Em 1942, a aldeia de Lídice teve seus 1.500 moradores assassinados pela tropa de choque nazista depois que a guerrilha tcheca matou Reinhardt Heydrich. Heydrich era o encarregado de resolver a questão judaica na Alemanha e em seus territórios ocupados – um eufemismo para o Holocausto.A represália ao assassinato de um militar que era tido como um dos nomes fortes para suceder Hitler, em caso da morte do Führer, foi um episódio marcante da Segunda Guerra Mundial. Fizeram filmes sobre esse genocídio.
A repercussão do massacre de Lídice foi tamanha que, aqui mesmo no Estado do Rio de Janeiro, o então interventor getulista Amaral Peixoto deu este nome a uma pequena cidade – a nossa Lídice virou distrito do município de Rio Claro. Foi uma bela idéia do genro de Getúlio Vargas, cujo governo, como sabemos, tinha simpatizantes do nazismo. Amaral Peixoto ganhou muitos pontos com a esquerda brasileira na época. Os comunistas que tinham problemas com a polícia de Filinto Müller pegavam a barca para Niterói. A cidade onde moro ganhou até o apelido de “França Livre” por causa das atitudes do (então) jovem interventor.
Gaza ainda não é distrito de nenhum município brasileiro. Mas há muito tempo é o apelido de alguns bairros e vias públicas onde o tráfico é mais presente do que o poder público. O Rio de Janeiro tem muitas “Faixas de Gaza”, da Zona Sul ao Complexo do Alemão. Nossos vereadores e deputados estaduais, portanto, podem ficar tranqüilos. O povo carioca, informalmente, já prestou sua “homenagem” ao governo israelense por ter, mais uma vez, se comportado exatamente igual às SS nazistas.
Israel, graças à extrema-direita que governa o país, não precisa que os países árabes cumpram a ameaça de jogá-lo no mar. Seus próprios líderes se encarregam de levar o país à beira do abismo.
Israel é um país forte e poderoso, mas é um pequeno país cercado. Sua sobrevivência depende exclusivamente de negociar, negociar e negociar, exaustivamente, penosamente, incessantemente, com os vizinhos árabes.Caso contrário, vai desaparecer do mapa, mais cedo ou mais tarde.



8 comentários:
Discordo, como vc sabe, de qualquer analogia entre o nazismo alemão e a luta de Israel pela sua sobrevivência como estado. A comparação é, ainda que involuntariamente, imoral. Mas tudo bem, sou minoria e já me conformei com esta condição. Seria mais fácil atacar Israel, como sempre. Aliás, como quase sempre fiz, em priscas eras. Era mais simples: sou de esquerda, apóio o Hamas; sou de direita, fico com Israel. Conversa longa, interminável. Mas chamo atenção para um detalhe: a direita de Israel não está no poder. O governo é trabalhista. Bem, sempre é possível dizer que tanto faz. Como na piada: Rosenberg, Gutenberg, Nurenberg, é tudo a mesma merda.
MARONA, o governo é trabalhista, mas faz inveja ao Likud. O que é direita hoje em Israel? E no resto do mundo? Não se trata de ser a favor ou contra qualquer dos lados. Israel tem mais é que negociar muito, a ponto de desacreditar o Hamas perante o próprio mundo árabe.
Ô Zé, meu velho, a extrema-direita não governa Israel nem a cacete.
Abração.
De que extrema-direita estamos falando mesmo?
De resto, concordo com o teor do texto e com a única coisa viável a ser feita - dialogar.
Abraço.
Zé,
no meio dessa turbulência , quando ouvi esta semana o cessar fogo concedido por "três horas", fiquei ali no meu engarrafamento amigo do dia a dia da ponte refletindo... O que faz uma pessoa nestas horas gentilmente ofertadas, já que logisticamente falando nada é possível de se fazer. A gente ora ? Bebe água ? Se encolhe ? Chora ? Come ? Faz o que ???? Estou falando de pessoas normais, não de militares. Eu que sempre pautei minha vida em horários e tempo nunca dei tanto valor a apenas "três horas" .
Um forte abraço.
“Israel sempre acreditou que causar sofrimento a civis palestinos os faria rebelarem-se contra seus líderes nacionais, o que se mostrou errado várias vezes”. Tom Segev
O que nos leva, como previa, à piada segundo a qual Gutemberg, Rosenberg, Nurenberg... é tudo a mesma merda.(que se registre que ouvi esta piada antissemita de um judeu, de esquerda, que apóia a guerra. Mas é isso mesmo: esses esquerdistas são todos de direita!) Como diz Robert Gurz em artigo na Folha:
"Segmentos expressivos da esquerda global também passaram a transferir sem qualquer cerimônia a glorificação do velho "anti-imperialismo" aos movimentos e regimes islâmicos. Isso só pode ser caracterizado como penúria ideológica, pois o islamismo é contra tudo o que a esquerda defendeu na sua história: pune o homossexualismo com a pena capital e trata as mulheres como seres de segunda categoria." Este Kurz, vamos logo definindo, é um direitista disfarçado de mentor intelectual da esquerda.
Ô raça!
Postar um comentário