Não é preciso muito esforço para juntar multidão. Basta reunir os primos do Nei Lopes, os filhos do jornalista Fernando Paulino Neto (o Nando, também conhecido como Coelho) e os afilhados da Beth Carvalho. Acrescente os fundadores do PT (engraçado, até gente que em 1980 torcia para os militares não largarem a rapadura hoje diz que fundou aquele ex-partido) e os desafetos do Galvão Bueno. Junte os puxa-sacos do presidente em exercício, seja ele quem for. Pronto! Mais de 200 mil pessoas pulando e se divertindo no Cordão da Bola Preta.Pulando e se divertindo? Quem dera. Já foi tempo. O Bola saía da Cinelândia, seguia um quarteirão da Araújo Porto Alegre, dobrava na Rua México, festejava na Nilo Peçanha, atravessava a Rio Branco, tomava um banho de mangueira na Rua da Carioca e circundava a Praça Tiradentes, de lá voltando ao ponto de origem, triunfal, ocupando a Rio Branco tomada de gente animada de todas as idades.
O bloco cresceu demais e ficou grande para certos trechos do Centro do Rio. Durante uns dois ou três anos, o trajeto foi mudado. O cordão passou pela espaçosa Presidente Antônio Carlos, em lugar da acanhada México. Foi bom, mas continuou crescendo e a Araújo Porto Alegre ficou inviável. Há vários anos, o Bola festeja apenas na Rio Branco, indo da Cinelândia até a Candelária, e voltando.
Já dava para brincar melhor, pois não? Mas sempre tem uns filhos da puta que atrapalham a diversão do povo. No caso, um monte de babacas – e nenhum tem parentesco com o Nei ou com o Nando – de todas as idades que ficam parados, feitos dois de paus, na frente do caminhão com a orquestra. Virou programa ir ao desfile do Bola só para atrapalhar. Já ouvi garotão musculoso e menininha saradona berrando no celular, latinha de cerveja na mão:
“Manhêêê! Tô aqui pulando no Bola. O carnaval do Rio é o máááximo! Como? Não estou entenDEEENdo! Tá tudo bem, vou desligar!!!”.
Que vontade de ver o caminhão passando por cima desses chatos, os seguranças do Bola enfiando a raquete neles!
Não sei ainda o que fazer na manhã de sábado de carnaval, há tantos anos, mesmo sob aguaceiros, preenchida pelo querido Cordão da Bola Preta. No domingo, ainda dá para ir ao Boitatá. Segunda de carnaval, que era talvez a parte mais sem graça do tríduo momesco, parece que deu uma levantada. Terça, bem, terça é um mistério. Soube que um dos melhores blocos – o Se Melhorar, Afunda, aqui de Niterói – fechou as portas e um grupo montou um bloco que sai na Zona Sul cantando músicas de Roberto Carlos (!!!) em ritmo de marchinhas.
Tem “nêgo bêbo” aí, tem "nêgo bêbo" aí!



3 comentários:
Pô Zé, tava cheio mas tava bom. Os filhos do Nando agora são casados e têm filhos, o que cooperou consideravelmente pra super lotação. É por isso que nóis bebe...
Meu caro Dinda, não é que esse ano até deu pra brincar um pouco no Bola? Reverteu grande parte da minha contrariedade do ano passado. São fases, meu amigo! Daqui a pouco sai de moda, e volta aos mesmos cinco, seis mil de sempre. Ou não. Acontece que não dá pra deixar de ir; assim como um maometano tem de ir a Meca, como um paraense tem que ir para o Círio de Nazaré. Os filhos, amantes, discípulos e devotos da Cidade de São Sebastião tem o DEVER de sair no sábado de manhã pelas ruas do Centro, e cantar, pelo menos uma vez: "Lugar quente é na caaaaaaama...". Para reverenciar, celebrar e agradecer o que recebemos dessa Cidade essencial, não importa o sacrifício que se faça. E, apesar de todos os pesares, cada velhinha que passa de bolinha preta é um alento. Como faz bem aos olhos a multidão mulata se aglomerando! Coisa que, infelizmente, a gente não vê em outro lugar. O Boitatá é uma delícia, o Rancho é de chorar, mas a gente preta que inventou o Carnaval, seus netos e bisnetos, por mais embrutecidos que estejam pela desuducação, pela violência e pelos fanques, é no velho Cordão que ela está.
Pois é Izabela querida, pois é Sze querido, mas não é que o Bola inaugurou a era do abadá no carnaval carioca? 15 pratas para desfilar com a camisa oficial "dentro das cordas". Ano que vem, quem sabe, 50 contos. De repente, quem sabe, a Claudia Leitte e a Ivete Sangalo vão pra cima do caminhão com a bandinha...
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