiuti
Foi nisso que uma coisa estranha baixou no terreiro
Cabeça de área, corpo de bombeiro
Uma perna de três e dois dedos de prosa,
Orelha de livro, um pé de conversa (era um espantalho!)
A boca de fumo, um dente de alho
Mané, que trabalho, que coisa horrorosa!
O carro da polícia ia saindo ileso
Mas acabou preso no engarrafamento
E o da funerária morreu a caminho
De um sepultamento
O carro do bombeiro pegou fogo
E a ambulância chamou o socorro...
No dia em que a loira Luzia pôs fogo no morro”.

5 comentários:

Chris disse...

Grande Mestre Zé do Tamborim! Obrigada pelo "linda" e pela presença:-)

Anônimo disse...

Eu te amo Zé!
Bia Alves, a tia. rs

mari disse...

QUE LINDO!!!! saudade da marinilda

Chris disse...

Marinilda, que saudade! Perdi seu contato! Vamos marcar um chopp? (vamos, Zé?)

Claudio Renato disse...

DEUS DO TAMBORIM!!!!!!