No dia 24 de agosto de 1954, o jornal "Notícias de Hoje", editado em São Paulo pelo Partido Comunista Brasileiro, tinha o editorial pronto. Quando chegou a notícia do suicídio, a edição foi refeita às pressas. Trocaram a manchete por um texto longo exaltando as qualidades do ex-ditador, sob o título "O povo chora a morte de seu Presidente". Só que alguém esqueceu de trocar o editorial, que seguia a mesma linha da primeira página. Ficou assim: no alto da capa, os comunistas se associaram ao povão na dor pela perda do estadista; no editorial "Farinha do mesmo saco", o Partidão falava a língua da direita udenista. Essa história me foi contada por um ex-repórter do "Notícias de hoje". "Foi a maior cagada que já vi em jornal", lembra o velho jornalista, que saiu pelas ruas de São Paulo enfurecido e, para não perder a viagem, jogou uns pedregulhos e quebrou a vitrine da Pan American. Getúlio Dornelles Vargas, com todos os seus defeitos, foi o presidente que inventou nossa infra-estrutura, criando a Petrobrás, a Vale do Rio Doce, a CSN, e de quebra as primeiras leis sociais que o povão nunca esqueceu. Daí a homenagem sonora com este samba-enredo, "O grande Presidente", de autoria do grande Padeirinho, cracaço da Estação Primeira de Mangueira, cantado por outro mestre, Martinho da Vila. É um laudatório? Pode ser, e daí? É carregado de sinceridade.



Um comentário:
interessante.
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